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Bombeiros da Ribeira Grande têm falta de tripulação para manter aberta durante 24 horas a secção da Lomba da Maia

Em que condições se encontra o quartel dos bombeiros voluntários da Ribeira Grande? Há neste momento necessidade de intervenções?
Norberto Gaudêncio (Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande) – Os bombeiros da Ribeira Grande possuem dois quartéis: um na secção destacada da Lomba da Maia, inaugurado em 1989, que sofreu obras de remodelação e manutenção em 2002, em que todas as caixilharias em madeiras que foram substituídas por alumínios e onde foram criadas condições para que o mesmo pudesse receber elementos do sexo feminino. Com o nosso esforço, e apesar de alguns problemas relacionados com a humidade, este quartel encontra-se nas devidas condições operacionais.
O quartel-sede, inaugurado em 2005, é uma estrutura de grandes dimensões, que nos obriga a uma constante atenção em termos de manutenção, o que motivou a contratação de um funcionário com a exclusiva função de se dedicar a esta área. Ao longo destes quase 20 anos fomos fazendo diversas intervenções, umas de maior monta como por exemplo a asfaltagem da parada e todo o espaço envolvente. Como forma de rentabilizarmos o edifício, muitos espaços estão arrendados a outras entidades mediante pagamento de uma renda, como é o caso da PSP, dois ginásios, bar/restaurante, salas de aula, etc.
Actualmente temos necessidade de aumentar as garagens porque algumas das nossas 40 viaturas ficam no exterior. Este projecto já se encontra em andamento.

Como está a Associação em termos de recursos humanos? Há falta de bombeiros?
Nós não sentimos que haja falta de bombeiros. A Associação tem actualmente cerca de 50 colaboradores que temos de pagar no final de cada mês. Estes, com o apoio imprescindível dos nossos voluntários, são os responsáveis pelo cumprimento dos diversos contratos e protocolos que temos vindo a assumir, designadamente com o SRPCBA para o transporte de doentes urgentes, em que disponibilizamos três tripulações no horário diurno e duas no horário nocturno.
Abrimos aqui um parênteses para chamar a tenção para o facto de estarmos a necessitar de mais uma tripulação para mantermos aberta durante 24 horas a secção da Lomba da Maia, que só está a funcionar em horário nocturno e fins-de-semana. Temos vindo a insistir junto da tutela, fazendo ver que esta secção, dada a sua localização, para além de apoiar a zona norte do concelho da Ribeira Grande, poderá apoiar também outros concelhos como o Nordeste e Povoação.
Para além disso, temos compromissos com o transporte de doentes não urgentes, nomeadamente com o Hospital Divino Espírito Santo (HDES) e Unidade Saúde da Ilha de São Miguel (USISM). Assinamos também contratos de prestação de serviços para o transporte de alunos com mobilidade reduzida com as Escolas EB1/JI de Rabo de Peixe, Escola Secundária da Ribeira Grande e EB1/JI de Ribeira Grande. Transportes de água serviços de limpeza de fossas, transporte em autocarros e muitos outros serviços são também disponibilizados à população e empresas.

Com quantos elementos conta o corpo de bombeiros da Ribeira Grande?
O corpo de bombeiros conta actualmente com 280 elementos: quatro no quadro de Comando; 97 no quadro Activo; 19 no quadro de Honra; 38 no quadro de Reserva; 58 infantes e cadetes; 19 estagiários e 45 elementos na charanga.

Em que medida a inflação, nomeadamente o aumento do preço dos combustíveis, produtos e equipamentos, está a afetar a instituição?
Pensamos que a forma como estamos a ser afectados é comum a todas as Associações, desde logo pelo brutal aumento da electricidade, onde passamos de uma factura mensal que rondava os 3.500,00€ para uma factura superior a 8.000,00€, ou seja, para mais do dobro. Temos sido muito penalizados pelo aumento dos combustíveis, pese embora o aumento da comparticipação do fundo de coesão, mas que é claramente insuficiente para cobrir os nossos gastos anuais. Basta lembrar que as nossas viaturas percorreram 930.204 Km durante o ano de 2022, o que corresponde a uma média diária superior a 2.500 Km, valores que serão ultrapassados em 2023. Para além disso temos tido dificuldades em rever protocolos para o transporte não urgente de doentes, em especial com o HDES, que nos está a pagar atualmente 0,65€ por Km, praticamente o mesmo valor negociado de 2014. O aumento dos vencimentos também é significativo, basta comparar o ordenado mínimo em 2014 com o valor atual.
Relativamente à energia, já adjudicamos a uma empresa a colocação de painéis solares, por forma a que possamos fazer face ao atual encargo.

Quais são as actuais necessidades da associação?
De forma muito sucinta direi que uma das nossas ambições é a reabertura a tempo inteiro da secção da Lomba da Maia, substituição da nossa embarcação de socorro que já conta com mais de 20 anos e que pode condicionar a intervenção da nossa equipa de mergulho e socorros a náufragos. A médio prazo ponderamos adquirir um veículo plataforma de combate a incêndios até 32 metros de altura, ganhando outra capacidade para o combate a incêndios em edifícios que estão a crescer em altura.

Que balanço faz do ano de 2023?
Foi um ano de trabalho e de continua consolidação das nossas contas. Paulatinamente, continuámos a trabalhar para que esta Associação seja capaz de satisfazer aquilo que se espera dela, a proteção de pessoas e bens na certeza de que a sociedade onde nos inserimos nos acarinha e nos valoriza. Os nossos bombeiros assalariados, voluntários e os dos demais serviços deram o seu melhor ao longo de todos os dias tendo como meta o bem comum. Creio que o conseguimos. O nosso lema é, com humildade, continuar a trabalhar, depois trabalhar e a seguir trabalhar. E creio que os resultados falam por si e são evidentes. Dificuldades houve-as com certeza, mas vamos superando-as uma a uma.
Aqui deixo o meu reconhecimento a todos os obreiros desta instituição, sócios, corpos gerentes, comando, bombeiros e todos os restantes trabalhadores.

Quais são os projectos e ambições para 2024?
No dia que não tivermos ambições não estaremos cá a fazer nada. Pensámos que alguns projectos terão um grande grau de dificuldade na sua execução, mas com tenacidade iremos lutar pela sua concretização o que se pode ver através do nosso plano de actividades para 2024. Assim para além de muitas outras seja-nos permitido realçar: campo de treinos que para além da sua função formativa poderá ter uma componente muito interessante de financiamento para a Associação; criação de um fundo de apoio aos bombeiros, a de modo a se minimizar situações sociais muito gritantes; o início da construção de um pavilhão desportivo cujo projeto já está em desenvolvimento; a manutenção da certificação de prestação de diferentes serviços através da Norma ISO9001 (somos a única Associação dos Açores a estar certificada). O preço desta certificação dilui-se na certeza de que os serviços prestados têm qualidade e o utente está a usufruir de todas as garantias na sua prestação.

Há alguma outra questão que gostaria de apontar?
Ainda há quem considere que as associações, como entidades patronais, colocam sempre entraves aos seus trabalhadores.
Se há quem defenda os bombeiros com afinco e com veemência são as direções e os comandos, pois considera-se que todos somos pessoas iguais com funções diferentes. Que cada um de nós cumpra com honestidade e honradamente a função que desempenha e que cada um se sinta o mais satisfeito e realizado possível com reconhecimento das suas capacidades.
Assim estamos a pugnar há longos anos para que os bombeiros tenham um estatuto de carreira que os motive e no qual se sintam minimamente enquadrados e reconhecidos.
Sempre enviamos esforços e vamos continuar a motivar, pressionar e demonstrar que as associações precisam ser devidamente financiadas para que possam desempenhar com eficácia e eficiência a sua missão. Não temos subsídios do Governo. O que recebemos tem como contrapartida o pagamento de serviços prestados sobretudo no que se refere aos diferentes tipos de urgência e emergência. E neste campo a Associação dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande foi largamente penalizada durante muitos anos em dezenas de milhares de euros por ano. Esperemos que a breve trecho se equilibre a prestação de serviços urgentes para bem da Associação e sobretudo dos utentes.
Há quem diga que não se deve dar subsídios; o que se deve fazer é dar trabalho devidamente remunerado para que se possa fazer face às enormes despesas decorrentes do funcionamento dos bombeiros da Ribeira Grande – aproximadamente dois milhões e trezentos mil euros anuais.
A finalizar devo dizer que esta Associação está financeiramente estável e que encara o futuro imediato com tranquilidade e planeamento. Isto deve-se sobretudo aos operacionais voluntários e assalariados e a todos os outros não bombeiros que em conjunto continuam a ser o garante da nossa capacidade de resposta às mais diferentes solicitações sob a capacidade extraordinária do corpo de comando e da dedicação dos órgãos de gestão, que em conjunto com os associados pretendem engrandecer os bombeiros e a Ribeira Grande.

Mariana Rovoredo

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