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Corantes nas águas residuais representam ameaça à saúde animal, vegetal e do planeta

Os corantes amplamente utilizados nas indústrias têxtil, alimentar e farmacêutica representam uma ameaça para a saúde vegetal, animal e humana, bem como para os ambientes naturais em todo o mundo, alerta um novo estudo.
Um grupo de investigadores do Reino Unido, da China, Coreia do Sul e da Bélgica afirma que são necessárias novas tecnologias sustentáveis, incluindo novas membranas de filtração à escala nanométrica, para resolver o problema, acrescentando que é necessária legislação para obrigar os produtores industriais a eliminar os corantes antes de chegarem aos sistemas públicos de esgotos ou aos cursos de água.
Publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment, o estudo salienta que, actualmente, até 80% das águas residuais industriais que contêm corantes, geradas nos países com menores rendimentos, são lançadas sem tratamento para os cursos de água ou utilizadas directamente para irrigação. Segundo os autores, esta situação representa um grupo de ameaças directas e indirectas para a saúde humana, animal e vegetal.
Apesar destas ameaças “graves” para a saúde e os ecossistemas, os autores sublinharam que não existem infra-estruturas, investimentos e esforços regulamentares adequados para tornar a utilização de corantes mais sustentável ou para o tratamento das águas residuais com estas substâncias.
Ming Xie, professor no Departamento de Engenharia Química da Universidade de Bath (Reino Unido), acredita que é necessária uma abordagem multifacetada para combater o problema. “Os corantes criam vários problemas quando chegam aos sistemas hídricos, desde impedir que a luz chegue aos microrganismos que são a base das nossas cadeias alimentares, impedindo a sua reprodução e crescimento, até consequências mais directas como os efeitos tóxicos nas plantas, solos, animais e seres humanos.”
Ainda de acordo com o especialista, “existem várias formas potenciais de os remover da água, incluindo técnicas químicas, biológicas e baseadas em membranas, mas diferentes corantes exigem abordagens diferentes e, quando chegam aos sistemas de águas residuais, os processos de tratamento podem ser altamente intensivos em termos energéticos”.
Acredita, por isso, ser necessário “um esforço de regulamentação a nível mundial para impedir que os corantes cheguem às águas residuais ou a outros sistemas de água, como a irrigação”.
A indústria têxtil, o maior consumidor de corantes
Mauveína, o primeiro corante orgânico sintético, foi descoberto em 1865, estimulando a criação da indústria mundial de corantes. Desde então, foram sintetizados mais de 10.000 tipos diferentes, com uma produção global anual actualmente estimada num milhão de toneladas.
Os corantes são utilizados nas indústrias da borracha, dos curtumes, do papel, alimentar, farmacêutica e cosmética, sendo que o maior utilizador, o sector têxtil, consome 80% dos sintéticos produzidos e gera anualmente cerca de 70 mil milhões de toneladas de águas residuais com estas substâncias.
A China, a Índia e o Bangladesh descarregam, em conjunto, cerca de 3,5 mil milhões de toneladas de águas residuais têxteis por ano. A contaminação da água é agravada pelos corantes sintéticos, o que, à luz dos problemas de escassez de água, faz dos corantes uma questão ambiental e de desenvolvimento sustentável fundamental.
Os corantes não tratados provocam a coloração das massas de água, reduzindo o grau de luz visível que atravessa a camada superficial, o que dificulta a fotossíntese das plantas aquáticas e cria impactos ao longo da cadeia alimentar.
As microalgas, que constituem a base da cadeia alimentar aquática, são as mais sensíveis à redução da fotossíntese, sofrendo inibição do crescimento e deformação celular quando expostas a um corante sintético. Este efeito pode levar ao colapso de ecossistemas aquáticos inteiros, com impacto já visível nos peixes. Isto porque os corantes podem também depositar-se nas suas guelras ou no cérebro, provocando efeitos toxicológicos como movimentos descoordenados, dificuldades respiratórias, lesões hepáticas e disfunções renais.
Efeitos que não só reduzem o valor nutricional dos peixes para os predadores, como também diminuem as suas taxas de reprodução. Os corantes tóxicos podem também bioacumular-se no tecido adiposo dos peixes, apresentando riscos para a saúde dos seres humanos e dos animais ao longo da cadeia alimentar.
Os impactos negativos dos corantes verificam-se ainda na terra, onde perturbam o equilíbrio das comunidades microbianas no solo, e nos seres humanos. A exposição a corantes pode desencadear alergias, asma e doenças, incluindo dermatites e perturbações do sistema nervoso central, bem como disfunções orgânicas e um maior risco de cancro.
Noticiassaude.pt/Ciência

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