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Papas na introdução alimentar dos bebés

Quais as recomendações nacionais e europeias?
Até aos 12 meses é proibido oferecer açúcar, mel, sumos de fruta, etc, para contrariarmos a preferência natural pelo sabor doce com que os bebés nascem.
Se o bebé mantivesse esta preferência para o resto da vida e não aprendesse a gostar de sabores amargos e ácidos (ex.: iogurte natural, kiwi, brócolos, nabo), o risco de desenvolver obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares aumentaria bastante.
Por isso, para reeducarmos o paladar e as preferências inatas do bebé, devemos evitar oferecer alimentos muito doces e expô-lo desde o início da introdução alimentar a paladares amargos e ácidos até que os aceite – e atenção, podem ser precisas mais de 10 tentativas até os aceitar!

Então, onde ficam as papas?
As papas são um alimento muitas vezes considerado como o primeiro a introduzir.
Tendo em conta que as necessidades em ferro aumentam a partir dos 6 meses, a fortificação de algumas papas neste minetal torna-se particularmente interessante. Contudo, as papas não são necessárias ou sequer obrigatórias para suprir estas necessidades, principalmente se o bebé tiver acompanhamento nutricional ou estiver a ser suplementado com ferro.
Outras vezes, a justificação para a oferta das papas prende-se com a introdução de certos alergénios, mas permitam-me esclarecer: o trigo e o glúten podem ser introduzidos através da massa, cuscus e/ou bulgur (na sopa ou no prato) e a proteína do leite de vaca pode ser introduzida através de iogurtes naturais gordos.
Ou seja, se optar por oferecer papa ao seu bebé, introduza a papa certa, no momento certo.

Qual o momento certo para introduzir a papa?
Se iniciarmos a diversificação alimentar por alimentos muito doces (como a papa), a fase inicial da introdução de alimentos menos doces e por vezes mais amargos (ex.: brócolos, nabo, maçã verde ralada/cozida) será à partida mais complicada.
Garanta primeiro que o bebé aceita bem frutas e legumes com sabores desafiantes e só depois ofereça uma papa, o menos doce possível.

Como escolher uma papa pouco doce?
Infelizmente, apesar de ir contra as recomendações, muitas papas industriais destinadas a bebés têm açúcar adicionado na sua lista de ingredientes, mas de forma disfarçada.
Como podemos saber se um produto tem ou não açúcar adicionado?
Não, não é olhando para a alegação “sem açúcares adicionados” que tantas vezes aparece na parte da frente da embalagem… Não se deixe enganar pelo marketing e olhe antes para a lista de ingredientes.
Se encontrar algum destes termos, já sabe, a papa será à partida mais doce: açúcar, glicose, frutose, sacarose, lactose, maltose, dextrose, maltodextrina, mel, geleia, melaço, xarope de (…), sumo de (…), concentrado de (…), sumo concentrado de (…), extrato de malte, amido modificado, amido invertido, amido de milho, farinha de trigo hidrolisada, farinha de trigo extensamente hidrolisada…

Então quais as melhores papas?
As melhores papas, de uma forma geral, são não-lácteas (i.e., é necessário preparar com leite materno ou com a fórmula infantil), fortificadas em ferro e vitaminas (se não forem fortificadas em ferro, talvez compense mais fazer uma papa caseira), sem açúcar adicionado (ler bem a lista de ingredientes) e sem sabores (ex.: a fruta, baunilha e/ou bolacha).
De uma forma geral, não recomendo papas lácteas (que se preparam com água) pois a grande maioria que encontramos no mercado (arrisco-me a dizer mais de 90%) têm mais de 20g de açúcar por 100g de papa por terem alguma forma de açúcar adicionado na sua lista de ingredientes (ex.: farinhas extensamente hidrolisadas, maltodextrina).
Ou seja, imaginem que acabaram de descobrir que 25% da papa que estavam a pensar dar ao vosso bebé é açúcar puro, que é proibido até aos 12 meses: ofereciam ainda assim?
Bem sei o inconveniente que pode ser para muitas famílias ter de preparar uma papa não-láctea com leite materno ou fórmula infantil e por isso muitas vezes recebo na página da Crescer com Sabor mensagens de mães a perguntar se podem prepará-la com água. No entanto, a resposta a essa questão só pode ser dada caso a caso, após uma avaliação completa em consulta, caso contrário corremos o risco de comprometer o aporte nutricional do bebé e, consequentemente, o seu desenvolvimento.

Dicas extra:

  • Se consumida diariamente, a farinha de arroz pode contribuir para um aporte excessivo de arsénio inorgânico (potencialmente cancerígeno). Assim sendo, no caso de uma papa multicereais, opte pela que tiver a “farinha de arroz” mais para o fim da lista de ingredientes e não a ofereça todos os dias.
  • Não prove a papa do bebé, pois se um adulto gostar do seu sabor, à partida é mau sinal. É suposto a papa ser muito pouco doce – o que para muitos de nós é considerado “desenxabido”.

Lia Moreira

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