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Face a Face!… com Paulo Nascimento Cabral: “Quando os nossos interesses não estão salvaguardados temos de ‘mover montanhas’ em Bruxelas”

Correio dos Açores – Descreva os dados que o identificam perante os leitores.
Paulo Nascimento Cabral (Conselheiro para os Assuntos dos Açores e Energia na Representação Portuguesa em Bruxelas) – Sou açoriano e europeu. Filho do Jorge e da São, e irmão do Pedro, do Ricardo e do Tiago. Nasci em 1981, na minha doce cidade de Ponta Delgada, onde também cresci, estudei e vivi. Considero-me uma pessoa simpática e empática, nunca deixando de ser frontal e directo. Quero crer que ninguém fica indiferente à minha presença e ideias. Sou focado nos meus objectivos, mas sensível a quem me rodeia. Considero que não existem impossíveis, apenas que requerem mais ou menos trabalho, e constatei que sou capaz de contrariar o ditado popular, ao ter desenvolvido a minha carreira profissional de uma forma bastante eclética e abrangente. Coloco os interesses dos Açores acima de tudo. E tem sido este o princípio que tem norteado grande parte da minha vida de missão à nossa Região.

Fale-nos do seu percurso de vida no campo académico, profissional e social?
Ganhei alguns prémios de melhor aluno durante o meu percurso académico, tendo no ensino secundário, despertado o gosto pela Psicologia. Este interesse, associado à influência da minha professora de então, que imagino tenha percebido em mim algum tipo de vocação para esta área, levou-me, aos 18 anos, a ir estudar Psicologia Clínica na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. No estágio que realizei no conhecido e reputado Hospital Júlio de Matos, reforcei a minha certeza de ter feito uma boa escolha profissional. Regressei aos Açores, pois essa sempre foi a minha intenção, abri o meu consultório de Psicologia Clínica, trabalhei no projecto de intervenção precoce do Centro de Saúde de Ponta Delgada, fui coordenador e director de diversos projectos de intervenção social e comunitária, de diversas valências de instituições sociais, formador em várias escolas profissionais e empresas, entre muitas outras actividades. Depois, rumei a Bruxelas, para o Parlamento Europeu, tendo sido Assessor Parlamentar e Chefe de Gabinete. Voltei a regressar aos Açores em 2019, tendo voltado à minha atividade profissional de Psicologia Clínica. Em 2020, fui desafiado para exercer funções de Chefe de Gabinete do Presidente do Governo dos Açores, função que desempenhei até 2022, altura em que fui novamente desafiado para regressar a Bruxelas, desta vez como Conselheiro para os Assuntos dos Açores e Energia na Representação de Portugal junto das Instituições Europeias (REPER), onde me encontro até hoje. Paralelamente, prossegui os meus estudos com um MBA, uma pós-graduação em Neuropsicologia Clínica, em Gestão da Diversidade e Comunidades de Prática, em Coaching Psicológico e, mais recentemente, um master em Gestão de Programas e Fundos Europeus.
Sempre tive actividade associativa, em diversas entidades, das quais destaco ter sido Presidente do Núcleo Regional da Quercus, numa altura crítica da construção das SCUT. A nível desportivo, representei a selecção de futebol da ilha de São Miguel e dos Açores por diversas vezes. Cheguei ainda a deter, em conjunto com outros sócios, um jornal da ilha de São Miguel.
Tive também o grato gosto e orgulho de ter sido o representante do Governo dos Açores no Programa Blue Azores (projecto que tem como objetivo proteger 30% do mar dos Açores como Áreas Marinhas Protegidas) e na Assembleia Geral do AIR Center. Fui também vogal da direcção do International Association of Coaching Psychology e vogal da Delegação Regional da Ordem dos Psicólogos. Tenho coautoria da edição da obra “Fundos Comunitários Geridos pela Comissão Europeia de Acesso a Consórcios e Cidadãos”, sou sócio honorário do Núcleo de Estudantes de Estudos Euro-Atlânticos da Universidade dos Açores, e tenho um louvor do Governo dos Açores.

Que influencia tiveram os seus pais na sua formação académica?
A influência foi total, mas dando-me sempre a liberdade de escolha. A minha mãe teve um percurso de constante aprendizagem ao longo da vida, tendo iniciado a sua vida profissional como professora primária e a sua última actividade profissional foi como professora universitária, na área da ética e deontologia. Do meu pai, tenho sempre a memória dos jornais, de quando ia com ele para o Correio dos Açores (na altura em que era o seu Director), do cheiro das máquinas, das tintas e do papel. O gosto por ler e estar sempre informado. Do sentido crítico e da questionação constante. Do amor aos Açores. Esta conjugação de exemplos que tive ao longo da minha vida, moldaram-me no que sou e nas minhas escolhas. Estou e estarei sempre muito grato por isto.

Como se define a nível profissional?
Considero que tenho diversas qualidades, defeitos e características pessoais que me têm permitido encarar qualquer desafio profissional de uma forma positiva, responsável, focada e empenhada. Aliás, só assim poderia ser por ter um percurso profissional bastante eclético. Diria que me reconforta saber que, por onde passo, deixo algumas saudades e sempre disse que preferia que se recordassem de mim, não por ser uma pessoa simpática, mas que nada fez, mas sim alguém que alcançou resultados. O ideal foi quando se conseguiu aliar a simpatia aos resultados, mas nem sempre foi possível. Portanto, de forma resumida, defino-me como alguém que encara os desafios profissionais como uma missão, deixando sempre melhor os locais de trabalho ou os resultados, do que como os encontrei.

Quais as suas responsabilidades?
Neste momento, sou o Conselheiro para os Assuntos dos Açores e a Energia, na REPER. Represento os interesses dos Açores e de Portugal como um todo, a nível técnico, no Conselho Europeu. Todas as semanas tenho diversas reuniões com os meus restantes 26 colegas de todos os Estados-membros da União Europeia, bem como com a Comissão Europeia e os respectivos serviços jurídicos, para negociar e melhorar as propostas legislativas emanadas pela Comissão, para ter em conta as nossas especificidades e manter os nossos interesses. Isto implica diversas negociações e alguma pedagogia junto dos meus colegas no Grupo de Trabalho, o que felizmente tem sido possível e os resultados são muito positivos. Quer para os Açores, quer para o país, especialmente nas áreas que acompanho, relembrando que desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia atravessou uma das piores crises energéticas da história, tendo estado presente e com intervenção em diversos regulamentos de emergência, e outras Directivas e Regulamentos que estão e irão moldar o futuro do sector a nível europeu, não só para nos libertarmos da dependência de vectores energéticos da Rússia, como também para a promoção da energia renovável, da eficiência energética e redução das emissões de gases com efeitos de estufa. Têm sido tempos intensos, de muito trabalho, mas muito gratificantes. Recebo também muitos stakeholders, quer da Região, quer de toda a Europa, para me inteirar das suas preocupações e pontos de vista sobre o que foi, está e será decidido a nível europeu. O acesso a esta informação é muito importante para termos o quadro mais geral, para vermos a floresta e não apenas a árvore. Sempre tive este cuidado. Nunca me representei a mim mesmo, mas sim às pessoas a quem sirvo com o meu trabalho, nomeadamente aos Açores e açorianos.

Como descreve o sentido de família?
Dos meus pais, aprendi que a família é o nosso grande pilar. Sempre me foram incutidos estes valores de respeito, ética, honestidade, compromisso, educação, esforço, lealdade e confiança. Sempre fomos muito unidos e os meus pais sempre zelaram por isto. Aprendi também o valor das coisas, que nada é dado por garantido sem nos esforçarmos para as ter. A família é onde encontramos a primeira solução para os nossos problemas, que tem sempre de ser uma prioridade e que a força de uma família é a sua união, em que cada um desempenha o seu papel. Os pais são pais, e os filhos são filhos. Actualmente, o que mais lamento é existir uma certa mistura de papéis, em que pais são mais amigos/as do que pais, e que os filhos tenham perdido este sentido de respeito e uma muito reduzida tolerância à frustração. Têm de ter tudo em todo o tempo. Não há capacidade de lidar com a contrariedade e isto preocupa-me porque tem reflexos ao longo da vida, nos comportamentos futuros da nossa sociedade. Na bolha europeia, o que mais me impressiona é a chegada de cada vez mais jovens que se revelam mais ego centrados, preocupados apenas consigo, sem os princípios básicos de educação e respeito pelo outro, e isto deixa-me apreensivo porque são estas as pessoas que depois acabam por decidir questões muito importantes que podem considerar mínimas, mas que representam grandes impactos nas vidas dos outros e das suas comunidades. Enfim, são os tempos que atravessamos, mas sou um optimista. Ainda acredito nesta humanidade.

Que importância têm os amigos?
A minha experiência de vida que me tem levado a conhecer tantas pessoas e a conhecer tantos sítios, tem também a desvantagem de não criar raízes profundas de amizades. Tenho poucos amigos, mas tenho conhecido muita gente boa em vários sítios. Felizmente, os amigos que tenho, são daqueles que podemos estar semanas ou meses sem nos vermos ou falarmos, mas quando nos encontramos, parece que sempre estivemos juntos. (…)

Para além da profissão que actividades gosta de desenvolver no seu dia-a-dia?
(…) Sempre que posso, gosto de jogar futebol, o que acontece em semanas boas às Terças e Sábados, aulas de francês e alemão, ler, e descobrir novas cidades. Quando nos Açores, gosto de ir para a minha quinta, passar tempo com os meus cães e estar em contacto com a natureza. É um prazer indescritível.

Que sonhos alimentou em criança?
Nunca fui muito de sonhar. (…) Em vez de sonhos, tive comportamentos concretos, que acredito que me fizeram chegar aonde cheguei, numa conjugação alinhada de qualquer coisa.

O que mais o incomoda nos outros?
A falta de humanidade. Incomoda-me muito também quando não são genuínas. Irrita-me ainda a sobranceria. Mas lá está, os outros apenas nos incomodam na mesma proporção que nos deixamos incomodar.

Que características mais admira no sexo oposto?
A resiliência, a amabilidade e dedicação. Penso que têm uma força que nós (pelo menos eu) não temos, talvez porque são “programadas” para serem multitarefas. A amabilidade e dedicação, porque acho que sabem expressar muito melhor os seus sentimentos, carinho e cuidar do outro.

Gosta de ler?
Sim, gosto bastante. (…) Tenho de destacar o livro “Na senda da identidade Açoriana”, do saudoso Professor Carlos Cordeiro, que é uma antologia de textos do Correio dos Açores, em que tem alguns do meu pai, e marcou-me porque me recordo bem de os ver na estante da sua biblioteca e do orgulho que o meu pai tinha nele.

Como se relaciona com as redes sociais?
As redes sociais foram um avanço fantástico da nossa sociedade e permitiu manter o contacto entre pessoas e ter acesso a determinadas coisas que jamais seriam possíveis. Infelizmente, como tudo na vida, devem ser consumidas com moderação e há sempre quem se aproveite de alguma falta de conhecimento que a democratização do seu acesso também traz. E este é o lado menos positivo, que coloco no mesmo nível da redução dos contactos reais, em detrimento dos virtuais. Aliás, bem recentemente, um estudo constatou que uma larga percentagem de jovens preferia os relacionamentos virtuais aos reais e isto é preocupante. Em relação à informação, considero que os órgãos de comunicação social tradicionais, como os jornais, rádios e televisões, são a única fonte credível para que os cidadãos se mantenham informados. Esta informação até pode ser acedida nas redes sociais, mas sempre com esta tutela. Caso contrário, não acreditem. Recorro diariamente às redes sociais e tenho acesso a muita informação, de facto, mas mais no sentido de perceber a reacção social das redes, uma espécie de meta informação, e não tanto de me manter informado. Alerto ainda para as técnicas de deep fake, em que se adulteram imagens, vídeos, sons e vozes, que passam despercebidos a quem estiver menos atento, com o objetivo de manipular a opinião pública ou denegrir. Portanto, as redes sociais devem retomar a razão para que foram criadas – relações sociais virtuais.

Como lida com as novas tecnologias?
Muito bem. Penso eu até falar com os meus sobrinhos, que hoje em dia já me ultrapassam em tudo. Mas integro diariamente as novas tecnologias no que faço, seja em reuniões, pesquisas, elaboração de documentos ou mesmo registos da actividade. Nos tempos que correm, há soluções tecnológicas para todos os sectores de actividade. Encaro-as de uma forma muito positiva, pois poderão melhorar muito a qualidade de vida e o rendimento das empresas e colaboradores.

A inteligência artificial está no centro do debate e pode por em risco o ser humano?
De facto, é uma área que está a ter uma expansão bastante rápida, tendo voltado ao centro do debate com o relativamente recente ChatGPT. Devido a diversos receios quer de auto-aprendizagem das máquinas, quer mesmo pela sua possível má aplicação, a União Europeia tornou-se o primeiro continente a estabelecer regras claras para o uso da Inteligência Artificial, numa abordagem a dois níveis, nomeadamente os requisitos de transparência para todos os modelos de utilização genérica (como o ChatGPT), bem como para modelos com impactos sistémicos na União Europeia. Estes requisitos passam por um maior rigor na utilização da tecnologia de reconhecimento facial, pontuação social, métricas de avaliação de pessoas, sistemas de manipulação do comportamento humano para controlar o seu livre-arbítrio, exploração de pessoas vulneráveis, entre tantas outras novas regras. Penso que o limite será quando a IA deixar de estar ao serviço da humanidade e do seu desenvolvimento, e passar a ser utilizada para dividir, aumentar o poder, ou subvalorizar o papel do ser humano.

Gosta de viajar?
Já gostei mais. Com a idade, o que era inconscientemente engraçado, passou a assustar. E tenho passado alguns sustos. A melhor viagem é quando entro no avião em Bruxelas e sei que dentro de poucas horas estou a aterrar nos Açores.

Quais são os seus gostos gastronómicos? E qual é o seu prato preferido?
Infelizmente não sou muito complicado a este nível. Prefiro salgados a doces. Em relação a pratos preferidos, qualquer comida feita pela minha mãe passa automaticamente a ser.

Que notícia gostaria de encontrar amanhã?
Os Açores atingiram a autossuficiência a todos os níveis.

Se desempenhasse um cargo governativo descreva uma das medidas que tomaria?
Teria de ser um cargo em que tivesse, efectivamente, a possibilidade de fazer a diferença. Se assim fosse, a minha primeira medida seria criar condições para que qualquer açoriano que tenha deixado os Açores pudesse voltar para a sua terra com condições dignas, e que cada jovem que tenha cá estudado ou saído para estudar, pudesse ter a possibilidade de cá continuar ou regressar, com condições atractivas, porque precisamos muito deles. Precisamos do seu conhecimento e da sua experiência. Precisamos dos nossos jovens.
Qual a máxima que o inspira?
A divisa do Brasão de Armas dos Açores: “Antes morrer livres que em paz sujeitos”.

Em que época histórica gostaria de ter vivido?
Não sou de saudosismos. Mas se fosse mesmo obrigado a viver noutra época, recuaria até antes de 2010, o ano em que perdi o meu pai.

Como analisa a situação política?
A análise que faço aos Açores, é a mesma que faço a nível europeu. Há um certo desencanto com a política e com os políticos, o que é uma pena, porque está a afastar os bons quadros das sociedades e deixam a política, salvo raras exceções, para aqueles que acentuam o descrédito. Estar na política e não precisar da mesma para viver, é sem dúvida um enorme acto de coragem e de amor à causa pública. Recentemente, Durão Barroso, numa entrevista, afirmou que “a política é uma função em média mal paga, é devassada a sua intimidade, são atacadas as pessoas, portanto deveríamos estar gratos aqueles que hoje, honestamente, procuram servir o nosso país”. Subscrevo por completo. Julgo que o grande desafio é o da literacia democrática. De dar mais poder ao Povo através da informação, para poderem decidir de forma informada. Importa combater os facilitismos, a crítica pela crítica, sem apresentar alternativas ou medidas. Preocupa-me que não estejamos a medir as consequências negativas que advêm de um voto de protesto, raiva e indignação. O voto deve ser racional e não emocional. Deve ser com base em quem apresenta as melhores ideias para o futuro da nossa Região e não pela negativa ou à espera de contrapartidas. Deixo uma última recomendação: que os partidos políticos não embarquem no concurso de quem dá mais, mas sim, quem fará melhor pela nossa terra.

Os Açores são ingovernáveis sem que um partido tenha maioria absoluta?
Estou inserido numa realidade em que há eleições constantes à minha volta, nos diversos Estados-membros. A própria Bélgica esteve dois anos sem Governo. A Holanda atravessa muitas dificuldades há meses para formar Governo. As maiorias absolutas são cada vez mais excepções, mas a democracia expressa-se através da vontade do Povo, que é soberana. Não vejo que seja ingovernável, mas considero que seria muito importante que os partidos regionais, à semelhança do que foi afirmado pelo PSD a nível nacional, esclarecessem o que prevêem fazer caso não tenham maioria absoluta. Não obstante, considero que quem ganhar, possa ganhar com uma vitória clara e robusta, ou que consiga estabelecer um entendimento com o segundo partido mais votado, para que se garantam condições para formar uma solução estável. Mas se assim não for, teremos de voltar a dar a palavra ao Povo. E não há drama nenhum.

Em sua opinião, os eleitores vão penalizar quem nas próximas eleições legislativas regionais antecipadas?
Pelo que tenho constatado, os açorianos não percebem porque é que serão chamados a votar antecipadamente a apenas 7 meses do prazo normal. Não conseguem compreender a razão de se ter feito cair este Governo que, em muitas áreas, tem apresentado muito bons resultados. Também não se assistia a contestação nas ruas. Portanto, julgo que irão penalizar mais quem provocou esta situação, que originou o que alguém já chamou de “coligação negativa” que juntou partidos que ninguém esperaria que pudessem estar lado a lado.

Está, actualmente, na Representação Portuguesa em Bruxelas…
Sou Conselheiro na Representação Permanente de Portugal junto das Instituições Europeias, com estatuto equiparado a diplomata. E tenho de reconhecer que tenho tido muito apoio na defesa dos interesses dos Açores, quer de colegas, diplomatas e mesmo dos Embaixadores. Diariamente, falamos das Regiões Ultraperiféricas e sou muitas vezes também informado pelos meus colegas de outras áreas sectoriais, a questionar se o assunto que estão a tratar terá impacto ou não nos Açores, se importa salvaguardar algum ponto. Não pretendo ser exaustivo, mas a lista de temas é extensa. Talvez a mais visível tenha sido a grande vitória em relação ao corte na quota do goraz, em que a Comissão tinha proposto um corte de 20%, uma vez que não tinha dados científicos, e conseguimos, de forma inédita, reverter esta situação, que iria causar um impacto de mais de dois milhões de euros. A questão das emissões de carbono, as derrogações na área da energia ou do ambiente, a defesa do respeito pelo artigo 349º do Tratado de Funcionamento da União Europeia, as oportunidades de financiamento…

De que forma tem colaborado com o Gabinete dos Açores em Bruxelas?
A minha actividade de defesa dos interesses dos Açores obriga-me a estar em contacto constante com todos os actores que estejam a defender os Açores em Bruxelas, sejam os meus colegas de trabalho, o Gabinete dos Açores, com a Comissão Europeia ou mesmo com os açorianos que estão no Parlamento Europeu como assessores parlamentares. Por diversas vezes, quando os nossos interesses não estão salvaguardados, temos de “mover montanhas” para resolver estes problemas. Temos desenvolvido reuniões regulares com os açorianos em Bruxelas, para irmos acompanhando o que está a ser feito nas diversas instituições e antecipar problemas e soluções. Posso dar o exemplo das licenças das emissões de carbono, em que a Comissão não acautelou os nossos interesses, e tivemos de envolver os açorianos que estão no Parlamento Europeu para um processo negocial intenso para que as nossas especificidades fossem salvaguardadas. (…)

Ficou provada a necessidade de os Açores terem deputados ao Parlamento Europeu. O ideal seria a Região ser um círculo eleitoral próprio…
Sim, concordo. Já apresentei esta proposta por diversas vezes. Os Açores deveriam ter um círculo eleitoral próprio e não seria nada estranho. O ideal seria eleger dois deputados por cada Região Autónoma, num total de 21 eurodeputados por Portugal. Admitia ainda a eleição de um deputado, sendo o segundo deputado atribuído à região com uma menor taxa de abstenção. Repare-se que o Luxemburgo elege um eurodeputado a cada 110 mil habitantes, Malta a cada 90 mil habitantes. Porque razão os Açores, como uma Região Ultraperiférica, com os seus 236 mil habitantes, têm de depender da boa vontade dos partidos nacionais para eleger um deputado? Em relação às próximas eleições, estimo que os principais partidos possam eleger, desde logo porque o PSD inaugurou há 5 anos um novo método rotativo (que considerei inadmissível) entre os Açores e a Madeira. Como em 2019 foi a Madeira, nas próximas terão de ser os Açores a eleger. E acreditem: um representante dos Açores no Parlamento Europeu faz mesmo muita falta. No PS, esta questão pode estar dependente das próximas eleições regionais. Mas acredito que também consigam eleger.

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João Paz

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