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Final da Taça de Honra foi a festa do futebol

A partida que opôs no passado domingo o Operário ao Santa Clara B foi uma festa do futebol. O jogo era apelativo. Duas das melhores equipas do futebol micaelense no âmbito regional. Um tira teimas depois do 0-0 de 1 de Outubro, durante a primeira fase no grupo B.
O facto de o Santa Clara voltar às provas de ilha com uma formação secundária 12 anos volvidos, agora maioritariamente composta por jogadores de fora dos Açores, tem despertado a curiosidade dos adeptos do futebol. Este ingrediente, associado à qualidade do Operário, fez com que o campo João Gualberto Arruda reuniu-se 620 espectadores, uma das maiores assistências dos últimos anos em provas locais (a foto é elucidativa). Muitos adeptos do clube da Lagoa e um grupo de simpatizantes do Santa Clara diferenciado do que assiste aos jogos da equipa principal.
O jogo da final de uma taça que honra um dos grandes homens do nosso futebol, João de Brito Zeferino, foi electrizante com as mutações no marcador. Sete golos, boas jogadas, muita competitividade.
O Operário reagiu do 0-2 para o 3-2, mas o Santa Clara B empatou ainda com 11 para cada lado. O 4-3 final aconteceu quando dispunha de 10 jogadores e o Operário de 9, apesar de na parte final do prolongamento ter ficado com 8 elementos em campo. Duas das quatro expulsões foram por dupla advertência; a do Santa Clara, com vermelho directo, por impedimento do opositor continuar isolado. Somente a de Mamadu Candé aconteceu por troca de palavras com o treinador do Santa Clara B, Nuno Pimentel. Mesmo na expulsão do treinador do Operário, Bruno Vieira, o árbitro Diogo Botelho esteve bem.
Aliás, a arbitragem de Diogo Botelho foi bem conduzida, criteriosa, com acerto no âmbito disciplinar e na grande maioria dos lances no capítulo técnico. Sereno quando a pressão aumentou por parte dos atletas. Bem auxiliado pelos árbitros assistentes e pelo quarto árbitro. Um bom valor que a arbitragem açoriana tanto necessita.
PARTICIPAÇÃO LEGAL: A presença do Santa Clara com uma equipa profissionalizada nas provas de ilha não é consensual, principalmente oriunda dos adversários do campeonato. São apostas que projectam outros horizontes e que cumprindo o que está estipulado na utilização do número de jogadores nada está errado. É legal. Qualquer clube, se tiver capacidade, por seguir o mesmo rumo.
O Vitória de Guimarães joga com uma equipa B no Campeonato de Portugal (CdP) com atletas profissionais contra equipas com plantéis amadores ou semi amadores e quer o Sporting, quer o Benfica, quer o Braga já competiram no CdP nas mesmas circunstâncias. No Campeonato dos Açores há e houve equipas profissionais que jogam e defrontaram formações com atletas que trabalham de dia e treinam à noite. Na Taça de Portugal idem. As “armas” são diferentes? São, com certeza. Mas não há irregularidades nem impedimentos.
Os atletas que defrontam os do Santa Clara deveriam retirar ilações, mormente na preparação física que é reduzida, na necessidade de treinarem com mais intensidade e regularidade e serem competitivos. Já houve jogos, principalmente com os adversários melhor preparados, onde os, do Santa Clara sentiram dificuldades. Excepção de três resultados muito desnivelados, os restantes demonstraram equipas com estratégias definidas e cumpridoras quando enfrentam adversários com melhores argumentos colectivos e individuais. Como o jogo nas Furnas com o Vale Formoso, a contar para o campeonato.
Dos 13 jogos que o Santa Clara B já realizou nas provas locais, teve 8 expulsões, 6 das quais com vermelhos directos. É sinónimo de quê? Da forma intempestiva como respondem à agressividade dos opositores? Não tenho assistido aos jogos para poder ter uma resposta efectiva de qual a causa principal para tantas expulsões.
TERMINOU QUASE ÀS ESCURAS: Admite-se que o palco da final fosse o campo da cidade da Lagoa, onde as duas equipas treinam e jogam. A do Santa Clara através de um contrato com a edilidade da Lagoa, onde paga, pelo que já li, 5 mil euros mensais. Um valor nunca desmentido por nenhuma das partes.
Sabendo-se que a iluminação do campo é má, das piores da ilha, o início do jogo às 17h00 não foi a melhor escolha. Com a possibilidade de prolongamento, que aconteceu, houve dificuldades em ver as zonas mais escuras do recinto.
A má iluminação dos campos é transversal. São poucos os que têm uma iluminação condizente.
Sem possibilidades de o “Jácome Correia” melhorar a iluminação como estava pré definido, porque a utilização de um dos postes invadia uma das casas a nascente, a solução foi alterar para lâmpadas LED com mais potência.
Resta ver em que grau se verifica a melhoria.
SEGUNDA VITÓRIA: A última vez que o CD Santa Clara venceu a Taça de Honra foi em 1989/90, derrotando na final curiosamente o Operário. Com o afastamento das equipas dos campeonatos nacionais desta prova inaugural das épocas desportivas, a participação do clube de Ponta Delgada tem sido através da equipa B. Na época em que apresentou uma conjunto secundário, ganhou a Taça de Honra a 13 de Novembro de 2011, batendo na final (1-0) o Vale Formoso. Agora foi com uma equipa ligada à SAD que ergueu o troféu. 4-3 ao Operário.

José Silva

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