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“Os maiores benefícios da actividade turística precisam de ficar nas mãos das comunidades locais”,afirma Daniela Fantoni Alvares

O Blog Azores Tourism Connections, o Núcleo de Estudantes em Turismo da Universidade dos Açores (NETUA) e a Faculdade de Economia e Gestão (FEG) promoveram o evento “Estratégias do Turismo dos Açores 2030”, na Universidade dos Açores, na passada Segunda-feira. O evento teve como foco a divulgação das acções do poder público para o turismo nos Açores. Daniela Fantoni Alvares, Directora da licenciatura em Turismo, salientou a importância do evento na aproximação da comunidade académica ao sector público. Sublinhou, ainda, que a reflexão crítica e o debate possibilitaram a análise sobre caminhos a seguir, com especial ênfase para a necessidade de definição de instrumentos de planeamento e gestão, para além do PEMTA.

Correio dos Açores – Pode fazer um resumo das intervenções do Debate sobre Estratégias do Turismo dos Açores 2030, que se realizou na UAc?
Daniela Fantoni Alvares (Directora da licenciatura em Turismo na Universidade dos Açores) – O evento “Estratégias do Turismo nos Açores 2030” teve como principais resultados a discussão aprofundada sobre questões emergentes para o turismo na região. Ressalta-se a participação da Directora Regional do Turismo, Doutora Rosa Costa, que integrou as mesas de abertura e de debate.
Na mesa principal, houve três palestras que possibilitaram à audiência conhecer o trabalho que tem sido desenvolvido pela gestão pública regional. A primeira palestra “Açores no rumo da sustentabilidade”, proferida pela Coordenadora do Açores DMO (Destination Management Organisation), Carolina Mendonça foi iniciada com uma reflexão de como o turismo pode ser uma força motriz para o desenvolvimento da região. Uma das questões reforçadas pela palestrante é que a sustentabilidade é um processo contínuo. Foi ainda falado sobre a relevância dos Green Teams, um de cada uma das nove ilhas, e a sua importância para o desenvolvimento sustentável.
Na segunda palestra, “Estruturação e valorização do produto turismo de natureza”, Paulo Garcia, vogal do Açores DMO, falou sobre a “Rede Regional de Percursos Pedestres” e alguns constrangimentos, entre estes, a dificuldade de definição de responsabilidades das entidades governamentais pelos trilhos e a sua manutenção. Realmente, é um problema complexo, uma vez que envolve diversas instâncias governamentais e diversos quilómetros de trilhos pelas ilhas.
Na terceira palestra, José Toste, vogal do Açores DMO, apresentou as linhas mestras do Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores – Horizonte 2030 (PEMTA). A visão estabelecida no PEMTA deve ser o mote principal a ser seguido, nomeadamente “em 2030, os Açores lideram o panorama internacional como um destino de natureza sustentável, exclusivo, com um património cultural singular, onde o turismo contribui positivamente para o desenvolvimento económico e social, garantindo a satisfação dos residentes, empresas e turistas”.

Em sua opinião, que conclusões resultaram do evento?
O evento “Estratégias do Turismo dos Açores 2030” contribuiu para uma maior aproximação da comunidade académica ao sector público. Este tipo de acção é importante, pois possibilita aos estudantes o contacto com esse tipo de iniciativa e pode até despertar o desejo de vir actuar como gestores públicos. A reflexão crítica e o debate possibilitaram a análise sobre caminhos a seguir, com especial ênfase para a necessidade de definição de instrumentos de planeamento e gestão, para além do PEMTA.

Qual é o turismo que se deve pretender para os Açores de 2030?
O turismo que se pretende para os Açores é aquele que promova o desenvolvimento e seja benéfico para a sua população. O grande foco é um turismo de qualidade! Um turista com comportamento sustentável, que possui uma relação harmoniosa com os residentes e uma relação respeitosa com o ambiente natural e cultural. Que seja um agente que contribua para um turismo regenerativo, com potencial de contribuir para melhorias na Região. Além disso, uma actividade turística que se desenvolva em todas as ilhas, potencializando a vocação e as singularidades de cada uma.

Como Diretora da licenciatura em Turismo, qual é o papel que desempenha no debate e no desenvolvimento de estratégias para o turismo na Região?
Os jovens estudantes são os nossos futuros gestores públicos e privados, que terão grande impacto sobre as estratégias a desenvolver em prol do turismo sustentável. Desta forma, a educação tem um papel fundamental neste processo. A formação de recursos humanos qualificados, para integrar o mercado de trabalho, vai muito além da formação técnica. Um turismo de qualidade passa pela hospitalidade e também pelo desenvolvimento de novos produtos, e aqui entram os elementos: criatividade e inovação.

Como a universidade, através da licenciatura em Turismo, contribui para o desenvolvimento e análise dessas estratégias?
A Universidade tem um papel na formação e desenvolvimento do senso crítico. Contribuímos para a formação de cidadãos, que terão papel relevante na nossa sociedade. Desta forma, para além de aulas e visitas de estudo, promovemos eventos como este, que possibilitam a reflexão crítica sobre as estratégias delineadas.
Além disso, destaca-se o Blog Azores Tourism Connections, que é um espaço que propõe a aproximação do mercado de trabalho, a troca de experiências com especialistas e a análise crítica da teoria e prática do turismo. Importante destacar que o Blog é uma iniciativa que surgiu na FEG e tem despertado o interesse de diversos públicos. Há entrevistas com empresários e especialistas em turismo, palestras e textos de opinião. Em breve, o evento “Estratégias do Turismo dos Açores 2030” será editado e estará disponível no Blog.

Qual é a importância que as comunidades locais devem desempenhar no crescimento do turismo nos Açores?
As comunidades locais são actores sociais fundamentais para o adequado desenvolvimento do turismo. Há uma máxima no turismo que é “a cidade só é boa para o turista, se antes for para o residente”. A população local precisa, sempre, ser escutada nos processos de planeamento e desenvolvimento do turismo, e que os contributos dados sejam considerados pelo poder público, lembrando que os maiores benefícios da actividade precisam de ficar nas mãos das comunidades.

Carlota Pimentel
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