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Queijaria Furnense aposta em viagens com funcionários para valorizar mão-de-obra e enriquecer as suas competências

A Queijaria Furnense, na Rua do Caminho Novo, com os seus queijos do vale feitos com a água azeda das Furnas, é já conhecida com boa fama por todos os açorianos. Trata-se de um negócio da família Rego, que surgiu em 2016, quando o fim das quotas leiteiras afectou fortemente a produção de leite do pai de Paula Rego, jovem empreendedora e proprietária da Queijaria Furnense.
Quase oito anos após a sua abertura, conta agora com 16 colaboradores, sendo que a empresa tem feito agora uma aposta em viagens anuais com os seus funcionários. No ano passado, foram ao Porto e este ano o destino será a Madeira.
Paula Rego explica ao nosso jornal que o objectivo passa, por um lado, por valorizar a mão-de-obra, que escasseia na área da restauração: “Acho que faz todo o sentido levar os funcionários a viajar. Nós, como proprietários, começamos a perceber que as pessoas que trabalham nesta área estão cada vez mais a desistir, e temos de aproveitar aqueles que temos. Costumamos dizer que ninguém sobrevive com o ordenado mínimo, actualmente. Trabalhei na lavoura e sei o que é não gozar feriados e fins-de-semana, e aqui na restauração também não há feriados nem fins-de-semana.”
“Por isso, há que dar valor a quem trabalha com a gente. Eles merecem. Têm os seus bónus, mas não há nada como fazer uma viagem em equipa. Dá valor e é sempre um entusiasmo para eles. Chegam estas alturas e os funcionários já sabem que vão ter aquela viagem. Dá um ânimo diferente ao funcionário,” segundo a jovem empreendedora furnense.
“Fazemos isso não só para sairmos todos juntos, e a família também – porque a família está sempre incluída aqui – mas também para unirmos mais a equipa e dar lhe um outro valor.”
Outro objectivo e benefício destas viagens, explica Paula, é enriquecer o conhecimento e o trabalho dos funcionários: “O objectivo também é que eles vejam outras culturas e como é que os funcionários trabalham nesses lugares. Vão passear, mas também vêem como as coisas funcionam. Vamos a vários tipos de restaurantes, mais ligados ao que queremos fazer aqui, para os funcionários também terem uma noção do que é e do que não é.
Acho que faz todo o sentido conhecerem outras culturas e verem outros exemplos, para depois também aplicarmos aqui, mas acima de tudo, é um reconhecimento que lhes queremos dar e eles merecem.”
Para o futuro, a intenção é continuar a realizar estas experiências anualmente: “O nosso objectivo, se depender de nós, todos os anos a queijaria faz questão de levar os seus colaboradores para fora. Actualmente temos 16 pessoas a colaborar, incluindo a família. Quinze vão para a viagem,” conta a proprietária.
Por este motivo, a queijaria estará encerrada na próxima semana, de 22 a 26 de Janeiro.

Obras de ampliaçãoespaço estarão concluídas e haverá uma aposta nas tábuas de carne Angus

Numa anterior reportagem do Correio dos Açores, em 22 de Agosto do ano passado, Paula Rego revelou que a Queijaria Furnense ia reforçar aposta na restauração com uma nova cozinha, novos pratos e mais lugares para os clientes.
“Em princípio vamos abrir a nova cozinha em Abril,” revela agora a jovem. O espaço conta actualmente com pastelaria, bombons e refeições ligeiras como sandes, asinhas de frango e tábuas de queijo e enchidos. Uma nova cozinha vai permitir agora trabalhar várias peças de carne da raça angus, como os t-bone, as fraldinhas, a vazia ou o lombo, conta a dona: “No mesmo local, fizemos obras e uma cozinha nova com o dobro do tamanho. A cozinha actual vai passar a ser armazém.”
A consciência do potencial e procura pelos pratos de carne surgiu, em certa parte, de uma sandes de carne Angus especial feita na Queijaria, lembra Paula: “A nossa sandes de carne Angus é feita com carnes nobres, ou seja, com a costela da vaca. Assamos a carne e a carne que fica a assar durante duas horas. É algo diferente que ninguém tem, uma carne feita desta forma. Esta sandes tem tido muito sucesso aqui. A partir desta sandes começamos a aperceber que as pessoas também queriam outro tipo de peças de carne. A carne é 100% nossa. É uma das coisas que vamos garantir ao cliente. Acho que faz todo o sentido e a diferença também é essa: é 100% carne nossa.” No entanto, Paula explica que caso a produção falhe, a Queijaria vai recorrer a outro produtor certificado de carne Angus, Noel Vieira.
O pai de Paula Rego conta agora com uma exploração de 100 animais de criação de carne, e nova aposta já está a ser preparada há quase dois anos. A produção segue padrões de bem-estar animal. “Às vezes, há pequenos pormenores que faz toda a diferença no bem-estar animal,” explica Paula Rego: “São pequenos truques que fazem totalmente a diferença, são pequenas coisas. É nisso que estamos a apostar muito, visto que vamos trabalhar essa própria carne. Acabamos por ter a cadeia total de tudo. Já nos queijos era igual: produzíamos o leite para fazer o queijo. Sabemos qual é a vaca que tem mais gordura, ou a que tem mais proteína.”
Com a ampliação do espaço, a capacidade de lugares passa dos 40, para cerca de 70. Apesar de serem adicionados novos pratos, tudo o resto permanece igual, ressalta a empreendedora. Na Queijaria Furnense, podem também ser encontrados os seus famosos queijos: o amanteigado, meia-cura, de orégãos, de alho, o tomilho-limão e o curado.

Reduziram produção do leite por preço já não se justificar

Antes com cerca de 120 vacas leiteiras e 3.000 e 3.500 litros produzidos por dia, a exploração da família Rego diminuiu a sua produção e número de animais. “Continuamos a ter, mas reduzimos muito. Actualmente temos 90 vacas de leite. É uma novidade. Estamos a transformar 2.500 a 3.000 litros de leite diários. O preço do leite já não se estava a justificar. Antes, produzíamos entre 3.000 e 3.500 litros por dia, na nossa exploração. As matérias-primas não estavam baratas, e o meu pai decidiu diminuir um pouco a produção de leite, e agora aqui a nossa queijaria está transformar com todo o leite que produzimos,” expõe Paula Rego.
“Temos uma mais-valia em fazer o nosso próprio produto e então decidimos avançar nesta aventura um pouco diferente. Teve de ser. Transformar esta matéria-prima em produto dá-nos uma mais-valia de quase 99%.”
Mariana Rovoredo

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