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“Um quadro é como uma projecção rápida daquilo que sentimos no lugar”, afirma a pintora Ana Paula Moura

Depois de ter vivido na cidade invicta durante quase toda a sua vida, Ana Paula Moura decidiu mudar-se para os Açores, mais concretamente para a ilha de São Miguel. Inspirada pela natureza, afirma que encontrou na maior ilha do arquipélago a inspiração de que necessita para os seus quadros. Ao Correio dos Açores, revela o que mais a fascina na ilha verde e deixa um apelo: “que a natureza prevaleça o mais virgem possível.”

Correio dos Açores – A sua área de formação é auditoria de empresas. O que a levou a mudar de área?
Ana Paula Moura – Desde muito nova que sou apreciadora da natureza, porque acredito que a natureza nos eleva o espírito.
Comecei por pintar aquilo que gosto, mas entretanto a minha vida mudou: reformei-me. Vinha passar férias aos Açores, ao ‘Terra Nostra’, e comecei a adorar estas paisagens. Na minha opinião, a ilha de São Miguel tem uma característica divina. É mesmo algo maravilhoso. Parece que as paisagens falam connosco, de amor e de alegria.
Pintar estas paisagens é um privilégio. Quando estou a pintar parece que saio desde mundo e entro no outro. É como se estivesse sempre a projectar e a receber amor. Recebo muito amor nesta ilha. Acho que devemos aproveitar tudo aquilo que é bom e distribui-lo para o mundo, para que o universo sinta o que é realmente belo, que existe mais além das guerras e do consumismo. Mesmo para as gerações mais novas, que por vezes passam à beira de tanta beleza e acham que é normal, mas não é. Esta ilha não é muito normal, pois em todos os seus cantinhos brota beleza natural e isto inspira-me. Realmente, sempre gostei de pintura mas agora sinto-me inspirada.

Chegou a exercer outra profissão enquanto pintava?
Eu era inspectora de finanças e tinha como passatempo a pintura e também a filosofia. Era uma maneira que eu tinha de passar para as empresas onde ia a minha maneira de sentir e ver o mundo.

Quando é que começou a pintar como passatempo?
Comecei muito nova. Primeiro, principiei por escrever poesia e depois passei para a pintura. Tenho alguns quadros feitos em 2008 e comecei mesmo a sério em 2012. Vim para São Miguel porque a minha filha trabalha cá. Passo o meu tempo entre o Porto e São Miguel, embora passe a maioria do meu tempo na ilha.

O que mais a fascina? É a beleza natural de São Miguel?
Sim. Quando tenho amigos que me vêm visitar, levo-os a passear para eles sentirem a ilha, porque isto é algo que se sente. São Miguel tem uma natureza em estado puro, que não foi tocada pela civilização. Por exemplo, quando vamos fazer um trilho e andamos pelo meio das árvores, e deparamo-nos com uma queda de água é um espectáculo maravilhoso. Para os habitantes de São Miguel é algo quase normal mas inspira quem vem de fora. Aliás, os Açores são uma referência no que toca a paisagens. Acho que são uma mais-valia para o mundo.

A sua principal fonte de inspiração é a natureza?
É a natureza e aquilo que ela inspira na humanidade. A natureza é uma fonte de inspiração, de saúde e de alegria. Quando contactamos com a natureza é isso que sentimos. Um quadro é como uma projecção rápida daquilo que sentimos no lugar. E ele pode-nos curar, pode trazer-nos aquele bem-estar. As cores da ilha de São Miguel são lindas. Os verdes, os azuis e o amarelo. Tudo isto me encanta. É uma fonte de inspiração.

Está a expor os seus trabalhos no centro comercial Parque Atlântico. Além desta, que outras exposições já realizou?
Já fiz uma no Brasil. Conheço uma senhora que é curadora e é apreciadora da minha arte. Ela organizou-me uma exposição em Lisboa e depois levou alguns quadros meus até ao Brasil. Ela também faz agendas internacionais e incluiu-me no lote de artistas com as minhas pinturas de São Miguel. Fiquei muito contente.
Depois, fiz uma exposição em Penalva do Castelo, outra em Lisboa e tive alguns quadros expostos na Junta de Freguesia de São José.
Esta exposição no Parque Atlântico está tão bonita que considero que é uma bênção mesmo. Agradeço muito a oportunidade que o Parque Atlântico me deu de expor os meus quadros. Encontram-se concentrados naquele espaço que quando olho, vejo o meu trabalho e o meu amor. Parece que o meu amor se espalha pela ilha toda. Sou muito mística, mas isso é algo que já vem das pessoas que vivem da arte. Acredito muito em Deus e acredito que Ele quer que passe esta mensagem de amor, para que o mundo se inspire na natureza.

Tem alguma exposição que seja a sua preferida ou todas tocam-lhe de maneira diferente?
Em todas as exposições, senti muito o amor das pessoas por causa dos quadros e isto tocou-me sempre, umas de uma maneira, outras de outra. Mas nesta, o que sinto é que está mais concentrada. Talvez pela forma como está exposto, com mais projecção e mais luz, sinto que tem mais pessoas a aderir e que gostam, embora não tenha vendido quadros. Gostava de vender algumas pinturas para poder fazer mais. Tenho vendido alguns quadros, mas sempre fora de São Miguel. Acho que as pessoas que os adquirem levam um pedacinho da ilha, desta maravilha.

O tema das suas exposições vai variando?
Normalmente, tanto nas exposições que fiz em São Miguel, como naquelas que fiz fora da ilha, o tema é quase sempre o mesmo: as paisagens de São Miguel.
Também já fiz quadros com outros temas, sem ter a natureza como foco principal. Faço alguns temas em abstracto, embora prefira ver do que fazer pintura abstracta. O que mais gosto é mesmo de projectar a natureza. Ela é tão linda que não dá para fazer abstracto dela. A natureza é algo superior a nós. Não há grande espaço para fazer um risco ou uma sombra e ver a natureza lá. Esta é apenas a minha perspectiva. Gosto de ver o pormenor das folhas, da água, da tonalidade. Gosto de ver como se estivesse no local. Realmente, cada exposição é diferente. Estas exposições em São Miguel foram especiais. Sinto que estou no sítio certo.
Queria alertar às pessoas de São Miguel que dêem valor ao que têm, porque é mesmo um paraíso e que não deixem que se estrague. Há muitos paraísos que se estragam com turismo a mais, turismo descontrolado. E realmente o meu apelo é este: que a natureza prevaleça o mais virgem possível, pelo menos em certos recantos.

Tem planeada alguma exposição futura?
Já fui contactada para expor uns quadros na festa das Camélias, nas Furnas. Além disso, fui contactada para fazer outros projectos, mas o meu projecto maior é continuar a pintar e mostrar a minha arte.

Frederico Figueiredo

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