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Homenagem de irmão a irmão esteve na origem de novo guia turístico com52 actividades que se podem fazer no Faial

No livro de bolso/guia turístico “Faial 52 – Guia com 52 actividades para descobrir o Faial” são propostas exactamente 52 actividades, destinadas para cada fim-de-semana do ano e que dão a conhecer o legado ambiental, histórico e cultural do Faial, através de actividades marítimas e terrestres, realização de trilhos, visita a museus, jardins e lugares históricos, entre muitos outros (30 actividades em área ambiental e 22 na área da História, Cultura e Tradições). Foi lançado a 20 de Janeiro, no auditório da Biblioteca Pública da Horta.
O título, com edição bilingue, foi editado pelo Núcleo Cultural da Horta e as receitas de venda no lançamento reverteram para o Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A história que levou à publicação deste guia vem de há muitos anos, e tem na sua origem uma homenagem a um irmão que faleceu precocemente e que deixou saudades na sua família, amigos e todos os que o conheciam.
Os artigos que compõem o livro “Faial 52” foram publicados semanalmente, no jornal faialense Tribuna das Ilhas durante 2022, num projecto de João Melo, que pretendia homenagear o irmão, Marco Melo, amante do mar e do Faial, que faleceu cedo, aos 37 anos.
João Melo recorda as boas memórias e a sua relação com o irmão: “Ele era o meu irmão mais velho. Era aquele irmão que estaria sempre a substituir o meu pai quando ele não estava, sempre a repreender-me e chamar-me à atenção. Era uma pessoa muito responsável. A ideia que tenho dele, perante a minha pessoa, é que era extremamente responsável e exigente comigo, no dia-a-dia. Obviamente eu era uma criança que estava sempre atrás dele, porque era um miúdo que queria ser igual ao irmão mais velho e ele andava, de certa forma, a tentar fugir de mim. Ele tratava de mim quando como um segundo pai, na ausência deste. Fizemos pesca submarina juntos, mergulhamos, fazíamos actividades em comum e em conjunto.”
João Melo lembra: “A história começou por volta de 2015/2016, altura em que se faria 10 anos sobre o seu falecimento. Pensei em fazer-lhe uma homenagem, mas na altura o tempo era pouco e a coragem também e optei por não a fazer. Em 2021, tomei a coragem necessária, pôs mãos à obra e desafiei o professor Costa Pereira a efectuar este projecto através do jornal Tribuna das Ilhas.
O projecto “Faial 52” arrancou em Dezembro de 2021, numa nova rubrica no semanário, com um artigo que apresentava o projecto pela primeira vez. A primeira actividade foi publicada a sete de Janeiro de 2022 e propunha uma visita ao Jardim Botânico do Faial e Orquidário dos Açores. Já no número seguinte, o “Faial 52” sugeria a realização do trilho pedestre “Entre os montes.”
“Em 2022 começou o processo e a ideia era fazer uma homenagem ao Marco, que faria 52 anos nesse ano. A ideia era fazer 52 actividades ao longo do ano, nos fins-de-semana. Em parceria com o Tribuna das Ilhas começou a desenhar-se este projecto”, explica João Melo, engenheiro florestal de formação.
Este projeto reuniu textos de 28 especialistas e 32 fotógrafos, que permitiram uma publicação semanal de um texto descritivo da actividade, com informações práticas (época do ano, idade mínima, limite de participante, equipamento, empresas que prestam esse serviço, preços e duração). João Melo clarifica que “normalmente, quando era um assunto que eu não dominava, ou que outra pessoa dominava melhor que eu, pedia a um especialista para escrever sobre aquele assunto. Pela minha formação profissional, obviamente que o ambiente foi um dos principais alvos de escrita, mas também temos imensos artigos sobre história e tradição,” acrescentando que fez questão de fazer todas as actividades que propunha aos seus leitores. “Descobri coisas muito interessantes e aprendi imenso sobre o Faial e sobre a nossa história.
Assim, até 22 de Dezembro de 2022, João Melo desafiou os leitores a realizar determinadas actividades e mostrava que o Faial era uma ilha com grande potencial e com muito para fazer e ver. O projecto viria a comprovar o que Marco Melo defendia: que no Faial há tanta coisa para fazer que não era preciso sair da ilha.
“A ideia também foi esta: desafiar as pessoas a saber que no Faial há, de facto, muita coisa para fazer. O que as pessoas têm é de sair de casa e procurar actividades para realizar.
O coordenador do “Faial 52” ressalta que actividades poderão também ser “uma forma de combater a sazonalidade, e gerar alguma economia com a população local. Era algo que gostava que aconteça, que o faialense, ou quem quer que seja, vá às baleias, que faça canyoning, e todas as actividades propostas pelas empresas, mergulho, passeios à vela, trilhos acompanhados, visitem os museus. Ou seja, que as pessoas também colaborem para uma economia local.”
O sucesso desta rubrica do jornal levou à realização e lançamento do guia “Faial 52 – Guia com 52 actividades para descobrir o Faial,” como explica o seu autor e coordenador: “Teve uma adesão muito interessante e as pessoas gostaram muito. Rapidamente fui desafiado pelo Núcleo Cultural da Horta para passar a guia. Na altura o que foi discutido é que se passasse a guia, era necessário ser um livro de bolso e bilingue. O livro foi lançado a 20 de Janeiro, que seria o aniversário de nascimento do Marco, que faria agora 54 anos.”
O lançamento teve casa cheia e contou com um momento musical onde foi interpretada uma música dedicada a Marco Melo, uma pessoa muito activa, que viveu intensamente. Actualmente, o livro pode ser comprado e encomendado no site e página do Núcleo Cultural da Horta e na papelaria O Telégrapho. Tem um custo de 10 euros.
No fim de um ano de publicações semanais, o lançamento deste livro significa “o culminar de um projecto de alguns anos,” para João Melo: “A minha vida, durante um ano, foi preenchida pelo desafio de escrever semanalmente, o que não é nada fácil, e que depois passou a livro. É uma satisfação enorme e um orgulho. Traz-me primeiro um sentimento de saudades do Marco, é óbvio, e depois a saudade da adrenalina de escrever.”
“No final dá aquele sentimento de trabalho finalizado e uma satisfação geral por ter cumprido um objectivo, que era não só mostrar que há muitas actividades numa ilha pequena, mas também homenagear o meu irmão e lembrar que ele foi uma pessoa feliz, enquanto viveu. Recordar as pessoas que ele foi um bom homem e que foi feliz para mim e para a minha família é muito importante,” sente João Melo, que em jovem não largava o seu irmão mais velho, que para ele era um exemplo e figura paterna.

Marco Melo era feliz e viveu “intensamente”

As grandes paixões de Marco Melo eram a família o mar e o Faial. Deitava-se tarde e o seu dia perfeito consistia em acordar cedo, ir ao mar no seu barco, passear o seu cão Max, e, no final do dia, fazer um grelhado com os amigos.
É assim que João Melo lembra o seu irmão: “O Marco era uma pessoa que amava o Faial, por isso é que a homenagem tem o pendor da ilha do Faial. Gostava muito do mar, ou seja, a sua grande paixão seria o mar.
Era uma pessoa que dizia e achava que para ser feliz não precisava de sair do Faial e que na ilha havia tudo o que precisava: o seu mar, a sua família, o seu barco. Ele adorava a pesca, todos os desportos que estivessem relacionados com o mar, como o surf, o windsurf, pesca submarina, mergulho. Era uma paixão dele.
Foi uma pessoa muito feliz que viveu intensamente durante os seus 37 anos. Curiosamente era uma pessoa que dormia muito pouco. Era super activo. Parecia que sabia que tinha pouco tempo para viver.”
Marco Melo, nascido em Santa Maria e adoptado pelo Faial, foi o segundo filho da família. Foi sempre uma pessoa muito activa, destacando-se em todos os desportos que praticava. Praticou voleibol durante muitos anos (foi várias vezes campeão regional) e atletismo, nas disciplinas de velocidade, salto em altura e comprimento.
Licenciou-se em Sociologia e iniciou o seu percurso professional na RTP Açores, em 1995, num estágio em São Miguel. Em 1996 voltou ao Faial, onde integrou os quadros no Instituto de Acção Social.
Mariana Rovoredo

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