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Estrada entre Lomba da Fazenda e vila do Nordeste“é insuficiente para o fluxo de tráfego de viaturas e pessoas em relativa segurança”, afirma Rafael Vieira

Rafael Vieira, Presidente da Junta de Freguesia da Lomba da Fazenda, alerta para a falta de condições na via entre Lomba da Cruz e a Vila do Nordeste. Afirma que a freguesia necessita de habitação acessível para casais jovens e famílias economicamente vulneráveis e mostra-se preocupado com o aumento do consumo de drogas, principalmente sintéticas. Reivindica, ainda, a intervenção do Governo Regional para melhorar a zona balnear existente na Foz da Ribeira.

Correio dos Açores – Que retrato faz da freguesia da Lomba da Fazenda?
Rafael Vieira (Presidente da Junta de Freguesia da Lomba da Fazenda) – A Lomba da Fazenda é uma freguesia predominantemente rural, mas dispõe de um leque de serviços e tecido empresarial interessante e algo diversificado. Temos um excelente e apreciado restaurante (Cardoso), oficinas, comércio a retalho, entre outros. A Lomba da Fazenda é também, em perspectiva, a freguesia com mais jovens no concelho e a freguesia com mais movimentos associativos de cariz desportivo, cultural, social e recreativo, designadamente Fazenda Sport Clube, Grupo Folclórico, Filarmónica, Grupo de Jovens, Casa do Povo, rancho de romeiros e Agrupamento de Escuteiros.

Quais são as principais dificuldades que a freguesia enfrenta actualmente?
À semelhança do resto do concelho, temos dificuldades no emprego, principalmente a nível do sexo feminino, e na habitação, tanto para os mais jovens como para famílias com maiores fragilidades económicas. Para além disso, fruto da imensa actividade associativa, faz-nos falta um pavilhão multiusos, capaz de receber eventos sociais e desportivos. O actual salão polivalente da Casa do Povo é exíguo e carece de obras de reabilitação profundas, tal como todo o edifício.

Qual a verdadeira dimensão da carência de habitações na Lomba da Fazenda?
É grande. Temos muita gente a precisar de habitação, especialmente casais jovens que querem o seu espaço e independência, mas não encontram casas na freguesia a preços que consigam alcançar. A nível da habitação social, apesar de existirem dois bairros sociais, estão lotados e precisamos de mais casas espalhadas pela freguesia, em vez da criação de mais bairros.

O tráfico de drogas e o número de toxicodependentes tem vindo a aumentar na freguesia? Que impacto o consumo de droga está a ter na sociedade local?
Existe este problema, principalmente ao nível do consumo. A percentagem de consumidores face ao número de habitantes é já de alguma dimensão, com alguma tendência a aumentar, principalmente nas drogas sintéticas. A nível de tráfico, este realiza-se fora da freguesia, embora seja do conhecimento geral quem são os “correios” e por onde passam.

A criminalidade tem aumentado na freguesia como consequência da toxicodependência?
Há focos de criminalidade pontuais, alguns roubos, mas acaba por haver mais situações dessas num determinado período e depois terminam. Este não é um problema recorrente e contínuo. Existe muito vandalismo, quiçá fruto de momentos de embriaguez e consumo de drogas. Isso preocupa-nos, pois as “vítimas” acabam por ser os equipamentos existentes na freguesia, que são de uso comum e que acabam por ficar vandalizados e estragados, trazendo uma má imagem e custos para a Junta de Freguesia e instituições.

Em sua opinião, o que se poderia fazer para solucionar estes problemas?
Julgo que a PSP tem feito o seu papel e creio que erradicar estes problemas é praticamente impossível. Acaba por ser mais um problema de mentalidade para algumas pessoas e de falta de respeito por aquilo que é feito e construído em prol da população, e que, por causa de alguns, acaba por ficar estragado e indisponível. No entanto, pelo menos em relação à problemática da droga, não seria má ideia intensificar alguma acção policial.

Qual a dimensão da pobreza na freguesia? O que tem feito a Junta de Freguesia a este nível?
Já foi pior. Aliás, chegou a ser bastante grave, pelo número de famílias a passar por situações de desemprego, pobreza escondida, por vergonha e falta de apoio social. No entanto, creio que neste momento a situação está muito melhor. Existe pobreza e existe desemprego, mas em muito menor número. Os assistentes sociais têm feito o possível, não só a nível de acompanhamento como de resolução de problemas constantes e mesmo pontuais. A Câmara Municipal também, dentro das suas limitações e campos de acção. A Junta de Freguesia, apesar de ter recursos reduzidos, tem aplicado grande parte do seu orçamento anual em programas sócio-profissionais, tais como o SEI, o PROSA.QUALIFICA e outros. Sabemos que esta não é uma solução estável, mas permite aos agregados familiares ter uma fonte de rendimento, atenuando, desta forma, a carência financeira e, também, ocupando as pessoas, com hábitos de emprego e de vida em sociedade. Temos, ainda, apoiado em grande escala, sempre dentro dos limites orçamentais, pequenas obras nas habitações para resolução de problemas e adequação de algumas habitações aos agregados existentes. Pontualmente, e quando os restantes apoios das entidades responsáveis se esgotam, também temos apoiado com cabazes de produtos alimentares.

O número de pedidos de apoio à Junta de Freguesia aumentou?
Este número mantém-se ao longo dos últimos dez anos, sensivelmente. Existe um ligeiro aumento ao nível da habitação degradada, mas não muito relevante.

Qual é a abordagem da Junta de Freguesia ao desenvolvimento do turismo? E qual o seu impacto na freguesia?
A nível turístico não somos um destino com muita oferta, fruto das características da freguesia. Temos uma boa afluência de turistas, principalmente para a restauração e pelo trilho que mantemos, que é muito interessante, pelo Parque Endémico do Pelado e Parque de Lazer e Merendas. A Piscina da Boca da Ribeira também é muito frequentada e visitada, mas a sua manutenção está a cargo da Câmara Municipal, ficando a Junta com a responsabilidade de manutenção do antigo atalho pedonal. Reabrir o trilho do Pico da Vara pela Lomba da Fazenda seria uma excelente medida para aumentar o número de turistas e de visitantes à nossa freguesia pois, sem desprimor para os outros acessos ao Pico da Vara existentes, julgo que o nosso é o que possibilita as paisagens mais bonitas e tem um nível de dificuldade já acrescido. Já tentámos, no passado, que os serviços competentes o fizessem, oferecendo até a colaboração da nossa autarquia, mas não houve resposta positiva e o trilho continua encerrado ao público.

Continua empenhado em fazer com que a via rápida para o Nordeste se prolongue entre a Lomba da Fazenda e a Vila do Nordeste? As obras que foram feitas na antiga via são suficientes?
É incompreensível afirmar que a via rápida termina na vila do Nordeste, como o afirmam actualmente, quando se observa claramente que a via termina na Lomba da Cruz e, daí para a frente, é uma via normal, reabilitada, mas que é insuficiente para o fluxo de tráfego de viaturas e pessoas em relativa segurança.
Durante o Inverno e quando chove muito, é normal haver derrocadas, algumas que condicionam ou cortam mesmo o trânsito. A distância de quatro quilómetros entre uma freguesia e outra, em caso de alguma calamidade, vai originar que o acesso à vila seja feito pela Povoação, por exemplo. Para além disso, continuam a circular por essa via muitas pessoas, no seu dia-a-dia, para irem trabalhar, a consultas ou por qualquer outro motivo, e as condições para os transeuntes não existem. É uma sorte que, felizmente, nunca se tenha verificado nenhum acidente grave. Mas não podemos continuar a depender da sorte e de orações. Ainda existem mudanças de gado por esta via, o que também condiciona, e de que forma, as condições de transitabilidade.

As obras que foram feitas na antiga via são suficientes?
Não foram suficientes e o que existe nunca passará de mediano, enquanto não houver outra solução de acesso entre a sede de concelho e a sua freguesia mais populosa.

Considera que deveria haver maior empenho do Governo na execução do projecto de beneficiação e remodelação da zona balnear da Foz da Ribeira?
A execução do projecto existente para esta zona balnear merece e só será possível com a intervenção do Governo Regional. Pelos Açores fora existem e ene casos de intervenção regional em zonas paralelas e com custos idênticos ou maiores. O Nordeste merece e necessita de uma zona balnear que ofereça maior comodidade e condições de utilização aos seus visitantes e população local, ao mesmo tempo que disponha de serviços que tornem a experiência de utilização mais satisfatória e que convidem ao regresso de quem nos visita. O que existe actualmente, por si só, é magnífico, mas carece de uma grande intervenção porque corremos o risco de um dia, agora ou daqui a alguns anos, ficarmos sem nada! Veja-se o exemplo das piscinas de Porto Moniz, na Madeira. Aliou-se a comodidade ao ambiente envolvente e ficou uma obra e uma valência balnear de excelência. O que se pretende para a Boca da Ribeira é algo semelhante e está mais do que na altura de ser feito.

Existem vários trilhos pedestres na Lomba da Fazenda. Conhece algum plano de beneficiação destes trilhos, tendo em vista o próximo Verão? Na sua opinião, tem havido o devido cuidado com esses trilhos?
Existe um trilho homologado que tem diversos acessos. É um trilho muito visitado e frequentado, e é mantido nas devidas condições pela nossa Junta. Julgo que manter o que existe e ir fazendo manutenção e alguma reabilitação é o suficiente.
Existe um plano de ligar outras zonas da freguesia, nomeadamente pelo Arraiado, ao actual trilho e estamos a trabalhar nisso.
Sendo o trilho de responsabilidade da Junta, temos feito o que é devido para o manter. Poderia haver, por parte de alguma Secretaria ou Direcção Regional com competência na matéria, algum apoio a nível de equipamentos de manutenção ou outros. Se os há, desconheço e nos pedidos de informação que já fizemos nunca nos informaram da sua existência.

Quais são as principais prioridades de desenvolvimento nos próximos anos?
A prioridade será uma melhoria da oferta de serviços existentes e mesmo a sua ampliação. O que existe serve-nos, mas ao mesmo tempo torna-se, algumas vezes, insuficiente para dar resposta a tudo. Vamos caminhando e vendo o que o futuro nos trará. A Junta de Freguesia será sempre um ponto de apoio e nunca uma forma de complicar.

Há algo mais que queira acrescentar?
Visitem a Lomba da Fazenda, terra de heranças, costumes e tradições, onde se sabe receber e há muito a oferecer.

Carlota Pimentel

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