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“A costura é uma arte que requer muita dedicação e é um trabalho minucioso”

O Atelier da Tina realiza todo o tipo de consertos, na Rua Direita da Madalena, n.º 2, na antiga sede da Banda Filarmónica de São Roque, onde encontramos a costureira Ana Roque, de 55 anos de idade.

O espaço está aberto há um ano e meio, mas a nossa interlocutora já tinha trabalhado noutros locais.
Ana Roque sempre fez costura desde os seus 18 anos, na freguesia de São Roque, mas depois optou por trabalhar no comércio de Ponta Delgada, em vários estabelecimentos comerciais.
A arte da costura aprendeu “com uma senhora, que trabalhava na Rua dos Mercadores, que o marido era sapateiro, o senhor Andrade. A esposa dele era costureira e fazia trabalhos, na altura, para a alta sociedade”.
“Ela tinha gosto que as moças aprendessem a costurar e também sai da escola para aprender as técnicas básicas”.
Questionada se esta é uma arte que requer muita dedicação, respondeu positivamente. “É uma arte que requer muita dedicação, mas essencialmente é preciso gostar de costurar, porque é um trabalho minucioso”.

Mais clientes homens do que mulheres

No Atelier da Tina, Ana Roque faz de tudo um pouco e todo o tipo de arranjos, desde bainhas, cortinas, mudar as golas das camisas, fechos de casacos ou de calças, forrar casacos, cozer botões, entre outros.
Poder-se-ia pensar, que as senhoras aparecem ali em maior número, mas não é o acontece no Atelier da Tina. “Tenho mais clientes homens, do que senhoras aqui, porque eles precisam mais do que elas, talvez por haver muitos homens solteiros e divorciados, ou então, porque as mulheres não sabem costurar e resolvem vir ter comigo”.
Quando Ana Roque abriu aquele espaço, no primeiro dia só teve um cliente, mas “a partir do segundo dia nunca mais parei de ter clientes, até hoje. De início pensei que isto não iria dar certo, mas também não me assustei, porque a solução era fazer aventais ou almofadas para vender, mas nem para isso tenho tempo, porque os clientes vêm uns atrás dos outros”.
O Atelier da Tina funciona durante a semana das 09h30 às 17h30. O fim-de-semana é para descansar.
Ana Roque não tem colaboradores, mas conta sempre com a companhia da amiga Natália Alves, que “acaba por ajudar naquilo que é preciso”.
A nossa entrevistada é casada e tem um casal de filhos e dois netos. Segundo o ditado popular, “os avós são pais duas vezes”.

“As moças de hoje não querem
aprender costura”

Ana Roque é natural de São Roque, começou por estudar na escola primária da rreguesia, passando ainda pela Escola Roberto Ivens.
A mãe, doméstica, era natural de Água Pau, mas o pai, que fazia de tudo um pouco, era também de São Roque.
Ana Roque sempre teve um sonho de ensinar a arte da costura, mas já desistiu da ideia, porque “as moças de hoje não querem aprender costura”, lamenta.
Depois de ter aprendido a costurar, Ana Roque começou a trabalhar numa residencial, mas depois teve um convite para ir trabalhar para o hospital de Ponta Delgada, onde esteve durante algum tempo.
Mas, nem tudo foram rosas na vida de Ana Roque, porque num espaço de dois anos faleceram-lhe cinco familiares, entre eles, a mãe e um irmão. E lá diz o provérbio, que “um mal nunca vem só”, Ana Roque teve ainda de ultrapassar um carcinoma. “Fiquei sem andar e caiu-me o cabelo, dos tratamentos que tive de fazer. Estive muito debilitada, mas tive o apoio da minha família, que foi o mais importante”.

Superação e sonho cumprido

A superação do carcinoma é um processo difícil, mas Ana Roque conseguiu vencer a doença, onde hoje em dia, sente-se orgulhosa disso, mas também por ter cumprido o sonho de ter aberto o Atelier Tina, que era o que mãe dela sempre a incentivou a fazer, montar-se por sua conta.
Com tanto para fazer durante a semana, aos fins-de-semana aproveita todas as ocasiões “para, essencialmente, estar com a família”.
Lá em casa, cozinha, mas Ana Roque sente-se grata por ter sempre a ajuda do marido. “Ele é o meu pilar, sabe cozinhar e ajuda-me imenso. Saio daqui, e se for preciso chego a casa a já tenho roupa estendida a secar e comida adiantada, e ele trabalha como pedreiro”, nobre profissão, profissional muito importante na construção civil.
A nossa reportagem teve a sorte de poder falar com Ana Roque, porque nem sempre isso é possível, porque o Atelier Tina tem sempre muitos clientes.
Curiosamente, a amiga Natália Alves também lá estava. “Não há nada que se passe em São Roque, que não saiba”, disse, para acrescentar, que “aqui tudo que entra velho sai novo”.
Marco Sousa

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