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“Há dificuldade em afirmar a estratégia do RIS3 Açores como uma agenda de transformação económica”

É destacada “a ausência” de representantes de empresas de maior dimensão, que “poderiam estabelecer-se como alavancas para a implementação da RIS3 Açores” enquanto Estratégia de Investigação e Inovação para a Especialização Inteligente da Região

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada e o Bairro Comercial Digital do Centro Histórico de Ponta Delgada fizeram-se representar nas sessões de trabalho no âmbito da RIS3 Açores 2022-2027: ‘Interreg Europe Policy Learning Platform Peer Review Sessions’, que se realizaram nos dias 30 e 31 de Janeiro de 2024, na cidade da Ribeira Grande.
Este encontro teve como objectivo a identificação dos desafios e traçar as possíveis e efectivas vias de transferência de conhecimento entre a Universidade dos Açores e a Indústria nos Açores, reconhecendo a importância da Investigação Aplicada para a resolução de desafios específicos e concretos.
A RIS3 Açores tem por objectivo focar o investimento em investigação e inovação numa selecção de activos e áreas estratégicas, considerando a sua diferenciação face ao exterior, com potencial para alavancar as vantagens competitivas da Região e o seu posicionamento em cadeias de valor internacional, combinando os diversos instrumentos de financiamento de modo a criar sinergias e melhorar a eficiência.
A Especialização Inteligente consiste numa abordagem inovadora que procura impulsionar o crescimento e o emprego na Europa, permitindo a cada região identificar e desenvolver o seu potencial intrínseco e as suas próprias vantagens competitivas.
Através de uma abordagem bottom-up e do estabelecimento de parcerias, a implementação da Especialização Inteligente congrega autoridades locais, a academia, a esfera empresarial e a sociedade civil, num esforço conjunto para a implementação de estratégias de crescimento de longo prazo apoiadas por fundos europeus.

Estratégias de especialização
inteligentes devem ser desenvolvidas
com o sector privado

Foi considerado que as regiões europeias “necessitam urgentemente” de progredir na “escada da inovação”. E “é necessário identificar, desenvolver e explorar os pontos fortes regionais para garantir investimentos mais inteligentes e focalizados, com mais valor acrescentado e um maior impacto. Será assim possível obter mais resultados com menos recursos e mobilizar o potencial de inovação de cada região europeia.”
Johannes Hahn, ex-Comissário para a Política Regional da União Europeia considerou, a propósito, que “as estratégias de Especialização Inteligente devem ser desenvolvidas em paralelo com o sector privado, os investigadores e a comunidade da inovação. Só então poderemos responder às necessidades da economia real, das empresas e dos indivíduos que a dinamizam. As estratégias existentes, nomeadamente a importância dada ao “crescimento azul” nas ilhas Canárias, a estratégia de inovação dos cuidados de Saúde na Flandres ou a modernização da indústria italiana do calçado na região de Marche, em Itália, são bons exemplos de cooperação entre as regiões e as diferentes partes interessadas para promover objectivos comuns de crescimento e inovação.”
Período de programação até 2027

Pretende-se, no novo período de programação 2021-2027 do RIS3 Açores, “reforçar a dimensão de internacionalização, com o desenvolvimento de actividades de networking internacional em estratégias, projectos, redes e programas”.
“Será continuada a aposta na integração de plataformas de colaboração entre as regiões ultraperiféricas e, igualmente, promover-se-á o aprofundamento da actividade internacional por parte de entidades do sistema científico e tecnológico regional.”
No seguimento do projecto ‘Forward’, será incrementada a participação de entidades regionais em projectos do Horizonte Europa.
Finalmente, manter-se-á o apoio, no quadro do Programa Operacional Regional, “à internacionalização de entidades do sistema científico regional e à internacionalização da I&D das empresas”. Em suma, realça-se, a Região apresenta uma posição geoestratégica e “um conjunto de elementos distintivos, casos da condição arquipelágica, da zona económica exclusiva, das condições edafoclimáticas ou da natureza e biodiversidade, que lhe outorgam condições de excepção para a realização de actividades de investigação e inovação aplicadas em domínios chave para o desenvolvimento do território”.
Acresce a este “activo intrínseco, a existência de um conjunto de instituições e unidades de investigação com capacidades comprovadas de produção científica, de novo conhecimento aplicado e desenvolvimento tecnológico, que dotam a Região de massa crítica a este nível”.
No seu conjunto, estas conformam as condições de base “essenciais sobre as quais deverá assentar a RIS3 Açores 2022-2027 e que funcionarão como forças motrizes que permitirão alavancar a investigação e inovação no arquipélago”, lê-se no documento estratégico do RIS3 Açores.

Contribuições para
a estratégia até 2027

No quadro dos exercícios promovidos, foi solicitado aos participantes que fossem tidos em consideração não apenas os impactos esperados da “prioridade” que elegessem para a Região, mas também as reais capacidades existentes para a sua implementação.
Foram assim recebidas propostas relativas a 56 prioridades na ilha Terceira, 42 no Faial, 109 em S. Miguel e 14 por via electrónica, num total de 221 prioridades. Estes contributos constituíram a base de trabalho sobre a qual se formulou a abordagem estratégica proposta para a RIS3 Açores 2022-2027.
Com base numa análise apoiada neste processo, foi realizada uma síntese das principais ilações relevantes e que contribuíram activamente para a redefinição da abordagem a adoptar no quadro da RIS3 Açores 2022-2027.
É salientado que estas conclusões “tiveram por base, não apenas os debates das sessões públicas, mas também um trabalho posterior de análise e detalhe dos conteúdos recolhidos e das sugestões recebidas”.
As propostas de prioridades na área do Espaço foram veiculadas essencialmente pela Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, que integrou os três grupos de trabalho de forma a assegurar a importância deste sector para todas as áreas, tendo sido transmitida a existência de um compromisso forte da Região com esta área, o que levou a que também esta área fosse considerada na estratégia proposta para a RIS3 2022-2027.
Esta deverá promover o alinhamento com os objectivos e indicadores definidos nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável “relevantes”.

“Agenda de transformação económica”

Verifica-se que a RIS3 Açores tem vindo a ser encarada pelos autores regionais “sobretudo como a política de ciência e tecnologia da Região, havendo dificuldades em conseguir afirmar esta Estratégia como uma agenda de transformação económica”.
Muitas das discussões acabaram por “focar sobretudo as prioridades de investigação da Universidade dos Açores” e “a capacidade de mobilização de empresas para o processo aparenta ser uma dificuldade”.
É destacado “a ausência” de representantes de empresas de maior dimensão, que “poderiam estabelecer-se como alavancas para a implementação da RIS3 Açores.”
A discussão alargada promovida no Roteiro “Ciência Açores” resultou em novas perspectivas e abordagens a ter em consideração na definição de políticas públicas açorianas na área da ciência para a próxima década, e que estão consideradas para a RIS3 Açores 2022-2027.
Foi considerado que a estratégia de investigação e inovação dos Açores “deve valorizar o diálogo e interacção permanentes entre todos os stakeholders relevantes nas suas áreas temáticas, tendo em vista promover uma evolução regional e uma maior convergência dos Açores com a Europa.”

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