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“A incidência do cancro do pulmão tem aumentado de forma preocupante nos Açores”, alerta Domingos Cunha, Presidente do Núcleo Regional da LPCC

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro

Correio dos Açores – Que relevância atribui ao Dia Mundial da Luta Contra o Cancro?
Domingos Cunha (Presidente do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro) – Assinalar este dia é fundamental no âmbito da saúde pública. É, sobretudo, um dia em que e se sensibiliza para a detecção de sinais de alarme e para o diagnóstico precoce. Todos sabemos que as doenças oncológicas têm vindo a aumentar consideravelmente. Actualmente, é a segunda maior causa de morte em Portugal e tudo o que possa ser feito individualmente e por parte das próprias comunidades para a prevenção é muito importante. Neste dia, a Liga Portuguesa contra o Cancro e os seus núcleos desenvolvem uma série de acções essencialmente direccionadas para a prevenção.

Estudos e estatísticas demonstram que a taxa de incidência de cancro nos Açores é evolutiva. Ou seja, existe uma tendência crescente para a próxima década. O que favorece este crescimento?
Os factores que influenciam o crescimento do aparecimento das doenças oncológicas são os que encontramos a nível nacional e internacional. Passam essencialmente pela ausência do exercício físico regular, o consumo de tabaco, de álcool em excesso, a obesidade e a falta de uma alimentação saudável.

Quais são os tipos de cancro com maior incidência na Região?
No caso da mulher, o cancro com maior incidência na Região é o cancro da mama, no homem é o cancro da próstata, na mulher e no homem o cancro do cólon e do recto.
O cancro do pulmão aprece agora com uma maior incidência a nível do país, mas no caso dos Açores, em particular, tem aumentando de uma forma preocupante. Estes números levam a que sejam criadas mais situações de rastreio para que seja possível aumentar os anos de vida aos doentes que venham a ser diagnosticados com cancro do pulmão.

Existem todas as condições nos Açores para tratar doentes oncológicos ou é necessário investir em equipamentos para ter um maior controlo da doença?
O Serviço Regional de Saúde está capacitado para dar a resposta necessária aos doentes oncológicos mediante a localização de cada tumor. Só em situações excepcionais, quando se esgotam os recursos locais, é que o Serviço Nacional de Saúde vem complementar os serviços Regionais, acabando por prestar os cuidados necessários e adequados aos doentes.

O que se deve fazer para evitar a ocorrência de doenças oncológicas?
Se todos nós adquirirmos hábitos de exercício físico regular, se combatermos a obesidade e o tabagismo e do álcool estamos a contribuir para diminuir o aparecimento de novos casos de doença oncológica.
Aqui, é relevante referir a situação particular do HPV – Vírus do Papiloma Humano que tem que vindo a contribuir para o aumento da incidência de alguns tipos de cancro, como é o caso do cancro do colo do útero ou da orofaringe. É muito importante perceber que isto pode ser prevenido através da vacinação. As vacinas estão incluídas no Plano Nacional da Vacinação e, portanto, são gratuitas através das unidades de saúde nos escalões etários que estão distinguidos. Anteriormente, abrangiam apenas as raparigas, mas, desde Outubro de 2020, foram alargadas aos rapazes nascidos a partir de 2009. É fundamental incentivar à vacinação contra o HPV.

O conhecimento científico e a capacidade de diagnóstico permitem outro tipo de tratamento mais eficaz em alguns tipos de cancro?
Os serviços de saúde da Região estão capacitados para fazer o diagnóstico precoce. O Centro de Oncologia dos Açores tem uma campanha de rastreio em várias áreas, do cancro da mama, do colo do útero do colon e recto, das lesões da cavidade oral… As situações que são identificadas e depois encaminhadas para o Serviço Regional de Saúde são tratadas de acordo com as novas guide lines. Quanto à nova medicação, esta vai surgindo, com certeza que os doentes têm acesso a ela de acordo com os princípios éticos e deontológicos.

Pode falar um pouco sobre o papel do Núcleo dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro?
O Núcleo dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro tem uma acção essencialmente no âmbito social. Neste momento, apoiamos cerca de 330 doentes em todas as ilhas da Região. Damos apoio no sentido da alimentação e na aquisição de medicamentos; na prestação de cuidados na área da Psico-Oncologia através de consultas gratuitas na sede de Angra e na delegação de Ponta Delgada aos nossos doentes e familiares. Neste momento temos cerca de 150 consultas programadas.

Qual o papel da Psico-Oncologia…
Perante um diagnóstico de doença oncológica e, neste caso, abertamente falando de cancro, os pacientes e as suas famílias sofrem um impacto muito forte do ponto de vista emocional e psicológico, isto obriga a que tenham de recorrer a este tipo de apoio no sentido de melhorar a sua qualidade de vida. Sabemos que os doentes oncológicos que têm uma saúde mental estruturada e que têm apoio consistente na área da Psico-Oncologia ao longo do seu percurso, os tratamentos têm uma evolução muito mais favorável. É por isso que nós apostamos em conceder estas consultas gratuitas aos doentes oncológicos da Região.

Que acções têm sido feitas por parte do núcleo dos Açores e o que têm preparado para o mês de Fevereiro?
O nível de actuação da Liga Portuguesa Contra o Cancro tem como preocupação a efectivação da prevenção. Temos um departamento de educação para a saúde com técnicos diferenciados que têm vindo a fazer acções de sensibilização junto dos alunos do 3º, 4º e 5º anos e também dos alunos do secundário, abordando vários temas no sentido de alertar para a prevenção de acordo com aquilo que são as campanhas a nível nacional e adaptadas à Região.
Posso dizer que este ano, e em especial durante o mês de Fevereiro, temos acções programadas para as ilhas Terceira, São Miguel e Faial com os alunos da escola primária sobre o código europeu contra o cancro, em que sensibilizamos essencialmente para a prevenção, comportamentos e hábitos saudáveis.
Temos acções programadas para os alunos do secundário, também nestas três ilhas, particularmente com o a Secundária da Lagoa e com a Escola Profissional da INETESE-Açores e a Escola Secundária Vitorino Nemésio, na Praia da Vitória. A temática a tratar será o cancro resultante das infecções por HPV e o cancro do testículo. Para além dos nossos técnicos, também contamos com a participação voluntária de profissionais de saúde.
Este ano também vamos ter uma palestra dirigida por um sobrevivente do cancro do testículo, pois, embora não seja um tipo de cancro muito falado, tem surgido com alguma incidência nos jovens e são precisamente os jovens que temos de alertar.
Vamos ter uma parceria com o Rádio Clube de Angra e, se possível, com outras rádios que se queiram associar para divulgar uma mensagem que é internacional e que a Liga Portuguesa Contra o Cancro está a incentivar: o desafio dos 5 quilómetros. Este desafio consiste em sensibilizar cada cidadão para que, individual ou colectivamente, faça um percurso de 5 quilómetros e publique no site da Liga para que, no final da soma destes percursos todos se possa concluir que foi dada uma volta ao mundo de sensibilização para o cancro, em especial no dia 4 de Fevereiro (hoje).
Portanto, há um conjunto de iniciativas que estamos a desenvolver e vamos continuar a desenvolver sempre no sentido da prevenção e diagnóstico precoce.

Que mensagem quer deixar neste dia?
A mensagem que quero passar, em nome da Liga Portuguesa Contra o Cancro e do Núcleo Regional dos Açores, é que cada um de nós deve ter a preocupação da prevenção. Se cuidarmos de nós, estamos a contribuir para diminuir o aparecimento das doenças oncológicas. O envolvimento de cada um e com o espírito de voluntariado na luta contra o cancro, com certeza que, todos juntos, seremos sempre mais fortes e conseguiremos combater esta doença.

Daniela Canha
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