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O grande exame

As equipas campeãs dos Açores de futebol dos escalões de Sub 19 (juniores), de Sub-17 (juvenis) e de Sub-15 (iniciados) vão ou já estão a competir nas segundas fases dos campeonatos nacionais da Segunda Divisão.
Desde a época de 2019/20 que os vencedores de cada categoria não eram da ilha de São Miguel. Santa Clara, em Sub-19; Desportivo de Rabo de Peixe, em Sub-17 (na foto), e Clube Futebol Pauleta, em Sub-15, ganharam os respectivos torneios. Todos já passaram pelas segundas fases, mas noutros moldes.
Os resultados até à época passada têm sido decepcionantes. A confirmação do significativo atraso para o futebol do Continente e da Madeira.
Até 2015/16 os campeões de Sub-15 e de Sub-17 enfrentavam as principais equipas, o que contribuía para resultados desnivelados.
A má prestação das equipas insulares vinha gerando protestos de clubes continentais que ficavam afastados das fases decisivas quando possuíam maiores capacidades.
Na última época em que os campeões insulares competiram na segunda fase nacional de Sub-17, o União Micaelense não somou qualquer ponto em 10 jogos, com 5 golos marcados e 39 sofridos.
Surgiu um apuramento envolvendo, numa fase concentrada, os campeões das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira de Sub-15 e de Sub-17 e, respectivamente, os melhores terceiros e quartos das séries continentais. Era um torneio relâmpago. Nos primeiros anos com um dia de descanso, mas na última edição todas as equipas folgavam a seguir aos jogos.
As Associações insulares tentaram alterar o sistema. A luta deu frutos. Na época passada a Federação Portuguesa de Futebol fez uma revolução nos dois escalões. Elaboraram duas divisões. Os campeões açorianos entram na fase final de Sub-15 e na segunda fase de Sub-17. O campeonato deste escalão da Segunda Divisão mudou em relação ao ano passado. Em vez de serem 8 equipas numa única série (o Desportivo de Rabo de Peixe foi último com 3 empates em 14 jogos, com 10 golos marcados e 53 sofridos e o Marítimo da Madeira foi terceiro, subindo à Primeira), passaram a 12 equipas divididas em duas séries de seis.
Os Sub-15 mantêm o mesmo modelo. Oito clubes na fase final. No ano passado o Lusitânia foi a primeira equipa açoriana a participar na Segunda Divisão. Terminou em 7.º e penúltimo lugar, com 9 pontos, devido às 3 vitórias e 11 derrotas, 24-51 nos golos. O Maríitmo da Madeira foi o campeão e ascendeu ao primeiro nível.
E AGORA? Esta fase que já decorre será o grande exame para as equipas do CF Pauleta, nos Sub-15, e do Desportivo de Rabo de Peixe, repetente nos Sub-17.
Que comportamento terão? Conseguirão melhorar as prestações das equipas da época passada? São questões que serão respondidas daqui a dois meses, sensivelmente.
O problema da inferioridade do futebol de formação açoriano para com as equipas madeirenses e continentais, mesmo da Segunda Divisão e de centros populacionais semelhantes aos nossos, está identificado há muitos anos. Reside numa competição débil, com as equipas que treinam e jogam com maior responsabilidade a receberem os melhores jogadores e a terem uma superioridade que em alguns casos é ditada por goleadas fora do comum.
Aperfeiçoar para a aproximação só com a entrada do campeão dos Açores de ambas a categorias na primeira fase da Segunda Divisão. Disputariam 18 jogos com ritmos e intensidades que ajudam na progressão.
COMENTÁRIO DE JOSÉ CEZÍLIA- José Manuel Cezília é um experiente treinador de futebol da ilha de São Miguel, com um longo e bem preenchido currículo, onde se incluem títulos. Ainda até há pouco tempo trabalhava com Mário Jorge Andrade nos seniores do Benfica Águia, no campeonato regional. É uma presença assídua nos campos de futebol. Possui uma visão completa do futebol micaelense. Não se refugia no silêncio, nem no anonimato e, com a frontalidade que o caracteriza, opina e critica sobre o que vê e sobre o que acha deve ser aprimorado.
Não resisto a transcrever o comentário inserido esta semana na página Futebol São Miguel após ter assistido à vitória da equipa B do Santa Clara sobre o Marítimo SC, por 5-0, a contar para o campeonato de São Miguel.
“Realmente os jogadores do Santa Clara imprimem um ritmo e uma luta constantes durante o jogo todo, o que dá gosto ver. Existe uma entreajuda e ninguém reclama caso aconteça algum falhanço. Sei que são profissionais, que treinam muitas mais vezes por semana. No entanto, na minha modesta opinião, os nossos (da ilha) jogadores podiam e deviam fazer mais e melhor. Por motivos vários, muitos deles falham os treinos e quase não estão disponíveis para fazerem um treino mais intenso e apurado, o que para alguns treinadores até dá jeito. Assim ninguém fica descontente”.
A visão de José Cezília vem ao encontro do que escrevi neste espaço a 14 de Janeiro, sobre a presença do Santa Clara B no campeonato e taças de ilha. Deveria ser uma boa oportunidade para a maioria dos nossos jogadores mudarem o “chip”.

José Silva

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