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“O objectivo é tornar os Açores um ponto de referência anual que irá reunir profissionais e partilha de conhecimentos na saúde da mulher”

Nutricionista especialista em Nutrição e mestre em Nutrição Clínica, Noélia Arruda é natural de Ponta Delgada mas é em Lisboa que exerce a sua profissão. Ao perceber que na capital tinha muito mais acesso a formação e parcerias decidiu organizar o 1º Congresso Açoriano na Sáude da Mulher, com o intuito de proporcionar a partilha com os “excelentes profissionais açorianos” que trabalham a saúde da mulher e fazem do cuidado da saúde feminina a sua missão de vida. O 1º Congresso Açoriano na Saúde da Mulher realiza-se nos dias 26 e 27 de Abril na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.

Correio dos Açores – Como surgiu a ideia de organizar o 1° Congresso Açoriano na Saúde da Mulher e qual é o objectivo principal do evento?
Noélia Arruda (Nutricionista especialista em Nutrição Clínica) – Apesar de ter iniciado a minha carreira como nutricionista entre 2006 e 2009, em São Miguel, decidi regressar a Lisboa para evoluir mais na minha carreira profissional e acabei por ficar por Lisboa. Actualmente, e ao perceber que em Lisboa tenho muito mais acesso a formação e parcerias por trabalhar com excelentes profissionais, senti coragem de organizar, através da realização do congresso, a partilha com os excelentes profissionais açorianos que também trabalham a saúde da mulher e, assim, criar uma oportunidade de juntos partilharmos a nossa missão de vida que é o cuidado com a saúde feminina. O objectivo principal do evento é tornar os Açores um ponto de referência anual, que irá reunir profissionais e partilha de conhecimentos na saúde da mulher, ou seja, promover que várias profissões que trabalham a saúde da mulher tenham como foco este tema.

Quais são os temas principais que serão abordados no congresso e por que razão foram seleccionados?
Os temas abordados têm um olhar no cuidado, desde a menarca da menina que passa a mulher para entrar na idade fértil da mulher, conhecendo a saúde feminina e, quando pretender engravidar, conseguir facilmente uma gravidez de sucesso, à abordagem aos cuidados e necessidades na gravidez, pós-parto e amamentação, terminando na menopausa. Em cada uma destas fases, vão ser apresentadas estratégias e benefícios desenvolvidos por profissionais na área da actividade física, ginecologia, fisioterapia, psicologia e a nutrição, de modo que, ao longo do ciclo feminino, sejam sempre integrados os quatro pilares da saúde humana – a saúde corporal, o estado mental, emocional e espiritual, que tanto defendemos na Medicina Integrativa e Funcional. Ainda no congresso, vai ser abordada a nutrição infantil em termos de terapias de bem-estar em tenras idades, a saúde oral e a introdução alimentar.

Pode partilhar algumas informações sobre os palestrantes e especialistas que estarão presentes no congresso?
Tive o cuidado de dar impacto à nutrição, por ser a minha área profissional, convidando Inês Tomada, nutricionista, mas também outros especialistas, como Filipa Teles, da Medicina Tradicional Chinesa, que tem um impacto fantástico na saúde feminina. Por outro lado, e por trabalhar com grávidas desde 2010, sempre senti necessidade de encaminhar para outros colegas da área do exercício físico, psicologia ou fisioterapeutas para prevenir a degradação do corpo da mulher no pós-parto e a integração da mulher num papel de mãe, esposa e mulher. Ainda neste processo, estando em contacto com mães a amamentar, percebi a vantagem das enfermeiras ou especialistas em amamentação e aleitamento materno, e convidei a enfermeira Cármen, que tem feito um trabalho fantástico nessa área. Ao trabalhar com a fertilidade para casais e sentir que é uma aérea muito delicada e cheia de tabus, convidei Joana Freire da Associação Portuguesa de Fertilidade, para deixar conforto e esperança para os casais que há muito desejam ter o seu bebé no colo, bem como o apoio de técnicas medicamente assistidas ,apresentadas por Rui Mendonça. Por outro lado, é inevitável para qualquer mulher, mais consciente e com um percurso de vida intenso, aceitar a menopausa. Mas, como acredito que esta fase tem de ser vivida em plenitude, convidei a ginecologista Mariana Ormonde e a farmacêutica e coach, Luísa Santos, que irão apresentar estratégias e inovação para esta fase da vida da mulher. E, como não podia faltar a abordagem emocional, convidei a psicóloga Catarina Pires, que tem feito um trabalho fantástico em São Miguel com a protecção da saúde mental perinatal.

Qual é a importância do evento para os profissionais de saúde que trabalham na área da saúde da mulher nos Açores?
As minhas expectativas são que os profissionais de saúde, que trabalham a saúde da mulher e que realmente fazem desta área o seu dia-a-dia e missão de vida, possam encontrar inovação para dar respostas às suas pacientes. Desejo que considerem o 1º Congresso Açoriano na Saúde da Mulher de elevado interesse, aderindo e participando, para que todos juntos possamos dar aos Açores a união e, principalmente, que a Região possa ser o palco anual para muitas mais edições do evento. O 1º Congresso Açoriano na Saúde da Mulher dará voz a outros profissionais e pretende promover o desenvolvimento de parcerias profissionais em prol da mulher, bem como desenvolver estudos na comunidade açoriana sobre cada fase do ciclo de vida da mulher, e fazer divulgação científica de trabalhos desenvolvidos nas várias profissões e especialidades que trabalham a saúde da mulher. Sendo esta a primeira edição do congresso, não se enquadrou a possibilidade de posters. Mas, para o próximo ano, queremos disponibilizar um espaço para os profissionais exporem os seus trabalhos.

Quais são os desafios relacionados com a saúde da mulher nos Açores que o congresso vai abordar?
É importante a informação sobre os desafios característicos da mulher ao longo dos vários ciclos femininos, desde que a menina entra na pré-adolescência. Quando aparecer a primeira menstruação, deve ser logo encaminhada para um ginecologista, a fim de se detectar precocemente alterações hormonais ou nutricionais que possam comprometer uma saudável entrada na fase fértil, para que, quando pense em engravidar, não tenha dificuldades em conceber. Isso remete muito às dores menstruais na adolescência, que já são indicadores de que os profissionais de saúde devem fazer um diagnóstico mais pormenorizado e não simplesmente receitar uma pílula que pode estar a camuflar problemas futuros. Por exemplo, a endometriose ou SOP são patologias apenas abordadas quando a mulher quer engravidar e está com dificuldades.
O congresso pretende criar a união de todos os profissionais para acolherem, da melhor maneira, essas meninas e mulheres, para que elas passem pelos vários ciclos de vida femininos da melhor forma, tanto na prevenção como coadjuvantes dos desafios que surjam nestas fases.

Que carências e necessidades se colocam ao nível da saúde da mulher no arquipélago?
Trabalho com casais que pretendem engravidar e tenho inclusive casais que me procuram para acompanhamento online, de outras ilhas além de São Miguel, como a Graciosa ou a Terceira.
Pela minha experiência, tenho conhecimento de que estas pessoas têm maior dificuldade de conseguir a suplementação ou ter abertura dos médicos para passar análises, ou que tenham conhecimento sobre o poder da nutrição funcional e integrativa, para acolher os casais e os encorajar neste processo de muita fragilidade. Assim, a carência maior é a formação dos profissionais de saúde fora da sua área profissional, para que entendam que outros profissionais podem ser excelentes coadjuvantes na fertilidade, tanto na gravidez como na menopausa e na adolescência.

Como espera que este congresso contribua para a promoção da saúde da mulher na Região?
Espero que este congresso sensibilize os profissionais de saúde para um olhar mais abrangente e integrativo, com foco na mulher e não nos seus próprios egos profissionais. Trabalhar a saúde da mulher, de forma integrada, permite apresentar uma maior variedade de estratégias e inovações para que a mulher se sinta acolhida por todos os profissionais que a acompanham nesta caminhada.

Em termos de esperança de vida, são, em média, as mulheres que vivem mais tempo. De que forma esta realidade representa um desafio para os profissionais de saúde em termos de saúde da mulher?
Acredito que a esperança média de vida aumentou, mas a qualidade deste tempo de vida piorou um pouco. Ou seja, conseguimos viver mais tempo, mas com mais comorbilidades. Dia após dia ou ciclo após ciclo, a mulher passa por desafios físicos, emocionais e mentais que em nada se traduzem numa qualidade de vida saudável e plena. Por isso, a comunidade de profissionais tem de promover a saúde da mulher e divulgar os serviços que a podem ajudar a superar esses desafios. Os profissionais devem ter conhecimento de outros serviços e profissionais, que trabalham em parceria, para as encaminhar.
Existe na Região o número suficiente de profissionais de saúde especializados na saúde da mulher?
Não fiz este estudo, mas creio que profissionais de saúde nunca são demais. Este congresso também vai dar as respostas aos profissionais que realmente trabalham a saúde da mulher e fazem desta área o seu dia-a-dia e a sua missão de vida, resultando na contínua aprendizagem e inovação, bem como na partilha com outros profissionais, de uma forma integrada e focada na saúde feminina.

Existe falta de sensibilidade de muitas mulheres, nos Açores, para questões relacionadas com uma melhor saúde e bem-estar? Quer explicar?
Não acredito que seja uma questão de sensibilidade, mas sim de acesso à informação e de divulgação dos vários serviços a que as mulheres podem aceder para melhorar a sua saúde.

Como a comunidade local pode beneficiar do congresso em termos de maior sensibilização e formação?
Na promoção e protecção da saúde feminina para uma maior longevidade e qualidade de vida durante as várias fases do ciclo de vida feminino. O congresso é importante para os Açores, em termos de reunir, na Região, vários profissionais de saúde de Portugal continental e dos Açores, um ponto turístico de saúde.

Quer acrescentar algo mais que considere importante no âmbito do Congresso e da saúde da mulher?
Gostaria que o congresso tivesse uma boa adesão, para que se reúnam condições de fazer uma segunda edição.

Carlota Pimentel
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