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“A maior parte das vendas são feitas a prestações e são poucas as pessoas que compram a pronto”

Liberal Rebelo, de 69 anos de idade representa a Loja Singer, em Ponta Delgada, da firma Rebelo & Moreira, Lda., na Rua Carvalho Araújo, n.º 15-A.

A empresa exerce a actividade de comércio a retalho de electrodomésticos, gerida por uma sociedade que existe desde 1999.
A firma começou na Rua João Moreira, junto ao Museu Carlos Machado, mas depois foi exercer a actividade para a Rua dos Mercadores, antes de se mudar para a Rua Carvalho Araújo, onde está desde 2017.
Liberal Rebelo releva, que “o negócio tem corrido com altos e baixos”, onde manter-se à tona financeiramente é um desafio, “mas consegue-se cobrir as despesas”.
A loja vende tudo o que é da Singer, concretamente “máquinas de costura e acessórios”.

Habituais clientes e outros novos

Liberal Rebelo já trabalha há 59 anos, ou seja, começou quando tinha apenas 10 anos de idade. “Com o passar do tempo, conseguimos fidelizar os nossos clientes, mas continuam a surgir novos”.
Os seus habituais clientes pertencem ao grupo socioeconómico que se encontra “entre a classe média e a classe baixa”, ou seja, aquelas pessoas que possuem renda e recursos limitados, mas não estão em situação de extrema pobreza. “São pessoas que perderam um bocado do poder de compra, por causa da inflação, e são aquelas pessoas que mais sofrem. Isso nota-se, porque 90% das nossas vendas são feitas a prestações e são poucas as pessoas que compram a pronto pagamento”, naquela loja e neste ramo, porque “estes não são bens de primeira necessidade”.
Contudo, o mais preocupante “são aquelas pessoas que deixaram de tomar o comprimido, porque deixaram de poder comprar e isto acontece, cada vez mais”, sustentou.

Comércio na baixa de Ponta Delgada com os dias contados

A localização da Loja Singer na Rua dos Mercadores “era mais conhecida do que esta aqui, na Rua Carvalho Araújo, também conhecida por Rua do Colégio, menos movimentada do que a Rua dos Mercadores, onde estava ainda integrada num espaço com mais de um século de história”.
Instado a pronunciar-se sobre o comércio da baixa da cidade de Ponta Delgada, Liberal Rebelo diz, que não vê o futuro com bons olhos. “Ou a lei do arrendamento muda ou daqui a 10 anos não teremos mais comércio na baixa da cidade de Ponta Delgada. Faz-se investimento, abre-se uma loja, mas pouco tempo depois o senhorio resolve não renovar o contrato e o comércio passa a andar com a casa às costas, isto assim não resulta. Na minha opinião, as vendas das habitações deveriam estar separadas das rendas comerciais”.
O nosso interlocutor dá um exemplo concreto. “Conheço uma loja que estava a pagar 600 euros de renda, mas terminado o contrato de cinco anos teve de mudar de localização e passou a pagar 1.500 euros de renda, quer isto dizer, que a loja só abriu noutro local, porque o comerciante ainda tem mercadoria e quando não tiver mais, não compra mais mercadoria e fecha a loja, e assim vai acabando o comércio em Ponta Delgada. Por isso digo, a continuar assim, não dou mais do que 10 anos, para o comércio deixar de existir na baixa da cidade”.

Serviço militar cumprido
em pouco mais de uma semana

Liberal Rebelo começou a trabalhar na Farmácia Vieira & Botelho, depois teve uma experiência numa loja de ferragens, que estava no canto em baixo da Rua José António de Almeida, no tempo gerida pelo senhor Faustino, antes de ir para a Casa Esperança, passando ainda pela Corbelha, entrando posteriormente numa sociedade, na Movicasa.
Liberal Rebelo é natural da freguesia de São Roque, onde completou a sua instrução primária. Depois começou a estudar à noite, na Escola Roberto Ivens.
O serviço militar cumpriu no tempo da revolução de 25 de Abril, numa altura em que as tropas regressavam do Ultramar. “Estivemos lá dentro pouco mais de uma semana, mas depois mandaram-nos para casa e ficamos à espera que as tropas regressassem para permanecer nos quartéis. Depois, recebemos a comunicação, que já poderíamos ir levantar a caderneta militar, só que para surpresa de todos, o serviço militar estava cumprido”.
Liberal Rebelo é pai de dois filhos e avô de um neto. Aqui surge a frase poética: “Somos pais duas vezes, quando somos avôs. Quando nossos filhos se tornam pais, somos agraciados com uma nova dimensão de amor e responsabilidade”.

Marco Sousa

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