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Catarse eleitoral

O assunto mais badalado a semana passada, não teve a ver com a grande manifestação da lavoura que teve lugar em S. Miguel, mas sim com o anúncio do PS ao chumbo do programa do PSD no Parlamento dos Açores, sem sequer saber o que lá estará escrito, apenas por tática política, acabando assim por destruir a “cerca sanitária” que a o centro direita moderado tinha colocado à volta do Chega.
Desta forma os socialistas não pretendem viabilizar o governo do PSD nos Açores, apostando no papão da extrema direita, numa decisão que vai contra a ala direita do PS e dos indecisos. Neste período eleitoral tal parecer ser pouco sensato e complicadas as consequências nacionais desta postura esquerdizante do Partido Socialista dos Açores.
O dia 4 de março, ficará marcado na memória pelo resultado eleitoral que alguns analistas não esperavam, e que prognosticaram em seguimento de algumas sondagens que a AD teria um resultado menos favorável. O certo é que houve uma reviravolta em seis das nove ilhas dos Açores, que trocaram de partido, face aos resultados de 2020.
O PS, há três décadas, era o vencedor consecutivo das eleições, e agora contorceu-se na cadeira e passou para segunda força, perdendo em São Miguel, São Jorge, Terceira, Pico e Graciosa, cujos eleitores trocaram os seus votos pelos da coligação PSD/CDS-PP/PPM. Contrariamente, no Corvo, onde vencera a coligação PPM/CDS-PP, desta vez deu a vitória aos socialistas.
Mais do que fazer uma contabilidade analítica dos resultados das eleições para o Parlamento dos Açores, importa reter alguns números para melhor compreensão do comportamento do eleitorado, sobretudo nas ilhas maiores. O exemplo de São Miguel é paradigmático, em que a coligação venceu agora com 23.940 votos, mas que se tivesse ido coligado em 2020 poderia ter atingido os 21.569 votos, muito superior ao que o PS, que na altura alcançou, vencendo por 20.813 votos.
Este ano, a AD elegeu 10 mandatos em São Miguel, mais um do que em 2020, o PS ficou com oito, perdendo um e o Chega subiu de um para dois deputados. O BE perdeu o deputado que elegeu por este círculo nas últimas eleições.
Por outro lado, na segunda maior ilha da Região, o resultado foi também histórico, com a AD a conseguir obter na Terceira 12.099 votos, seguido do PS com 10.304. Nas legislativas anteriores, o PS venceu neste círculo, com 10.200 votos, seguido do PSD, com 7.028 votos, que teriam sido 9.563 com os votos dos atuais parceiros de coligação. Em termos de mandatos, a coligação conseguiu cinco, o PS quatro e o Chega um, enquanto em 2020, o PS teve cinco, o PSD quatro e o CDS-PP um.
Foi em São Jorge que a AD obteve, em termos percentuais, o maior número de votos, ou seja 52,22%, 2.584 votos, o que representou uma reviravolta em relação a 2020, quando ganhou o PS com 1.571 votos, correspondentes a 32,02% da votação. Neste círculo, o PS também desceu no número de votos entre as duas eleições, tendo obtido apenas 1.477 votos. Os votos somados de PSD, ou seja 905, do CDS-PP 1.552 e PPM 74 votos, em 2020, representavam 2.531 votos, e ficariam acima do resultado conseguido então pelos socialistas. No entanto, em termos de mandatos, em São Jorge não houve alterações: O PS manteve um mandato e a coligação dois, quando nas eleições anteriores o PSD teve um e o CDS-PP outro.
Relativamente ao Pico ficou tudo na mesma e tal como em 2020, o PS conseguiu domingo dois e o PSD outros dois deputados. No entanto, quem teve mais votos foi a AD, que atingiu os 3.595, quando nas eleições anteriores tinha sido o PS o vencedor.
Na Graciosa também se registou uma reviravolta com a AD a obter dois mandatos e o PS com um. Em 2020 foi ao contrário: o PSD conseguiu apenas um e o PS dois. Os socialistas perderam votos este ano 1.079 ou 43,68% e nas últimas eleições tiveram 1.200 votos e a coligação obteve 1.142 votos, 46,23%.
Santa Maria voltou a dar a vitória ao PS, com uma ligeira subida no número de votos. Neste círculo, o segundo classificado também subiu, já que a AD conseguiu alcançar 902 votos, com o mesmo número de deputados: dois socialistas e um da AD.
No Faial, venceu a coligação com 3.652 votos, contudo elegeram dois deputados contra outros dois do PS. Os socialistas ficaram em segundo lugar em ambos os escrutínios.
Nas Flores voltou a vencer o PS, com 862 votos, ou seja 41,76%. No entanto, em 2020 os três mandatos das Flores ficaram divididos entre o PS, o PSD e o PPM. Agora, a coligação não conseguiu manter os dois deputados e perdeu um para os socialistas.
Há muitos prognósticos que se fazem quanto ao evoluir da situação política nos Açores e que eventualmente será clarificada após as eleições nacionais do próximo mês. Até estaremos atentos ao desenrolar da situação.

António Pedro Costa

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