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Nove ranchos de romeiros saíram ontem e hoje mais dois iniciaram a peregrinação pela ilha de S. Miguel

“Naquele tempo, Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus disse-lhe: `Segue-me.´ Levi deixou tudo, levantou-se e segui-O”.
Esta passagem do Evangelho de Lucas foi concretizada hoje pelos romeiros que integram os nove ranchos que iniciaram a sua romaria quaresmal em São Miguel esta madrugada. Na madrugada deste domingo seguiram mais dois, um deles vindo da diáspora.
Depois dos joelhos no chão e de invocarem comunitariamente as suas primeiras intenções- “por nós e por cada um; pelas nossas famílias que fazem a romaria connosco e por toda a comunidade”- soaram as primeiras Avé-Maria cantadas, do jeito que só os romeiros conseguem, a partir de uma alma escancarada e disponível para o caminho, que os pés e os dedos trilharão de hoje até ao próximo sábado faça chuva, sol ou vento.
“O tempo é acessório. Quem ingressa numa romaria sabe que o tempo o acompanhará e que o caminho é para ser feito. O importante é o que a romaria significa para nós e para a nossa humanização”, disse Paulo Pacheco, mestre do Rancho de São Pedro de Ponta Delgada, um dos ranchos que iniciou a romaria neste primeiro Sábado da Quaresma.
“Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”, prossegue o evangelho de Lucas proclamado pelo padre Francisco Rodrigues, que integra o grupo, na missa de envio dos romeiros.
“Somos como Levi, o pecador. Por isso, irmãos, aproveitemos o caminho, a nossa romaria para percebermos o que é o pecado e nos libertarmos dele porque seguir Jesus é segui-Lo também no perdão” prosseguiu o sacerdote já durante a homilia.
“Uma romaria é um caminho interior e uma busca incessante por aquilo que nos conforta a alma e o coração; é uma espécie de banho de humanidade” antecipava o mestre ainda na Sacristia quando interpelado pelo Sítio Igreja Açores.
“Num mundo cada vez mais frio e mecânico, a romaria humaniza-nos e é isso que procuramos passar sempre aos irmãos: o que recebemos no carinho dos que nos recolhem deve ser um estímulo para sermos mais humanos”, acrescentou o mestre Paulo Pacheco que leva consigo mais 43 homens, um deles adolescente de 14 anos, mais dois que no ano passado.
“Não é fácil. A romaria não será fácil perdoar; nunca é fácil perdoarmos” explicava, ainda o padre Francisco Rodrigues, na homilia em que pediu “disponibilidade para perdoar a ti próprio, pedir o perdão a Deus e perdoar os irmãos e todos aqueles que cometeram alguma falha”.
“O perdão é o principio da salvação” disse ainda o sacerdote.

Romaria inspirada no perdão

A Romaria Quaresmal de 2024 é inspirada no perdão, tema que norteou o Retiro dos Romeiros no último fim-de-semana de Janeiro.
“O Senhor dá-nos a romaria para despertarmos para o perdão. Conquistemos a liberdade. Jesus não quer nada mais do que o nosso arrependimento”, disse ainda o sacerdote.
Este ano haverá mais romeiros na estrada. Serão 56 os ranchos, mas a expectativa é a de que se ultrapassem os valores do ano passado e se aproximem mais do período pré-pandemia, isto é, cerca de 2.500 romeiros a percorrer durante uma semana as estradas de São Miguel, tocando o maior número de igrejas possível.
A Romaria quaresmal decorre de 17 de Fevereiro a 28 de Março, período em que se pede aos condutores que tenham maior prudência nas estradas.
Este ano, a organização espera que existam mais famílias a acolher os romeiros e salienta sempre o empenho verificado na “arrumação” dos romeiros, especialmente no concelho da Povoação onde pernoitam mais de 40 ranchos.
“E precisa uma grande disponibilidade e empenho para dar resposta a todas estas solicitações. Estamos a falar de duas mil pernoitas o que é muita coisa”, referiu João Carlos Leite numa entrevista ao sítio Igreja Açores.

IA

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