Edit Template

“Vila Franca do Campo tem todas as condições para ser elevada a cidade”, defende Luís Gomes, Presidente da Junta de Freguesia de São Miguel

Presidente da Junta de Freguesia de São Miguel há dois anos e cinco meses, Luís Gomes afirma que as principais dificuldades com que a freguesia se depara são a falta de habitação, a toxicodependência e o envelhecimento da população. Defende um desenvolvimento do turismo “regrado e sustentado, para que a população continue a ter qualidade de vida e que não haja uma ruptura por excesso de visitantes.”

Correio dos Açores – Que retrato faz da freguesia de São Miguel?
Luís Gomes (Presidente da Junta de Freguesia de São Miguel) – A freguesia de São Miguel é, sem dúvida, a mais linda. É a mais central do concelho e onde se situa maior parte do comércio e os principais serviços, desde os serviços das Finanças, Segurança Social, Câmara Municipal, Centro de Saúde, entre outros.
Também tem pontos de grande interesse turístico, como a Senhora da Paz com a sua vista magnífica, o forte do Tagarete com grande interesse cultural, a Avenida Vasco da Silveira, a praia do Corpo Santo recentemente recuperada e as bonitas igrejas. Toda esta oferta está ainda aliada ao forte crescimento a nível da restauração local, que nos últimos anos melhorou muito, sendo de momento uma referência gastronómica a nível regional.

Quais são as principais dificuldades que a freguesia enfrenta actualmente?
As principais dificuldades com que nos deparamos são, sem dúvida, a falta de habitação, a toxicodependência e o envelhecimento da população.

Qual a dimensão da carência de habitações na freguesia de São Miguel?
Neste momento, arrisco dizer que a carência habitacional na freguesia é grave. Embora existam muitas casas devolutas e desabitadas, o facto é que a oferta de habitações para venda e para o arrendamento é muito reduzida. O que existe no mercado apresenta preços muito elevados, não suportáveis para maioria da população, especialmente para os jovens que pretendem residir na freguesia.

O tráfico de droga e o número de toxicodependentes têm aumentado na freguesia? Qual o impacto do consumo da droga na sociedade local?
Pelo que observo, julgo que o número de toxicodependentes aumentou um pouco, com a agravante de que se manifestam com mais perturbações psicológicas e mentais, talvez devido ao efeito das novas drogas sintéticas, colocando em risco a sua integridade física e até mesmo da população.

A criminalidade tem-se incrementado como consequência da toxicodependência?
Creio que a criminalidade na freguesia não tem aumentado significativamente. No entanto, infelizmente, o vandalismo tem aumentado e julgo que poderá estar relacionado com as consequências da toxicodependência.

Em sua opinião, o que se poderia fazer para solucionar estes problemas?
Neste tipo de problema, creio que a solução a longo prazo passa sempre pela sensibilização junto dos jovens. Fomentar o gosto pelo desporto, artes e cultura é, sem dúvida, o melhor caminho para um futuro sem drogas.
Quanto ao presente, o aconselhável será ter equipas munidas de técnicos especializados no terreno, a fim de tentar recuperar aqueles que infelizmente caíram neste flagelo.

O número de pedidos de apoio à Junta aumentou? Em que dimensão?
No ano transacto, o número de pedidos aumentou para o dobro em relação a 2022.

Qual a dimensão da pobreza na freguesia? O que tem feito a Junta de Freguesia a este nível?
Com o aumento da inflação, constatei que existem mais dificuldades económicas na população da freguesia, aumentando a chamada “pobreza envergonhada” e os novos pobres, que são pessoas que até têm algum rendimento, mas que não dá para sobreviver condignamente.
Os preços das rendas das casas subiram substancialmente, fruto de o mercado imobiliário aumentar devido ao turismo, ficando insuportável para maioria dos habitantes desta freguesia.
A Junta de Freguesia abriu uma nova rubrica no seu orçamento anual, com fundos destinados exclusivamente à área social. Fornecemos todo o apoio administrativo na preparação dos processos de apoio a nível da Câmara Municipal e do Governo Regional e oferecemos, frequentemente, cabazes com géneros alimentares a famílias carenciadas referenciadas pela acção social.

Na sua opinião, Vila Franca do Campo tem condições para ser cidade?
Considero que Vila Franca do Campo tem todas as condições para ser elevada a cidade porque, comparada a cidades de concelhos vizinhos, possui todos os recursos necessários para tal, tais como área geográfica, população, comércio, indústria, porto de pescas e capacidade económica.

Qual é a abordagem da Junta de Freguesia ao desenvolvimento do turismo e qual o seu impacto sócio-económico na freguesia?
A Junta de Freguesia encara o desenvolvimento do turismo com bons olhos, embora apreensiva. Ou seja, é evidente que o turismo na Região é muito importante para a economia local, mas este desenvolvimento terá de ser regrado e sustentado, para que a população continue a ter qualidade de vida e que não haja uma ruptura por excesso de visitantes.

De que forma a Junta de Freguesia está a trabalhar para promover o desenvolvimento global da freguesia?
A Junta de Freguesia tem um papel activo de colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo onde, através de protocolos entre as duas partes, asseguramos algumas responsabilidades na actividade diária da freguesia.
Para além disso, assinamos parcerias com as instituições, escolas e clubes, a fim de promover mais actividades para a população em geral, desde o público sénior até aos mais jovens. Exemplo disto é a parceria entre a Junta de Freguesia e a Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, com quem, em conjunto, abrimos o centro de convívio nas nossas instalações, que tem sido um sucesso.

Como está a Junta de Freguesia a preservar o património cultural da freguesia e a promover actividades culturais locais?
Durante todo o ano, a Junta promove várias actividades, sendo que a prioridade dos intervenientes para a sua execução é sempre com a “prata da casa” e com o intuito de promover a cultura local, bem como tentar que seja uma forma de subsidiar as nossas instituições e associações locais.
Por ocasião das nossas festividades do feriado municipal, São João, a Junta de Freguesia tem um papel activo na criação de uma marcha e a responsabilidade na logística do São João do Teatro, com a confecção das sardinhas, e a animação na alvorada.
Já homenageámos pessoas ilustres da freguesia que, de variadas formas, deram o seu contributo a nível cultural.
Além disso, promovemos anualmente uma semana cultural exclusiva para a freguesia de São Miguel, onde no nosso programa constam actividades desportivas, musicais, dança, feira com artigos locais e outras actividades lúdicas, que promovem e projectam a nossa freguesia para fora do concelho.
Importa referir que esta Junta está a recuperar um jogo de tabuleiro típico da nossa vila, “o Poleão”, criando dinâmicas com convívios e torneios junto da população para este fim.

A freguesia tem potencial para se desenvolver mais?
A freguesia de São Miguel tem um grande potencial. Ora, tem uma orla marítima muito apetecível que foi recentemente recuperada (Avenida Vasco da Silveira e praia do Corpo Santo), possui belezas naturais lindíssimas no interior da freguesia, tem um património religioso muito rico (Igreja da Matriz, Igreja da Misericórdia e Ermida Senhora da Paz), possui a cooperativa de artesanato com bordados único; e, de momento, encontra-se em fase de expansão o parque industrial que será uma mais-valia para o comércio e indústria local.

Quais são as principais prioridades de desenvolvimento nos próximos anos?
A prioridade, a curto prazo, será a construção de um parque infantil que tanta falta faz às nossas crianças. Para além disso, existem alguns projectos em que estamos a trabalhar, tais como a abertura de um percurso pedestre na zona da Mãe D´Água e a construção de um centro de observação e interpretação do Ilhéu de Vila Franca.

Carlota Pimentel

Edit Template
Notícias Recentes
“É urgente a necessidade de reduzir o número de utentes por Médico de Família”, diz Maria Teresa Albergaria
Jaime Oliveira foi um dos cinco açorianos que ao lado de Salgueiro Maia desceram de Santarém a Lisboa no dia 25 de Abril de 1974: “Tive medo…”
“Temos muita fé no Divino Espírito Santo”, afirmamos mordomos dos Remédios da Bretanha
Câmara de Ponta Delgada estuda solução para o trânsito na Alameda de Santa Teresa
19 medalhas de ouro, 19 de prata e 18 de bronze no Campeonato Regional das Profissões
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores