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Recensão da obra literária “D. Paulo José Tavares – O Bispo Diplomata”

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa procedeu à recensão da obra literária “D. Paulo José Tavares – O Bispo Diplomata”, de autoria do escritor açoriano António Pedro Costa, que passa a integrar nas suas referências sobre a «Grande Revolução Cultural Proletária» de Macau, com análise crítica elaborada por Moisés da Silva Fernandes, investigador no Instituto Confúcio e professor daquela instituição de ensino superior.
Esta obra ajuda a estabelecer, pelos testemunhos recolhidos e pela documentação exposta, o percurso de vida deste homem essencial para o estudo da presença da Igreja Católica em Macau, como uma das instituições relevantes, durante esse período.
O lançamento da obra “D. Paulo José Tavares: O Bispo -Diplomata” teve lugar em Janeiro de 2023, em Rabo de Peixe, terra natal de D. Paulo José Tavares, na ilha de São Miguel (Açores), por ocasião da comemoração do centésimo terceiro aniversário de nascimento, evento presidido por D. Armando Esteves Domingues, Bispo recentemente empossado na Diocese de Angra.
Esta monografia constitui uma autêntica biografia de Paulo José Tavares, desde a sua infância até à idade adulta, repleta de fotografias e de testemunhos de familiares e amigos.
É recordado ser ele o mais velho de oito filhos, considerado desde cedo «muito bom aluno» (p. 17), sendo o padre Guilherme Américo quem, nas palavras da irmã, «sugeriu a minha mãe que colocasse o Paulo no seminário da ilha Terceira» (Ibidem). Todavia, o Paulo era um «camponês» e o seu «pai queria o Paulo para o ajudar no trabalho da agricultura» (Ibidem). Entretanto, um padre açoriano, que estava nos Estados Unidos da América, acabou por subsidiar os estudos de Paulo José Tavares no Seminário de Angra (Ibidem), que frequentou entre Setembro de 1931 e Junho de 1941 A hierarquia da Igreja local, nomeadamente, o Bispo de Angra, D. Guilherme da Cunha, percebeu a sua capacidade intelectual e enviou-o para Roma, para estudar Direito Canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana. Após a nomeação pelo Papa João XXIII no dia 24 de Agosto de 1961 e antes de partir, o Papa recorda-lhe as orientações exclusivas da Santa Sé para a Diocese de Macau, onde chegou a 27 de Dezembro de 1961, levando o seu irmão, padre Manuel Alfredo Tavares, um excelente especialista em latim, e seu secretário particular.
A obra de António Pedro Costa teve um grande impacto em Macau, tendo o jornal Observador elaborado uma extensa reportagem do jornalista Hugo Pinto, na sua edição de 11 de Junho de 2023, intitulada “Em 1966, Macau pegou fogo. A Revolução Cultural chinesa virou-se contra os colonos e o Governo português foi humilhado. Só a Igreja não vergou. Valeu o Bispo de Macau que resistiu aos comunistas contra a vontade do Governo português”.
Nada escapava à fúria “vermelha”, que apenas esbarrou na determinação férrea do bispo de Macau. A intransigência teve custos que Paulo José Tavares talvez não o tivesse antecipado, incluindo dissabores com o próprio governador português, que defendeu a cedência da Igreja e o afastamento do prelado. Em Fevereiro de 1968, todavia, a Diocese mais antiga do Extremo-Oriente declarava vitória: “A primeira confrontação da Igreja Católica com o Comunismo Chinês, em Macau, está decididamente ganha, graças a Deus, à energia e firmeza de D. Paulo José Tavares”.
Por seu lado, o jornal Hoje Macau, pela pena da jornalista Andreia Sofia Silva, na edição de 23 de Fevereiro de 2023, elaborou uma edição especial sobre o lançamento da obra, onde reportava: “D. Paulo José Tavares era Bispo em Macau no período do movimento “1,2,3”, em 1966, ficando para a história como a figura que estancou a penetração do maoísmo nas escolas católicas.
Lançado a 25 de Janeiro, o livro “D. Paulo José Tavares – O Bispo diplomata” conta a história de vida do eclesiástico que saiu de Rabo de Peixe, nos Açores, passou pelo Vaticano e deixou uma marca no Oriente.
Esta obra literária veio avivar a memória colectiva de tão ilustre personalidade portuguesa, que teve um papel determinante nos destinos de Macau e foi editada em Ponta Delgada, pela Pedra Pomes Edições, em 2023.

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