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“Fazer crochê em fio de malha surgiu como terapia e agora é dois em um:uma terapia e um part-time…”

Marina Sousa Torres é uma açoriana que vive e trabalha em Aveiro

Marina Sousa Torres, de 30 anos de idade é uma açoriana que está a viver em Aveiro. Naquela cidade ingressou na Universidade, em 2012, no curso de Engenharia e Gestão Industrial, mas no ano seguinte mudou para Engenharia de Materiais, terminando o mestrado em 2018. Actualmente, é responsável pelo Planeamento e Produção numa empresa de Tubos e Mangueiras, para além de fazer crochê em fio de malha, que foi “algo que surgiu como terapia e agora é dois em um: terapia e um part-time”.

Natural da freguesia da Achadinha

A nossa entrevistada é natural da Freguesia da Achadinha e frequentou a Escola Básica e Secundária do Nordeste até ao 11.º ano, mas no 12.º ano muda-se para Ponta Delgada, a fim de estudar na Escola Secundária Antero de Quental.
Depois de terminar o ensino secundário, em Ciências, ingressou na Universidade de Aveiro, em 2012, no curso de Engenharia e Gestão Industrial. Sendo um curso com o qual não se identificou “tanto, na altura”, no ano seguinte mudou para Engenharia de Materiais, terminando o mestrado em 2018.
No entretanto, esteve um ano a trabalhar em São Miguel, no Grupo Marques, mas em finais de 2019 voltou paraa Aveiro, onde agora se encontra, sendo responsável pelo Planeamento e Produção numa empresa de tubos e mangueiras, sendo o seu maior desafio diário trabalhar e gerir pessoas.
“Os meus dias, no meu trabalho são praticamente sempre diferentes e, por estar sempre a deparar-me com dificuldades e desafios, acabo por ser uma pessoa bastante ‘desenrascada’. Consigo adaptar-me facilmente a diferentes ambientes e pessoas, mas, no entanto, a minha natureza acaba por falar mais alto, de vez em quando mostrando que as pessoas das ilhas são pessoas com personalidade forte…”
O que mais lhe custa é estar longe da família, mas tenta amenizar esta realidade, contactando todos os dias com os pais. Deste modo, “tento ao máximo estar presente na vida deles, mas é muito difícil lidar com a distância. Espero, um dia, conseguir encontrar uma forma para que esta distância deixe de existir”, acrescentou.

Paixão por trabalhos manuais

Marina Sousa Torres sempre teve uma paixão por trabalhos manuais e conta que a mãe também tem bastante jeito. “No entanto, e com a correria do dia-a-dia foi algo que fui deixando para trás. No ano passado, em Julho, tive que fazer uma pausa no meu trabalho das 8h00 às 17h00, por motivos pessoais, e então com mais tempo comecei a dedicar-me ao YouTube e a aprender como fazer crochê em fio de malha. É algo que surgiu como ‘terapia’ e agora é dois em um: terapia e um part-time. É engraçado olhar para trás e ver a minha própria evolução, e isso é como tudo na vida, quanto mais nós repetimos, mais perfeitinho, vamos fazendo.”

Peças feitas à mão com amor

Até ao momento, a maior parte dos seus trabalhos são cestas, porta-chaves, porta-jóias, bases para pratos e copos, e porta-velas. Agora, está a fazer uns coelhinhos para a Páscoa.
Dos trabalhos que faz, gosta muito de juntar suculentas e reciclagem, explicando, que faz trabalhos em crochê, em que a cesta por fora é feita em fio de malha e o vaso para colocar as suculentas são recipientes que, em vez de irem para o lixo, reaproveita e coloca terra e suculentas.
“Eu sou suspeita, mas ficam lindos! Não sei se é do conhecimento de todos, mas o próprio fio de malha é feito a partir de resíduos das indústrias têxteis. São recortados em tiras e enrolados em rolos. E é por isso, que dificilmente encontramos um rolo, que não tenha um nó a unir os dois fios, ou zonas mais finas e mais grossas, bem como se torna difícil encontrar rolos do mesmo tom, espessura e textura. Daí, e para além de serem peças artesanais não existe uma peça igual à outra. São todas diferentes e especiais”.

“Existe sempre uma inspiração”

À pergunta se pensa e executa logo, responde que “existe sempre uma inspiração” por detrás das suas peças, “até porque o crochê em fio de malha é algo que hoje em dia existe em grande quantidade e não podemos ser hipócritas. No entanto, é importante que por trás de cada inspiração haja o nosso toque pessoal e, obviamente, são esses toques pessoais que fazem a diferença nas minhas peças. Estou sempre pronta para sair da minha zona de conforto nas peças que faço ou até mesmo fazer algo que nunca fiz. Adoro desafios! Também, tenho sempre o meu namorado a dar-me as suas críticas construtivas relativamente às minhas peças, aliás gostava de fazer um agradecimento especial ao meu namorado, por me apoiar e ser a pessoa que me dá todas as opiniões sinceras relativamente às minhas peças. É ele o meu braço direito, não só no crochê, mas na minha vida em geral. Também, quero agradecer à minha mãe e ao meu pai, por serem as pessoas que me apoiam em tudo. São os meus melhores amigos e sem eles eu não seria a pessoa que sou hoje”, destaca.
Até ao momento, visto que começou a aprender a fazer crochê em fio de malha em Julho do ano passado fez apenas dois tapetes personalizados. “Os tapetes que fiz foram desafiantes, essencialmente pela dificuldade em manusear o tapete conforme o diâmetro aumenta. Mas, confesso que é sentimento muito bom quando olho para o resultado final. Os tapetes em fio de malha, apesar de serem pesados, são muito confortáveis, especialmente para quem gosta de estar sentado/deitado no chão (para crianças brincarem, por exemplo).

Marina Sousa Torres ainda não expôs os seus trabalhos, porque tem uma página no Instagram: @mina_crochet, em que partilha os seus trabalhos e, também, tem um página no Facebook, que já a acompanha há já algum tempo: Cantinho da Marineidji. São as duas redes sociais que tem para partilhar os seus trabalhos e, também, vai mostrando às pessoas mais próximas os trabalhos que vai fazendo. “O passa a palavra é muito importante nestes pequenos negócios”.
Sendo ela da área da Engenharia, revelou que criou um ficheiro para compilar toda a informação do seu negócio: @mina_crochet.
“Consigo dizer, que de Outubro a Dezembro de 2023 fiz um total de 71 trabalhos. Em Janeiro e Fevereiro deste ano fiz 20 peças. Tenho alguns projectos novos em mente, em breve irei partilhá-los e espero conseguir que as minhas peças chegam a mais pessoas”.

Trabalha e estuda
como fazer peças para crianças

O futuro a Deus pertence, mas Marina Sousa Torres diz estar “a trabalhar e a estudar como fazer peças para crianças. Lançaram-me o desafio de fazer uma muda fraldas e eu estou a estudar fazer um conjunto inteiro para um quarto de bebé, nomeadamente a alcofa, muda fraldas, tapete, cesto para roupa suja ou brinquedos, cestos para cremes, fraldas, etc. Podem ficar atentos à minha página, que depois irei partilhar o fruto deste meu projecto. Também, gostava de aperfeiçoar e arranjar caixas com o meu logo, para enviar as minhas peças e cartões para promover o meu negócio. Coisa que também tenho vindo a estudar e a trabalhar, mas o dinheiro tem de ser bem gerido e consoante o decorrer do tempo, irei evoluir”.
Marina faz trabalhos para cada época do ano e tem adaptado sempre as suas peças a diferentes épocas do ano. Aliás, diz que pretende fazê-lo sempre. Uma óptima opção para uma pessoa oferecer à sua cara-metade cheia de chocolates”. (Já está a dar ideias para o próximo ano).
No que toca a cores, todas as cores são suas preferidas. “Quando vou comprar linhas novas fico perdidamente apaixonada por todas as cores e a imaginar mil e quinhentos conjuntos com as mil e quinhentas cores. Normalmente, no primeiro passo, em que o cliente me está a falar do que pretende, gosto sempre de lhe perguntar qual a cor que quer. Assim já vou às compras com um objectivo e assim não tenho tanta tendência a sair da minha lista”.
Para além do trabalho e do crochet, diz, que quem corre por gosto não cansa, porque “para além de fazer as tarefas domésticas” (que já nos rouba bastante tempo) gosta muito de ler. “O ano passado consegui ler 30 livros e este ano o meu irmão lançou-me o desafio de ler 35 livros. Tornou-se mais difícil ler com tanta frequência quando comecei a dedicar-me ao crochê, mas quando nós gostamos de verdade, conseguimos arranjar sempre uma forma. E como se costuma a dizer «quem corre por gosto, não cansa», neste momento estou a ler 7.º livro de 2024. Gosto de ler essencialmente Young-Adult. Gosto de ler aqueles romances adolescentes pirosos previsíveis, em que o rapaz é o bad boy e a rapariga é a ‘santinha’. Também, pratico desporto, vou três vezes por semana ao ginásio e no Verão do ano passado comecei a jogar ténis com o meu namorado.
Aproveito a oportunidade para agradecer às pessoas que confiam no meu trabalho e que acreditam em mim. Sem eles, não existia a @mina_crochet em diferentes casas e mal posso esperar por ver ainda em mais casas”.

Marco Sousa

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