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Reitora da Universidade dos Açores considera José Braz “embaixador” do empreendedorismo açoriano

Cerimónia de Doutoramento Honoris Causa

A Reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, considerou ontem que José Manuel Braz, que ontem recebeu o título Honoris Causa em Ciências Empresariais, “é um cidadão activo e o empresário cuja tenacidade, visão estratégica, capacidade empreendedora de inovação e de liderança constituem activos fundamentais na promoção do desenvolvimento social e económico da nossa Região e do nosso país”.
“O engenheiro José Braz é reconhecidamente um dos mais bem-sucedidos empresários dos Açores, responsável pelo crescimento e consolidação de um importante grupo empresarial com 70 anos de história, em particular nos sectores agro-alimentar e do turismo, tão relevantes para a economia da nossa Região”, afirmou a Reitora.
Considerou que a presença de José Braz entre os Doutores Honoris Causa da Universidade dos Açores “constitui um estímulo à expansão das parcerias entre a academia e o sector empresarial que o PO Açores e a actual política de concessão de bolsas de doutoramento em contexto empresarial permitirão certamente aprofundar”.
“Acresce que a atribuição deste título a um empresário da Região sublinha a capacidade e a visão empreendedora que, mal-grado os constrangimentos conhecidos, florescerem nas nossas ilhas, disse”.
E neste contexto, considerou que José Braz “não deixa de ser o embaixador do empreendedorismo açoriano, demonstrando que o talento e inovação podem prosperar neste arquipélago atlântico e são capazes não só de competir como mesmo de liderar num mercado mais alargado”.
“É pois também nossa expectativa, que a atribuição do título de Doutor Honoris Causa ao Engenheiro José Braz constitua uma fonte de inspiração para os estudantes, motivando-os a perseguir a excelência e a contribuir para o desenvolvimento colectivo e a confiar que o investimento que fazem na sua formação, os conhecimentos e as experiências adquiridos na nossa instituição podem constituir-se trampolins para abraçar projectos e carreiras de sucesso para a realização pessoal e profissional e o desenvolvimento colectivo”, disse a Reitora.
No entende de Susana Mira Leal, a Região “precisa de profissionais qualificados e comprometidos. De jovens empreendedores e criativos com energia e resiliência para agir. Capazes de enfrentar os desafios e dos transformar em oportunidades, aptos a transformar o erro em aprendizagem. Determinados em fazer a diferença e em contribuir para o futuro da nossa Região e dos que cá decidem ficar”.
E dirigindo a José Braz, afirmou que a concessão do título Honoris Causa pela Universidade dos Açores “estreita a sua relação com a nossa academia e desafia-nos a nós a encontrar novas formas de participar no nosso projecto colectivo de desenvolvimento.”

Mário Fortuna “apadrinhou”
o título Honoris Causa

Mário Fortuna considerou o que o percurso profissional, político e cívico de José Manuel Almeida Braz “tem uma importância significativa para o desenvolvimento dos Açores, dando ele um contributo importante para o conjunto do país na área económica e empresarial, constituindo uma referência.”
Mário Fortuna, que apadrinhou a atribuição do doutoramento Honoris Causa pela Universidade dos Açores a José Braz, realçou que dos aspectos “fundamentais” do percurso profissional do empresário, “distingue-se, de forma muito evidente, a componente empresarial e de gestão, tendo ao longo da sua carreira construído um grupo empresarial de referência na criação de emprego, na adopção de boas práticas de gestão, na sensibilidade ambiental e social e na diversificação da economia”.
“Acrescem”, prosseguiu o orador, “as boas práticas na criação de marcas e na adopção de estratégias económica, social e ambientalmente sustentáveis”.
Afirmou Mário Fortuna que, “para além do relevo da obra desenvolvida na vertente empresarial”, José Braz “tem sido sempre um cidadão activo, envolvendo-se em diversas actividades políticas e cívicas, nas quais se inclui o exercício das funções de Presidente do Conselho Geral da Universidade dos Açores”.
O orador começou por explicar que um doutoramento Honoris Causa atribui-se a alguém que, ao longo da sua vida activa, “evidenciou um elevado mérito académico ou profissional a que se associa também o mérito do seu desempenho cívico”.
Abordou, de forma sucinta, a atribuição do título Honoris Causa a João Bosco Mota Amaral, em Economia; e a Belmiro de Azevedo, em Gestão.
Esclareceu que os atributos valorizados para a atribuição de um doutoramento Honoris Causa nas áreas de actuação das ciências económicas ou das ciências empresariais são, entre outros, o desempenho profissional e o exemplo de cidadania, de empreendedorismo e de gestão. “Apela-se não só às concretizações profissionais como também aos valores defendidos e à forma como elas se materializam para constituírem um exemplo para os mais jovens e para a sociedade em geral,” afirmou.

O empreendedor e o gestor

Com a licenciatura em Engenharia Químico-Industrial no Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa, José Braz fixou-se em São Miguel e iniciou o seu percurso empresarial “muito cedo”, em 1974, aos 28 anos de idade, fundando, juntamente com outros sócios, várias empresas do ramo agro-alimentar, tanto de produção como de transformação e industrialização, culminando na constituição do Grupo Finançor.
A partir desta data, José Braz “desenvolveu uma estratégia de sucesso de fusões e aquisições no sector agro-industrial dos Açores, construindo a pouco e pouco um grupo empresarial que, não só se foi desenvolvendo neste sector de partida, mas foi-se ainda diversificando para outras áreas e outras geografias, abarcando, na actualidade, ainda sob o comando do seu obreiro, sectores como o turismo, a distribuição alimentar e a aquicultura, mesmo que ainda na fase de investigação”.
Mário Fortuna realçou o desempenho de José Braz como “como empreendedor por um lado e como gestor, por outro”.
Como empreendedor, “teve a ambição e a ousadia para ir cada vez mais longe no desenvolvimento de empreendimentos, primeiro em áreas afins à fileira agro-alimentar e, depois, em áreas de evidente diversificação”.
“O empreendedorismo”, realçou, “é um atributo que é, hoje, muito valorizado pela percepção de que é com empreendedorismo que as sociedades se podem desenvolver e alcançar níveis mais elevados de bem-estar”.
José Braz, considerou, “é um testemunho claro do que é ser empreendedor, com sucesso, ultrapassando as mais diversas adversidades e continuando, sempre com ambição, a procurar novos desafios. Esta característica de ambição empreendedora está bem patente não só no alargamento da sua actividade no ramo agro-alimentar como também na diversificação que planeou para as áreas do turismo e da distribuição, a mais recente”.
Afirmou que nos currículos universitários, na área das ciências económicas e empresariais, “ensinamos a teoria da diversificação de carteiras para a atenuação do risco” e, neste enquadramento, “o empreendedor Eng. José Manuel Braz traz-nos um exemplo prático de como isto se faz no meio empresarial.” E “é, por mais esta razão, um exemplo que deve servir de inspiração aos nossos alunos”.
Mas, como afirmou Mário Fortuna, o empreendedorismo “não basta para se criar e manter instituições de sucesso. A boa vontade e a ousadia do empresário só são bem-sucedidas quando existe capacidade de gestão”. E a gestão “é uma arte que assenta na adopção de boas práticas no processo de implementação de decisões e projectos. As boas práticas são a busca por bases de decisão fundamentadas em conhecimentos sólidos que se utilizam quando se os tem e que se procuram quando se não os tem, constituindo equipas de colaboradores e recorrendo a apoios externos sempre que aconselhável. São muitas as decisões fulcrais que têm de ser tomadas todos os dias na determinação do rumo mais acertado em contextos que têm sido tudo menos estáticos”, completou.
“É importante associar a inovação à tradição e isto, o gestor, soube muito bem-fazer ao longo da sua carreira”, relevou. Ouro dos realces dados por Mário Fortuna foi à gestão e ao desenvolvimento de marcas no grupo empresarial de José Braz. Distinguiu o empenho do grupo empresarial na política de sustentabilidade das empresas e na abordagem do “eterno problema da sucessão em empresas de base familiar”.
Mário Fortuna valorizou as distinções do ao nível da sustentabilidade, considerando, por outro lado, que “sempre foi defensor da paz social nas empresas e procurou um relacionamento estreito com os trabalhadores e sindicatos de que são exemplo diversos acordos de empresa e uma política de prémios de desempenho desde o final dos anos 80, há 34 anos”.
“Mas, as pessoas não são eternas tornando-se imperativo salvaguardar a sucessão, um problema permanente nas empresas de base familiar. Muitas têm sido as teses desenvolvidas à volta deste tema na academia. Diria que o nosso homenageado poderia também contribuir com ensinamentos nesta área, pela forma escorreita como preparou a sua sucessão”, disse Mário Fortuna. Falou de outras dimensões em que o empresário tem “vasto” currículo e realçou o seu percurso político, tendo sido José Braz mandatário de três candidaturas, “bem-sucedidas”, a Presidente da República: a de Mário Soares, em1990, e as de Jorge Sampaio em 1995 e em 2001.
Abordou o percurso cívico de José Braz, nomeadamente, a presidência do Conselho Geral da Universidade dos Açores entre 2014 e 2017. Este é um contributo cívico que “não poderíamos deixar de sublinhar pela dedicação e empenho que aplicou no desempenho destas funções, generosamente em prol desta instituição”, disse Mário Fortuna.
Referiu-se aos múltiplos reconhecimentos de que o empresário foi “merecedor” e deixou claro que, “se o registo das concretizações do Eng. José Braz na esfera empresarial, cívica e política são por si só suficientemente relevantes para a atribuição do doutoramento Honoris Causa em Ciências Económicas e Empresariais, acrescentam-se os aspectos qualitativos da sua intervenção pública, de entre os quais se realçam o contínuo enfoque na responsabilidade perante a sociedade e a antecipação de tendências positivas como as que estão inerentes ao desenvolvimento sustentável”.
José Braz, no entender de Mário Fortuna, “imprimiu sempre elevados padrões éticos no desempenho das suas iniciativas empresariais, constituindo uma referência importante na área da economia empresarial”.

José Braz deixou
“dicas” à Universidade

Já como Doutor Honoris Causa, José Braz “deixou algumas dicas” à Universidade dos Açores pela experiência que adquiriu ao longo da sua vida profissional “e com o que tenho ouvido de pessoas que considero muito respeitáveis e com boas ideias”.
Afirmou, em sequência, que “se quisermos contribuir para um futuro melhor no nosso país, devemos ter consciência que devemos todos mudar a nossa atitude e aumentar a nossa ambição, ou seja, deveremos sempre privilegiar a cooperação e a partilha de ideias”.
“Também deveremos partir do princípio que os gestores não sabem tudo, mas a Universidade também não é dona de toda a verdade. A aprendizagem faz-se ao longo de toda a vida. A Universidade deveria ter autonomia suficiente para poder fazer currículo adaptado às necessidades das empresas. A Universidade deveria ter cursos para gestores seniores”, firmou.
Na sua opinião “são necessários doutores nas empresas e gestores a dar aulas nas universidades. Bons professores na Universidade são verdadeiros masters para toda a nossa vida futura. É preciso facilitar a vida a todos os jovens que saem das universidades para continuarem a dar o contributo ao nosso país e não sentirem necessidade de emigrar”, sublinhou.
Considerou que, na vida empresarial “ninguém realiza nada sozinho. Só o trabalho em equipa permite inovação, rentabilidade, sustentabilidade, numa palavra êxito,” completou.
E terminou a sua intervenção afirmando que “a maior lição que tirei da minha vida, e permitam-me que cite Mahatma Ghandi: “quem não vive para servir, não serve para viver”.

Preocupação com a sustentabilidade

Na sua intervenção, o empresário avançou com alguns números referentes a 2023, “sendo a Finançor um grupo constituído por empresas de produção de bens transaccionais”. No ano passado, o grupo empresarial produziu dois milhões de frangos correspondentes a 2.500 toneladas de carne de frango; dois milhões de dúzias de ovos; 4.200 porcos equivalentes a 3.600 toneladas de carne de porco, quatro milhões de litros de leite; 1.500 cabeças de gado bovino, equivalentes a 350 toneladas de carne. 11.000 toneladas de farinha para panificação e uso culinário. 140.000 toneladas de rações para animais e 310 toneladas de bolachas, o equivalente a 3.2 milhões de pacotes das ditas. Realçou, em sequência, que o Grupo Finançor, “para crescer e ter um lugar de relevo na economia açoriana teve sempre uma preocupação especial com a qualidade dos seus produtos e com a satisfação dos seus clientes e consumidores”. Por isso, no ano de 2005, a Finançor concluiu a certificação de um sistema de qualidade, Norma 9001 e o sistema alimentar HACCP. Referiu que, nos últimos anos, e com “o aumento das preocupações a nível mundial da sustentabilidade, a Finançor demonstrou que este já era há muitos anos um tema central na sua estratégia e em 2022 foi pioneira na nossa Região ao elaborar o primeiro relatório de sustentabilidade de uma empresa privada onde pode apresentar o nosso compromisso com esta nova economia, onde tentamos conciliar a nossa ambição, capacidade de inovação, vontade de investir, criatividade e integridade com a sustentabilidade. Este é um caminho que todos teremos de percorrer, em todos os aspectos da nossa vida para podermos ter esperança num futuro melhor para o planeta que habitamos”, disse.
Realçou que a ciência, a transição digital e a criatividade do ser humano “terão um longo caminho a percorrer até eliminarmos muitas práticas que são prejudiciais ao ambiente”. E, a propósito, deu um exemplo de uma prática com que diariamente “nos confrontamos e que provavelmente não nos damos conta do péssimo impacto que tem na natureza. Estou-me a referir que cada vez que fazemos uma compra, recebemos um ticket em papel. Mas se pagarmos com o nosso cartão de crédito em vez de um, recebemos dois tickets em papel. Quando vamos comer um bolo ou tomar um café, mais um ticket, mas quando vamos ao supermercado, recebemos um lençol. Isto tudo junto para um país como Portugal, com 10 milhões de habitantes, representa um consumo anual de 25.000 toneladas de papel correspondente a 4 milhões de árvores e 3.000 milhões de litros de água. Números que o empresário leu na revista francesa Cience et Vie. “A minha pergunta é, nesta era digital, não há ninguém que consiga acabar com isto? Todos devemos ter consciência que o plantar de árvores poderá afinal ser uma boa prática para a fixação do CO2 e que, provavelmente, será algo que estará ao nosso alcance para rapidamente podermos melhorar o ambiente”.

Um passo em direcção ao mar

José Braz falou do passo que o grupo empresarial “deu em direcção ao mar” e nasceu a Aquazor de produção de peixe em aquacultura. “Mas, no entanto”, afirmou o empresário, “esta produção tem revelado dificuldades acrescidas. Por falta de acesso a todo o know how necessário ao seu cabal desenvolvimento”. E, a propósito, voltou a desafiar a Universidade dos Açores: “era de todo interessante e importante uma maior participação entre ciência, Universidade dos Açores e empresa, a Aquazor. Será uma pena desperdiçar todo o capital já investido se não formos capazes de ultrapassar esta barreira”, disse.
Mas, prosseguiu, “voltando à terra, local onde habitualmente nos sentimos mais à vontade. Durante o ano de 2019 concluímos um projecto deveras importante tendo construído e equipado uma nova moagem de trigo que assegurara, por muitas dezenas de anos, a produção de farinha de trigo em São Miguel. Também concluímos uma nova bolacharia onde continuaremos a fabricar, entre outras, as tradicionais bolachas Maria, Água e Sal e Mulata. Tendo esta última um verdadeiro potencial de exportação que estamos actualmente a incrementar em vários mercados”.
“Mas foi no ano de 2020”, referiu, que “podemos considerar que colocamos a cereja no topo do bolo. Adquirimos os supermercados Sol-Mar e Cash and Carry Recheio. Ainda neste ano estabelecemos uma parceria com o Grupo Jerónimo Martins, líder deste sector em Portugal, para podermos ter acesso a um central de compras e ao know how indispensável ao desenvolvimento de uma cadeira de supermercados moderna, eficiente e sustentável. Para isso temos vindo a implementar um ambicioso planos de investimentos que nos permitira não só a requalificação de todas as lojas existentes como expandir o negócio sempre sob a insígnia Pingo Doce”.
José Braz começou a intervenção fazendo uma série de agradecimento pelo doutoramento Honoris Causa, título que partilhou com a família que “sempre me apoiou”.
Referiu-se aos filhos “Barbara, Romão e genro Luís, que têm funções de administração nas empresas e à minha mulher Ilda que também é Presidente da Assembleia Geral da Finançor. E com os meus netos Filipa, Romão, Guilherme e Emanuel que espero dentro de pouco tempo já possam dar o seu contributo à sociedade mas também sobretudo aos nossos colaboradores porque sem eles eu não poderia estar aqui hoje a receber esta maravilha distinção”. Deixou claro que a sua vida de empreendedor “começou com o convívio com o meu sogro, o senhor Dionísio Raposo Leite, um homem que era muito inteligente, sempre pronto a investir, sem medo e para quem o insucesso não existia. Foram estes, afinal, os ensinamentos que viriam a ser determinantes em toda a minha vida empresarial futura”. Uma história que começou em 1970 e que descreveu, em traços largos, ao longo da sua intervenção.

J.P./F.F./D.C.

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