Edit Template

“A população ajuda e não é preciso pedir porque as pessoas batem à porta e contribuem”

Paulo Carreiro, tem quase 40 anos de idade é um dos membros da Irmandade da Santíssima Trindade do Porto Formoso há 20 anos e responsável por organizar um evento importante na freguesia, no final de Maio.

O nosso entrevistado é, de igual modo, o Presidente da Casa do Povo do Porto Formoso e membro do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça, da freguesia.
A Irmandade da Santíssima Trindade do Porto Formoso é um grupo que reúne devotos e admiradores da tradição religiosa e cultural da ilha de São Miguel.
No final do mês de Maio, são quatro dias de festa, após uma dedicada e empenhada preparação para esses dias, que vão contar, como habitualmente acontece, com a presença de emigrantes, que regressam com muitas saudades.
Paulo Carreiro está há 20 anos como membro da comissão das festas. “Costuma-se dizer, que a fé é uma força poderosa que impulsiona, nos inspira e nos dá esperança. É preciso ter gosto para estar numa Irmandade destas, tenho fé no Espírito Santo e na Santíssima Trindade aqui do Outeiro”.

“Faço o que faço por gosto”

“Faço o que faço por gosto, mas nessa grande festa também consigo apreciar de fora, porque gosto apreciar o empenho de todos os membros da Irmandade da Santíssima Trindade do Porto Formoso”.
São dez, os elementos da Irmandade, quase todos familiares. “Eu entrei, outros saíram, mas depois vieram outros e fomos sempre ficando, até aos dias de hoje”.
A logística da festa é uma componente crucial para o sucesso de qualquer evento, abrangendo todo o processo de planeamento, execução e finalização do evento. “Trata-se da obtenção de licenças, onde também é preciso contactar conjuntos musicais e ter cuidado com a questão relacionada com os direitos de autor”.
Do mesmo modo, prepara-se as Sete Domingas, que começa a 31 de Março, que é o Domingo de Páscoa, e nesse dia já abre o primeiro quarto do Espírito Santo, mas depois durante sete semanas, há um novo quarto do Espírito Santo a abrir, em casa de pessoas diferentes, onde todos os Domingos, durante essas sete semanas, a Coroa do Espírito Santo vai à Igreja e faz-se uma pequena procissão todos os domingos.

Programa para todos os gostos

Durante os quatro dias da festa, dia 31 de Maio, 1, 2 e 3 de Junho há programas para todos os gostos, a começar na Sexta-feira, dia 31, com pula pulas para crianças e a festa da espuma.
No Sábado, a partir das 13 horas, são distribuídas as saborosas Sopas do Espírito Santo, que não são só sopas, mas também a carne guisada, iguarias confeccionadas em lume de lenha, que vão verdadeiras jóias gastronómicas, preparadas com carinho pelas gentes da freguesia, que preservam e valorizam sabores transmitidos através de várias gerações. Para além de tudo isso, há também chicharros, inhames e arroz doce e toda uma variedade de sabores gastronómicos.
Paulo Carreiro diz, que “no passado, a comissão das festas comprava uma vaca, desmanchava e distribuía de porta em porta para aquelas pessoas confeccionarem a comida. A população contribuía com batatas e fazia o arroz doce ou um bolo e hoje em dia isto ainda continua mas, já não compramos uma vaca, apenas compramos uma boa porção de carne. No entanto, a sopa somos nós que confeccionamos. Somos cinco impérios na freguesia do Porto Formoso e cinco impérios numa freguesia como a nossa é preciso as pessoas gostarem muito para se empenhar, da forma como se empenham. A população ajuda e não é preciso pedir porque as pessoas batem à porta e contribuem”.

Sopas de peixe também

Cinco panelas grandes normalmente asseguram que haja sopas para todos, incluindo os visitantes, mas no Porto Formoso são também conhecidas as sopas de peixe.
O Império da Irmandade da Santíssima Trindade do Porto Formoso tem mais 100 anos de história. “Temos uma coroa com mais 100 anos de história. Vou fazer 40 anos e quando era criança já coroava com aquela coroa. Essa coroa só sai uma vez por ano, no dia do Império, porque a última vez que ela foi para uma ourivesaria foi-nos comunicado que é uma relíquia, que já não se encontra. Entretanto temos outra, que nos foi oferecida”.
Ligado à Casa do Povo, à Irmandade, ao Grupo Folclórico, Paulo Carreiro também faz teatro, mas nos seus poucos tempos livres, revela que “gosta de andar pela freguesia” e gosta “de fazer trilhos, da natureza e do mar”, que são “pequenas e grandes coisas” que faz, quando lhe “sobra algum tempo”.

Marco Sousa

Edit Template
Notícias Recentes
Mulheres em situação de sem-abrigo em São Miguel estão “em profundo sofrimento psicológico pela situação em que vivem”
Sónia Melo distinguida com o Prémio Cinco Estrelas Regiões na categoria chef privada
“O folclore é sempre o parente mais pobre da cultura”, afirma Filomena Loura, Presidente do Grupo Folclórico da Lomba do Cavaleiro
Tem crescido o número de caravelas-portuguesas avistadas nas zonas balneares do continente e Açores
Comunidade açoriana de Rhode Island apela a David Neeleman para a Breeze Airways fazer voos directos para os Açores
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores