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Crónica da Madeira: Francisco Fernandes. O escritor.O poeta. O homem.

Há anos que conheço o Dr. Francisco Fernandes, um daqueles madeirenses que todos os seus compatriotas deviam se orgulhar, não só pela pessoa humana que é, dotado de uma alma retratada nos seus olhos de cidadão de um mundo mais vasto, onde peregrinam as inúmeras qualidades que definem, de forma inequívoca, a sua personalidade, mas também pelo escritor cuja sensibilidade, inteligência se atestam na sua escrita, cujas palavras estão marcadas com o cunho da sua imensa sabedoria, ganha nas diversas experiências profissionais e nos estudos que realizou, sempre tendo em vista ganhar os alicerces que o levassem a defender e a transmitir às áreas a que se dedicou.
Às vezes, não sei como o tratá-lo: se pelo Sr. Prof, pelo Sr. Administrador ou pelo Sr. Secretário. Foram inúmeros os cargos que desempenhou que refletem o brilhantismo e a competência de um trabalho sempre exaltado pelos seus amigos e alunos. Ele foi um daqueles professores que marcou os alunos para sempre, porque cada um deles foi sempre a conquista de um novo amigo, independentemente das suas idades. Para avaliarem, os meus possíveis leitores, da personagem de quem me ocupo, trago-o às páginas deste diário.
Traçarei, em breves palavras, o seu perfil: tem um doutoramento no Ramo da Motricidade Humana, pela Universidade de Lisboa; Mestrado em Gestão de Desporto, pela Universidade de Lisboa; Licenciatura em Finanças, pela Universidade de Lisboa; Técnico Oficial de Contas, Docente de Cursos Especiais de Estatística, Diretor Adjunto dos Aeroportos da Madeira e presidiu muitas outras instituições. Em 2011, perante a sua formação académica e diversidade do seu conhecimento, a Universidade de SanctiSpiritus, Itália, distinguiu-o com o Doutoramento Honoris Causa em Administração Pública. É atualmente Presidente do Conselho Geral da Universidade da Madeira. É uma voz sempre escutada nos setores da educação, da cultura e da economia.
Os seus livros são de uma qualidade excecional, pelo cuidado, pela escrita, pela informação honesta. Evidenciou-se, como biógrafo, com as biografias do General José Vicente de Freitas – A Liberdade de Pensar e a de Francisco Herédia, Visconde da Ribeira Brava, revolucionário e autonomista; Cem Anos de Olimpismo – Olímpico da Família Herédia; Coronel Nepomuceno de Freitas, das Trincheiras da Flandres à Gestão dos Hospitais Civis. Na área da Investigação, fez um trabalho notável: Desporto e Autonomia Insular – Fatores de desenvolvimento económico e social. Outras obras: Cartas de Divagação; Memória do Mar. Na literatura infantil publicou dezoito livros. No romance: O Enigma do Palácio, O Enigma da Casa das Mudas e mais outros dois. Na poesia publicou cinco excelentes obras. Participou em onze coletâneas. Pelos seus trabalhos foi distinguido com vários prémios e menções honrosas.
No ano 2000, o escritor, o dramaturgo, o poeta Francisco Fernandes foi convidado, por Alberto João Jardim, a integrar a sua equipa governativa onde permaneceu até o ano 2011. Convivendo mais de perto com ele, pude admirar as suas muitas qualidades e os múltiplos gestos dirigidos aos outros, aos quais nunca fechou a porta do seu gabinete, ouvindo todos com respeito e tentando sempre resolver os seus problemas. Com a riqueza do seu humanismo exemplar, conquistou professores, alunos e até políticos dos partidos da oposição. Francisco Fernandes foi um dos mais ativos e competentes Secretários da Educação desde o início da autonomia da Madeira, tendo não só se evidenciado na concretização de iniciativas com as quais muito beneficiaram os professores e os alunos, mas também traçando diretrizes e facilitando-lhes a vida, dando-lhes a liberdade de criarem.
Durante os sete anos em que tive o privilégio de estar, com ele, na mesma equipa governativa, pude admirar da sua imensa generosidade para com os demais, a sua grande lealdade com os colegas, a paciência de ouvi-los nos múltiplos problemas, a sua honestidade intelectual e sobretudo o seu querer ajudar todos, independentemente dos seus credos políticos.
A sua escrita transparente, com conteúdos onde as palavras ditam da beleza da sua alma de homem vivido entre tantas experiências e uma atualização constante de tudo o que rodeia, nas diferentes áreas; um saber permanente para uma valorização pessoal. Tudo o que as palavras possam exprimir é pouco para dar o perfil de uma personalidade com destaque nos meios culturais, da ilha, do país.
Encontrei o escritor, o poeta, terça-feira última na Feira do Livro do Funchal. Estava ali para falar do seu amigo, destacado poeta madeirense José António Gonçalves, cujos filhos Marco, Anastácia e Ana, também estavam ali com sua mãe, Gilda Gonçalves, viúva do referido poeta, para apresentarem um livro deixado pelo José António. Por duas vezes, o Francisco comoveu-se ao descrever as diferentes facetas da vida do prestigiado poeta, que eu considero dos melhores da Madeira. Foi uma cerimónia muito sentida, envolvendo todo o público numa comoção.
A sua escrita para as crianças é de uma beleza indiscutível, tem o encanto de atrair as crianças para histórias muito bem elaboradas, com vista a entusiasmá-las e fazê-las pensar. Um dia perguntei a uma criança se ela gostava dos livros do Prof. Francisco, respondeu-me: “são uma delícia”.
O Escritor Francisco Fernandes, pelo seu grande trabalho no governo, pelo seu contributo na cultura, enriquecendo-a com as suas investigações, estudos e biografias, com os seus livros de prosa e poesia, merecia ser distinguido com uma condecoração adequada à sua ação. Infelizmente, ainda não o fizeram, o que é uma grande injustiça.

João Carlos Abreu

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