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O regresso inesperado de um Senhor do futebol

A notícia deste jornal sobre a jornada 12 do Campeonato de São Miguel de futebol dava conta da presença no banco de suplentes do Santiago FC de Manuel António Martins no jogo com o Vale Formoso, realizado nas Furnas.
Apurei estar a colaborar na equipa técnica da formação sénior, num trabalho conjunto com o ex-atleta Ludejro e com o presidente da direção, Otávio Cabral.
O que motivou uma pessoa com 69 anos de idade regressar aos treinos 36 anos depois de os ter interrompido para assumir a presidência da Associação Agrícola de São Miguel? Na conversa que mantivemos disse-me “ser a paixão pelo futebol”.
Manuel António iniciou o trabalho de campo em 1974 como adjunto do treinador João Gualberto Arruda nos juniores do Operário. Seguiram-se a extinta equipa da Provimi, juniores e seniores do Operário, mantendo-se nas equipas principais do Desportivo de Vila Franca, Águia dos Arrifes, Santiago FC, Micaelense FC e Vasco da Gama. Em 1988, no clube vilafranquense concluiu aquela que seria a primeira etapa como treinador. No currículo constam as conquistas da Taça de São Miguel pelo Desportivo Vila Franca (vitória sobre o Santa Clara por 1-0) e campeão da Segunda Divisão pelo Águia e pelos juniores do Operário.
Seguiram-se outros 14 anos, mas na área política. Um desafio que abraçou após um convite aceite, derivado, essencialmente, da postura pública como treinador. Foi deputado pelo PS, tornando-se independente. Em 2000 assumiu a presidência do Operário, o clube da agora cidade natal. Esteve dois anos. Uma passagem que não deixou saudades e que o marcou para os anos seguintes.
Quando deixou o futebol dedicou-se a 100% à actividade de empresário agrícola até entrar na reforma depois de ter vendido toda a lavoura e respectivos acessórios.
Foi a altura de voltar a estudar. Tirou o curso de formação profissional de intervenção em psicologia social e comunitária no Instituto de Mentes Avançadas, em Lisboa, e voltou a estudar futebol. Tem o nível UEFA A, grau III, reconhecido e rectificado pela Federação Portuguesa de Futebol e pelo Instituto Português do Desporto e Juventude.
Conheço Manuel António Martins desde o início da minha carreira de jornalista. Era e é um Senhor do futebol. Numa altura onde a informação disponível era escassa, soube implementar treinos apelativos com diferentes conceitos.
Era frontal nas declarações. “Comprou” algumas guerras mas, mais tarde, formalizou amizades que ainda perduram.
Acredito que Manuel António será um bom apoio no projecto do Santiago FC. Nunca se é velho para reiniciar uma paixão. Pelo contrário. Todo o conhecimento que as agruras e as virtudes da vida nos dão, são úteis para uma juventude a necessitar de muita psicologia.
O FUTEBOL FEMININO está na moda. A avidez da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em obter um número de inscrições cada vez maior para dar largas à sumptuosidade do trabalho neste sector, leva ao fomento de campeonatos nacionais e associativos. Interessa, é colocar as meninas e as seniores a jogarem, independentemente do jeito, da forma física, das condições, das goleadas (o Angrense em 6 jogos com o Vilanovense marcou 90 golos e não sofreu um), etc.
As alterações aos modelos competitivos a partir da nova época, a fim de seleccionar a qualidade, são acompanhadas com verbas de 7 milhões e 800 mil euros para os clubes nos próximos dois anos. Naquela casa dinheiro não tem sido problema.
As Associações são igualmente aliciadas para inscreverem jogadoras de futebol. No âmbito da Associação de Angra a aposta resultou na época passada na categoria sénior: 6 equipas na Graciosa, duas na Terceira e duas em São Jorge, praticando futebol de 9. Nesta época, com a introdução de futebol de 11, apenas duas equipas na Graciosa e duas na Terceira.
A AF Horta pôs em prática em 22/23 futebol de 7 sénior, com 4 equipas (3 do Pico) e nesta temporada futebol de 9 com 5 equipas (duas do Faial).
A AF Ponta Delgada ainda não acertou com o futebol, quando o futsal sénior passa novamente por um período de pouco fulgor. Falta uma forte promoção nas escolas.
Em 22/23 houve duas equipas de juvenis que não estão em atividade nesta época (Desp. Rabo de Peixe e Juventude das Capelas). Na época que decorre o Vitória do Pico da Pedra apresenta duas equipas de infantis e duas de juvenis, que vão competindo entre si.
Ao nível sénior surgiram o Bota Fogo e o Desportivo de São Roque. Disputaram o torneio de Abertura. Por alegada falta de apoio da direcção, terminou em Dezembro a equipa de São Roque.
Eis que, sem estar inscrita no início da época, em mais um atropelo regulamentar e estatutário, surge o Águia dos Arrifes como substituto. Do São Roque transitaram a treinadora e 7 jogadoras na prática do futebol de 9.
Se a AFPD não alterar a estratégia de promoção, mesmo com fraca qualidade, o futebol feminino na ilha de São Miguel dificilmente crescerá, enquanto o futsal definha.
NATAÇÃO AÇORIANA EM CRISE é a opinião do experiente treinador e coordenador de há muitos anos da equipa do Núcleo do Sporting da Ilha Terceira, após a realização há uma semana, na Praia da Vitória, do Campeonato Regional de Categorias, equivalente aos escalões de Infantis A e B, de Juvenis A e B, de Juniores e de Seniores, ou seja a partir dos 12 anos de idade.
Paulo Ferrão refere ter sido o campeonato “mais fraco dos últimos anos, com poucos atletas a competirem por escalão, como, por exemplo, atletas a serem campeões regionais sozinhos no pódio”, terminando com o desabafo de “é a natação que temos neste momento na Região”.
Efetivamente das 173 classificações ocorridas de todas as categorias, em quarenta e duas só houve um nadador classificado, sendo, por isso, campeão Isolado, e em 30 surgiriam dois atletas no pódio. Como os nadadores foram agrupados sem distinção da categoria, ao longo dos três dias disputaram-se 65 provas.
Participaram 115 nadadores dos 9 clubes açorianos, sendo 63 masculinos e 52 femininos. O Clube de Actividades Físicas dos Bombeiros de Ponta Delgada apresentou 25 atletas, o Clube Naval da Praia da Vitória 18 e o Núcleo do Sporting da Terceira 16.
Foram muitas categorias só com um nadador em prova. Não tem sido assim. Ser campeão sem oposição não agrada e até retira mérito à posição ocupada.
A natação açoriana sofre do mal de outras modalidades, com quebra de praticantes. Talvez inesperada porque estava a receber dezenas de crianças anualmente. Um momento para reflexão.

José Silva
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