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Realidades que não podem ser varridaspara debaixo do tapete

A corrida eleitoral em Portugal ainda não terminou… Cuidado com o foguetório antes da festa, porque a constância da orientação eleitoral do círculo da emigração pode ter sido quebrada desta vez.
Admito que seria um quase milagre o círculo da emigração quebrar a repartição tradicional dos 4 deputados, mas não é impossível. A votação só será conhecida dentro de dez dias, creio eu.
A dita extrema-direita tem-se notabilizado em países ou regiões de acolhimento da diáspora portuguesa. Por outro lado, mesmo que os eleitores portugueses nos círculos fora de Portugal mantenham o comportamento consuetudinário não é um mar de rosas que espera as famílias, as empresas, a governação nacional. Os desafios serão tantos que dificilmente os ordenaremos.
Veja-se: duas forças políticas parlamentares de peso quase idêntico e uma terceira nascente que fazendo maioria parlamentar anseia participar no governo. No conjunto formam uma espécie de hot spot político e perigoso.
A distância entre AD e o PS é apenas de 2 mandatos, a favor da Coligação. A Aliança Democrática venceu com uma reduzida margem as eleições legislativas alcançando 29,49% da votação global e 79 deputados. O Partido Socialista obteve 28,66% dos votos e 77 mandatos.
O Partido Chega quase quadruplicou o número de mandatos obtidos no precedente ato eleitoral. O Partido que cresceu foi indubitavelmente o Chega. Com os seus quarenta e muitos deputados faz com que direita valha mais do que a esquerda no Parlamento. Porém, ainda é cedo para afirmar que Portugal tenha virado à direita.
Não são resultados inesperados e de algum modo correspondem ao que se pôde observar ao longo dos vários dias de campanha eleitoral e aos acontecimentos antecedentes que determinaram o ato eleitoral.
Não obstante, não se me afigura que se trate de um resultado tranquilizador, muito pelo contrário, mesmo considerando que o PS tenha declarado no discurso que se seguiu ao conhecimento dos resultados que não tencionava inviabilizar o novo governo.
O PS irá preocupar-se consigo próprio, recompor-se e esperar pela sua nova oportunidade política. Caiu em votação, mas não soçobrou.
A vontade manifestada pelo partido Chega de participação no governo como terceira força política e baseada no milhão de eleitores que nele votou pode constituir uma permanente ameaça de instabilidade política. Tem de ser analisada. O número de assentos parlamentares por ele obtido é expressivo. Não desistirá de integrar de qualquer modo o Executivo.
O PS, por seu turno, espreitará o momento de intervir a contento da população procurando reconstituir a sua base de apoio. Procurará conseguir politicamente o que preconiza sem custos eleitorais subsequentes, promovendo que a rotura pela qual trabalhará disfarçadamente nunca seja considerada obra sua. O PS está em segundo lugar como Partido com quase tantos deputados como a Coligação vencedora. Na verdade, não necessita de se expor como instabilizador, esperará outros que o façam por si.
Ignorar pura e simplesmente a nova realidade – os dois fortes opositores – poderá sustentar uma permanente incerteza governativa e perturbadora da ação concreta do executivo como da reforma da administração pública que necessita de muita atenção e de conserto em vários domínios.
À Coligação – leia-se PSD – cumpre-lhe uma tarefa complexa, politicamente muito melindrosa e que não pode ser exercida emocionalmente. Não pode pensar que a sua inação, em algumas situações, poderá ser apropriada. O pior que há em política é a inação, a esperança de que algumas coisas aconteçam por si próprias. Em política, o tempo não resolve coisa nenhuma.
Não irão ser dias fáceis. A instabilidade é o que menos interessa a Portugal atento o instável e tumultuoso ambiente diplomático internacional, o agravamento das dissensões belicistas e a desconstrução do mercado globalizado.
A tão desejada estabilidade política é hoje uma miragem, em qualquer parte do Mundo.

Álvaro Dâmaso

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