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Açoriana Inês Melo vai lançar o seu primeiro livro com apoio de uma das principais editoras portuguesas especializadas em fantasia

Inês Rodrigues e Melo é uma jovem açoriana que vai lançar o seu primeiro livro, ‘Brilho Tóxico’, este mês, no dia 21 de Março, com o apoio da Saída de Emergência, uma das principais editoras em Portugal com especialização em fantasia, ficção científica e horror. Filha de uma professora de Inglês e de um empresário, Inês sempre teve um gosto pela literatura, apesar de não se ter formado na área – é licenciada em Gestão e mestre em Marketing. Para Inês, a literatura está nos seus genes por vir de uma família de professoras. Em entrevista ao Correio dos Açores” explica como surgiu o seu gosto pela escrita, o que o primeiro livro significa para si e quais são os seus planos para o futuro.

Correio dos Açores – Como surgiu a ideia de escrever um livro de ficção?
Inês Rodrigues e Melo – Desde muito nova que sou uma leitora ávida, uma “livrólica” como costumam dizer na comunidade dos livros, e para mim eles são um escape da realidade. Algo que me permite, enquanto estou a ler, mergulhar em histórias que não a minha, com personagens muito diferentes e cenários que vão desde países que gostaria de visitar a mundo imaginários. É, por isso, que nunca me senti tentada a ler não-ficção.
Sou uma amante de romance e de fantasia e, quando comecei a escrever, por volta dos 14 anos, escrevia fanfics (histórias escritas por fãs) de livros, filmes e séries destes géneros. Logo, quando ganhei coragem para criar algo meu, tinha de ser onde me sentia confortável. Comecei pelo romance, mas o primeiro manuscrito a que me dediquei e concluí foi ‘Brilho Tóxico’, que mistura fantasia e romance.

Como surgiu a ideia do nome do livro ‘Brilho Tóxico’?
Muitos autores só conseguem chegar ao nome do seu livro quando o terminam. Eu não gosto de começar a rabiscar algo sem lhe dar um nome, por mais provisório que seja. Antes de chegar a ‘Brilho Tóxico’, passei por outros dois títulos, mas não refletiam a história. Eventualmente, percebi que queria que o nome tivesse “Brilho” e um adjectivo com um significado específico, e esta foi a combinação de que mais gostei.
Não posso explicar muito a fundo ou estarei a dar spoilers, mas basicamente o título tem duplo sentidos. O primeiro relaciona-se com o colar que se vê na capa, que brilha na presença de perigo, logo ao mesmo tempo que simboliza protecção, também significa que algo mau se avizinha. O segundo, relaciona-se com a dualidade do poder que a protagonista ganhará, embora sendo algo bom, tem igualmente a sua parte nociva, “tóxica”…

Embora seja um livro de fantasia, baseia-se em alguns factos reais?
Não, de todo! Tem, sim, inspiração em muitas obras (livros, filmes e séries) do mesmo género da minha e as lendas do fantástico e a mitologia grega como base para a construção do mundo e das espécies sobrenaturais.

Quanto tempo demorou o processo – desde a ideia inicial da história até à conclusão do livro? Qual foi o percurso?
Ui… Foi demorado! A ideia original surgiu em 2016, tinha eu 18 anos. Nunca tive uma rotina de escrita, porque tinha uma certa vergonha deste hóbi. Não escrevia, portanto, com muita frequência ou consistência. A certa altura, apaguei tudo e comecei a reescrever e só em 2020 me dediquei mesmo à história. Isto depois de partilhar os poucos capítulos que tinha com uma colega e amiga do trabalho de que gostou, deu as suas críticas construtivas e incentivou-me a continuar.
Juntei então uns amigos de um grupo de leitura e fui escrevendo capítulo a capítulo e partilhando com eles, para receber feedback e saber em que melhorar.
Terminei a primeira versão do livro em Setembro de 2021 e levei um ano a fazer muita, muita revisão e edição, até chegar a uma versão “final” de que me senti orgulhosa, em Setembro de 2022.
Nessa altura, enviei para as editoras que publicam autores portugueses e cujos critérios o meu livro cumpria. Sabia que a partir daí o tempo de espera era de seis a oito meses, o prazo médio de resposta, e confesso que esperei e desesperei até ouvir um sim. Mas, felizmente, ele chegou!
Qual a importância que dá ao facto de o seu livro ser editado pels editora Saída de Emergência, de São Pedro do Estoril, que é especialista em fantasia, ficção científica e horror? Como surgiu a oportunidade?
Quando submeti o meu manuscrito para aprovação à Saída de Emergência (SdE) sabia que as probabilidades de obter uma resposta eram muito reduzidas, pelo que outros autores me tinham contado. No entanto, e tendo em conta que uma das grandes inspirações para o meu livro foi exatamente “Sangue Fresco”, traduzido em Portugal pela SdE, por esta “ligação especial”, tinha esperança.
A verdade é que a oportunidade surgiu por ter ido à Feira do Livro de Lisboa de 2023, onde tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas da equipa da editora. Tinham já passado os meses para resposta, mas fui incentivada pela Cláudia, a responsável pelo marketing, para re-submeter o manuscrito, pois em 2024 uma das grandes apostas da SdE seriam os autores portugueses. Assim o fiz e tive sorte!
Alguns dias depois o editor acusou a recepção das primeiras 50 páginas do livro – que é o que a editora pede – e outros tantos depois deu-me os parabéns pelo que tinha lido, mostrando interesse em ler o restante manuscrito. Poucas semanas depois veio oficialmente o “sim” e confesso que, após meses e muitos e-mails trocados, ainda não parece verdade.
Publicar numa editora que se especializa no género em que escrevi é saber que o meu “menino” vai estar na mesma coleção (BANG!) que outros grandes autores que me inspiraram, e que, por isso, é como se estivesse em “casa”. Afinal, a SdE, embora por vezes com alguma demora que me deixa bastante impaciente, sabe o que está a fazer.

Apesar de não ter estudado numa área de literatura, planeia escrever mais livros no futuro?
Gostava sim! Embora seja licenciada em Gestão e mestre em Marketing, a literatura sempre foi uma grande paixão. Penso que me está os genes, afinal venho de uma família de professoras!
A criatividade, o sonhar acordada e imaginar 1001 cenários na minha mente fazem parte de mim e, por isso, tenho muitas histórias que gostaria de contar. A começar pela continuação de ‘Brilho Tóxico’…

Qual é o público-alvo do livro?
Embora seja escrito num tom algo juvenil, é um livro para amantes de fantasia de todas as idades, a partir dos 12/14 anos diria.

Conta com o apoio de alguma entidade?
Não conto com apoios financeiros de nenhuma entidade. Só com a editora.

Onde as pessoas podem comprar o livro?
Neste momento, enquanto decorre a pré-venda, o livro está apenas disponível para compra online na WOOK, Bertrand, Fnac, plataforma da Saída de Emergência e de outras livrarias independentes. A partir de dia 21 de março, os leitores já poderão encontrar o livro nas livrarias físicas. Embora, bem saibamos, que aqui nos Açores chega tudo um pouco mais tarde… Mas quando chegar deverão encontrá-lo nas nossas livrarias e eventualmente em alguns supermercados. Se quiserem uma edição especial, com autógrafo e dedicatória minha, poderão comprar diretamente a mim!

O que significa este livro para si?
Por mais clichê que possa soar, é um sonho tornado realidade! Desde a minha adolescência que sabia que os meus dois maiores sonhos eram ser mãe e publicar (pelo menos) um livro. Agora parece quase surreal que outras pessoas possam ler a história dos meus “filhos fictícios”.
É também uma espécie de prova de que sim os sonhos se tornam realidade, mas que não podemos ficar à espera que isso aconteça. Muitas vezes precisamos de trabalhar bastante para que se concretizarem. E também de ter um pouco de sorte e talento…

Tem algo mais a acrescentar que considere relevante no âmbito desta entrevista?
Em primeiro lugar, queria agradecer ao Filipe pelo convite para esta entrevista. Foi um prazer!
Embora ainda não tenha a data e o local para anunciar, aproveito para dizer que haverá uma sessão de lançamento deste livro na ilha de São Miguel, bem como em Lisboa e no Porto. Por isso, fiquem atentos!
Se tiverem interesse em saber mais sobre o meu livro, o meu percurso como escritora e as minhas leituras, podem seguir o meu bookstagram (que é uma conta de Instagram dedicado à partilha de livros) @bookish_dandelion_girl. Encomendem-me diretamente o livro (com desconto e autografado) por mensagem privada!
A todos os que decidirem comprar e ler ‘Brilho Tóxico’, obrigada por me apoiarem e, assim, o talento nacional e açoriano. Boas leituras!

Filipe Torres

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