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Promover o contacto com os livros ajuda a combater o ‘flagelo’ da dependência das novas tecnologias,afirma Sónia Moniz da Câmara da Ribeira Grande

O mês de Abril chega com uma oportunidade para os amantes da leitura. A sétima edição da feira do livro usado “Hoje meu, amanhã teu” terá lugar na Biblioteca Municipal Daniel de Sá e, de acordo com Sónia Moniz, chefe de Divisão da Cultura, Desporto e Juventude do Executivo da Ribeira Grande, tem como principal objectivo fomentar a leitura e melhorar os níveis de literacia no concelho, além de que possibilita a renovação do espólio, a preços mais acessíveis. Aberto a todos, o evento promove a educação, a leitura, a defesa do ambiente e o combate ao esquecimento dos livros nas prateleiras de casa. Nesta feira, todos têm a oportunidade de participar como vendedores ou compradores de uma ampla variedade de livros. A feira do livro estará aberta ao longo de todo o mês de Abril, de Segunda a Sexta-feira, das 09h00 às 16h30 e aos Sábados, das 14h00 às 18h00.

Correio dos Açores – Que objectivo está por trás da organização da feira do livro usado “Hoje meu, amanhã teu”?
Sónia Moniz (Chefe de Divisão da Cultura, Desporto e Juventude da Câmara Municipal da Ribeira Grande) – O principal objectivo é promover a leitura e melhorar os níveis de literacia no nosso concelho. Porém, o evento não está fechado ao concelho da Ribeira Grande. Qualquer pessoa da ilha que queira participar, pode fazê-lo. O acesso é livre a todos porque queremos que haja a divulgação dos livros e a promoção efectiva da leitura.
Este projecto foi proposto pela equipa da Biblioteca Daniel de Sá. Depois de ouvirmos os nossos utentes – que muitas vezes diziam ter tantos livros em casa que não queriam doar e até mostravam vontade de comprar outros –, começámos a pensar de que forma poderíamos criar uma dinâmica próxima de uma troca de livros, mas um pouco mais justa. E assim surgiu a ideia.

Além de dar vida aos livros esquecidos nas prateleiras de casa, a feira do livro usado “Hoje meu, amanhã teu” possibilita a renovação do espólio e a partilha de livros entre a comunidade…
A maioria das pessoas que gosta de livros tem falta de espaço para os manter todos em casa. Esta é a principal questão que as pessoas levantam. Outras dizem que lhes custa separar de alguns livros, no entanto querem renovar e já não têm espaço. Este evento dá oportunidade às pessoas de ganhar espaço para adquirir novos livros.
Regra geral, tem a ver com renovação do espólio, dar oportunidade a outras pessoas de voltarem a usar aqueles livros a preços muito mais acessíveis. Não aceitamos livros que não estejam e boas condições e as pessoas são muito cuidadosas nesse aspecto. Este evento é um contributo essencial, uma vez que se gera a questão da partilha. As pessoas tomam consciência de que os livros são tão importantes e ficam cientes da dificuldade que existe, por vezes, de os adquirir. No fundo, as pessoas assumem o compromisso de entreajuda, de partilha e prevalece a ideia de que, apesar de já não servir para mim, serve para outras famílias.

Como tem sido a adesão da comunidade à feira do livro nas edições anteriores? Qual o impacto da feira na promoção da leitura e na circulação de livros na comunidade?
Em termos gerais, o ano passado, foram recebidos 3.394 livros, num total de cerca de 50 participantes e foram vendidos aproximadamente 1.010 livros.
O número de participantes e de livros movimentados tem aumentado de ano para ano. Além de criar um conjunto de normas, vimo-nos obrigados a alargar os prazos para trabalharmos. Regra geral, aceitávamos livros até ao dia 30 de Março, no entanto, este ano, vamos balizar até 25 de Março. Como tem havido um aumento exponencial, a nossa equipa precisa de tempo para organizar e colocar os livros em estante.
Porém, nesta edição, iremos aceitar, excepcionalmente, entregas de livros até 15 de Abril, para as pessoas que não se aperceberam de que estávamos a fazer a recolha de livros. Esta excepção compreende, no máximo, cinco livros por utente, tendo em conta a nossa capacidade de trabalhar ao mesmo tempo que decorre a feira. Enquanto a feira decorre, teremos uma pessoa definida para tratar do processo burocrático da recolha e identificação dos livros antes de irem para a prateleira.
Quando começámos este projecto, a participação era muito pequena e ainda bem que assim foi, porque permitiu-nos afinar alguns pontos. Logo na primeira edição, em que já houve uma boa participação, surgiram muitas questões e vimo-nos obrigados a criar um conjunto de normas de funcionamento, que nos possibilitou trabalhar de forma mais organizada, evitando falhas no processo de recolha e de devolução dos livros que não foram vendidos, e dos valores referentes aos livros vendidos.

Pode explicar como funciona o processo de entrega de livros para a feira? Quais são os requisitos para os interessados em vender livros?
Os livros são depositados na Biblioteca Municipal Daniel de Sá. No início de Março, lançamos o cartaz de abertura para recebimento dos livros. Dada a dimensão que o evento tem ganho, é obrigatório o preenchimento de um formulário, onde constam todos os dados do depositante dos livros, a listagem com o nome dos livros depositados e o valor que o utente quer atribuir ao seu livro usado. Não interferimos em nada desta acção, que é feita de forma livre por parte do depositante.
De seguida, validamos e etiquetamos os livros com o valor e as iniciais do nome da pessoa. Este ano vamos atribuir um número a cada depositante, de forma a sabermos a quem pertence determinado livro. Depois de etiquetado, devidamente identificado e de marcado o valor, o livro vai para a estante de acordo com a sua temática.
Terminada a feira, após arrumar e fechar contas, a partir do dia 10 de Maio, os depositantes dos livros vão ser contactados para recolherem os livros que não foram vendidos e o valor que foi atribuído aos livros vendidos.

Que tipo de livros são mais comuns nesta feira do livro usado? Há géneros literários mais procurados ou que tendem a ter maior oferta?
Temos livros para todas as áreas. Recebemos desde contos, romances, ficção, banda desenhada, policiais, livros históricos, enciclopédias, livros de poesia e outros. Porém, pode dizer-se que existe uma procura maior de livros infantis. A Biblioteca Municipal Daniel de Sá tem um programa educativo muito direccionado para o público infantil. Este é o nosso público-alvo e quem mais frequenta a biblioteca. Além disso, temos uma procura elevada na área dos romances e da ficção. De uma forma geral, as pessoas não vão com grandes expectativas. Por vezes, como há preços tão convidativos, acabam por comprar livros de áreas que à partida não lhes interessa para compreenderem melhor sobre certas temáticas. Gera-se uma dinâmica fabulosa na feira do livro usado.

Quais são os principais desafios que a equipa enfrenta no processo de organização da feira?
A maior dificuldade prende-se com a afluência de pessoas à biblioteca nos primeiros dias. Tendo em conta que a nossa equipa ainda é reduzida, estabelecemos a pré-marcação na entrega dos livros. Além disso, a questão do pagamento, isto é, o facto de não darmos a possibilidade de fazer o pagamento por MBWAY ou através de Multibanco tem sido uma das queixas que as pessoas fazem. Não podemos ter outra forma de pagamento que não seja dinheiro, porque o valor não reverte para a Câmara Municipal. Há um processo de transacção e nós somos o meio para depósito desses valores que, posteriormente, chegarão às pessoas que depositaram os seus livros na biblioteca.
Gostava de enaltecer o papel da equipa da Biblioteca Municipal Daniel de Sá, porque sem a sua organização e dedicação esse projecto não seria possível. Elas fazem um excelente trabalho. Só temos vindo a ganhar com este evento. A equipa não é grande e no mês de Abril sacrifica a família em prol de uma acção que considero muito válida para o concelho da Ribeira Grande, que tanto precisa.

Por que motivo foi escolhido o mês de Abril para a realização desta feira?
Não foi escolhido ao acaso. O mês de Abril tem vários dias que são dedicados ao livro. Desde logo, a 2 de Abril assinala-se o Dia do Livro Infantil, além de que se celebra também neste mês o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Há uma relação muito grande de promoção dos livros e dos autores durante o mês de Abril.

Além de comprar e vender livros usados, existem outras actividades planeadas durante a feira para promover a leitura e o envolvimento da comunidade?
A 2 de Abril, Terça-feira, no Dia do Livro Infantil, teremos uma sessão de contos para público infantil, ministrada pelo serviço educativo da biblioteca, às 15h00. A 6 de Abril, o primeiro Sábado da feira, às 15h30, teremos Encantar com Histórias com a educadora Ana Catarina Lima. No dia 13 de Abril, teremos uma palestra sobre a importância do livro e, a 20 de Abril, vamos ter outra palestra, desta feita, com a professora Lurdes Matos que vai falar sobre ressignificar a importância do livro, uma abordagem holística do livro enquanto parte integrante das nossas vidas. No dia 27 de Abril, teremos duas actividades: yoga e meditação para crianças às 10h30 e, às 14h00, terá lugar outra actividade relacionada com o ioga, intitulada “roda feminina: tempo para si.”

Que mensagem a Câmara da Ribeira Grande quer transmitir à comunidade sobre a importância da leitura e do acesso a livros através de iniciativas como a feira do livro usado?
Este evento tem como propósito, efectivamente, a promoção dos livros e da leitura a preços mais acessíveis numa altura em que todos conhecemos as dificuldades financeiras que a comunidade está a atravessar, a nível geral. É, também, preciso criar mecanismos para lutar contra a dependência das tecnologias, em particular dos telemóveis e dos tablets, e promover o acesso de forma acessível aos livros pode combater esse pequeno flagelo. Além disso, é uma forma de apoiar a educação e de contribuir para a defesa do ambiente, tendo em conta que não estamos a gastar papel na impressão de novos livros. É, ainda, uma forma de combater o esquecimento dos livros que estão isolados nas nossas prateleiras e que não servem para mais nada. Resumidamente, é uma forma de promover uma economia circular, neste caso dos livros.

Carlota Pimentel

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