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Salvem a Histórica Fundição da Calheta!

De passagem pela “Calheta Pêro de Teive” fui alertado para o descontentamento da população local para o facto de se estar a falar no desmantelamento dos Históricos edifícios da “Fundição da Calheta” e “Fábrica da Chicória” em prol de um loteamento!
O certo é que está afixado no edifício principal um aviso a indicar que entrou na Câmara Municipal de Ponta Delgada, em 2-11-2023, um pedido de licenciamento para “Obras de Operação de Loteamento”.
Há que recordar que a Calheta, na zona compreendida entre a rua do Calhau e o canto da, então designada, estrada da Ribeira Grande/Pranchinha, era uma zona industrial e comercial de grande pujança, que muito beneficiou e contribuiu para o crescimento e desenvolvimento da cidade de Ponta Delgada. Isto graças à visão do grande comerciante Pêro de Teive que, no século XVI, descobre o potencial da bonita e abrigada baía da Calheta e, ali, constrói um pequeno porto que, veio a ser um importante porto comercial, o maior porto de pesca da ilha e dos Açores. Assim, e nas três Travessas da Calheta que lhe são adjacentes, nasceu um bairro de pescadores, com as suas casas típicas de porta e janela ou porta e duas janelas.
Neste bairro, nasceram e criaram-se bons pescadores, muitos elogiados e homenageados pela sua bravura e coragem na faina da pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova.
A referida Fundição da Calheta, um edifício industrial composto por vários corpos disposto em U. A Poente, situavam-se os corpos destinados à fundição, à serralharia mecânica, à pregaria e às forjas. A Norte, localizava-se a serraria e o depósito de madeira e, a nascente ficavam os escritórios, os depósitos, a marcenaria e a carpintaria. O corpo da fundição tinha três pisos. A chaminé de secção octogonal, sobressai pela sua imponência, fazia a tiragem do forno cubilote de fundição.
Na década de trinta, a carpintaria e a serralharia, deram lugar à torrefação de chicória – Fábrica da Chicória, que laborou entre 1933 a 1988.
A Calheta, que tinha sido o principal impulsionador do desenvolvimento da cidade de Ponta Delgada, ironicamente, foi absorvida pelo crescimento, sem planeamento, da cidade para Nascente.
As grandes indústrias foram desativadas, arrastando o pequeno comércio que gravitava à volta delas e, até, a bonita baía da Calheta de Pêro de Teive foi, sem dó nem piedade, soterrada! Tudo em nome do progresso!
Ora, o que resta de todo este rico e histórico património são estes dois edifícios que vão resistindo no tempo: o corpo central da Fundição, com a sua majestosa chaminé, e o edifício em pedra da Fábrica da Chicória.
Dois edifícios emblemáticos que devem ser recuperados pela sua importância histórica, aproveitados para se instalar um “Núcleo Museológico, um Centro Interpretativo da Calheta” em homenagem aos nossos pescadores, ao porto da Calheta, à indústria, comércio, associações desportivas e culturais que existiram naquele local e, certamente, ainda restará espaço para zona de lazer, atividades artísticas e de teatro para a nossa juventude e não só!
Estou a imaginar no espaçoso átriode entrada deste Museu/Centro Interpretativo em exposição permanente a centenária “Nau – Insígnia própria do seu mester”, da Confraria de São Pedro Gonçalves, uma bonita obra de arte em madeira, de três mastros com a altura e comprimentototal de três metros, que está votada ao abandono e a apodrecer na Ermida da Mãe de Deus. Que pecado!
Todo este processo da Calheta Pêro de Teive foi sempre mal gerido pela classe política, gestora da coisa-pública, que sempre privilegiou a divisa “em nome do progresso” e dos “interesses imobiliários”, colocando de parte o nosso Passado, a nossa História o nosso Património Natural e Construído.
Ponta Delgada é um concelho vítima de uma falta enorme de visão no que respeita ao seu passado que não combina com o futuro! Esquecendo o passado estão a sacrificar o futuro, ambos têm de coabitar em perfeita harmonia! É a nossa História, a nossa Identidade da qual nos temos de orgulhar!
Como? Não sei! Mas uma coisa é certa, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, que tem a última palavra no licenciamento desta obra, tem o dever e a obrigação de defender aqueles dois “Emblemáticos e Históricos Edifícios” que representam muito do que resta da História da Calheta Pêro de Teive, da nossa cidade e seu glorioso e honrado povo!
Um povo que não respeita o seu passado, a sua memória, não tem futuro!

Carlos A. C. César

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