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Tuna Universitária Corsários dos Açores é “casa e família” para muitos estudantes açorianos em Lisboa, assegura Laura Cunha

A TUCA – Tuna Universitária Corsários dos Açores completa 30 anos no dia 21 de Março. Uma casa para antigos e actuais estudantes açorianos em Lisboa, é considerada por muitos, o seu “cantinho” na capital do país. Em entrevista ao Correio dos Açores, Laura Cunha, a Presidente da TUCA, explica as origens da tuna, a importância que tem na sua vida e os planos para assinalar a comemoração.

Correio dos Açores – O que é a TUCA? Como surgiu? O que faz?
Laura Cunha (Presidente da TUCA) – A TUCA – Tuna Universitária Corsários dos Açores é uma tuna de estudantes açorianos que se encontram a estudar em Lisboa. A TUCA tem uma peculiaridade… nós somos estudantes de todas as faculdades e universidades, ou seja, não somos uma tuna como as outras, não somos restritos a apenas a uma escola do ensino superior, somos de toda a cidade.
A TUCA surgiu em 1994 no âmbito de tentar ser um acolhimento, uma família e de juntar os estudantes açorianos que estão a estudar em Lisboa. Nós, açorianos, vamos pouco a casa. Os açorianos acabavam por ficar sozinhos nos fins-de-semana, enquanto as outras pessoas que não são de Lisboa podem apanhar autocarro ou ir de comboio para a sua casa. Por isso, a TUCA surgiu para combater isso, então, os açorianos juntavam-se ao Sábado, conviviam e tocavam músicas.
Inicialmente, a TUCA era a Tuna Universitária da Casa dos Açores, começando na Casa dos Açores em Lisboa. Depois, passou para a Casa do Alentejo e voltou para a Casa dos Açores em Lisboa, a nossa actual sede. No Alentejo, decidiram mudar de nome para Tuna Universitária Corsários dos Açores, que é o nosso nome ainda hoje.
Nós temos um repertório de músicas açorianas, de autores açorianos e alguns originais. Somos um sítio de acolhimento, uma família e trazemos a cultura açoriana para Lisboa.

O que significa a TUCA para os jovens açorianos a estudar em Lisboa?
O significado pode mudar consoante as pessoas. Eu confesso que sou muito sentimental em relação à TUCA. O meu primeiro ano em Lisboa foi extremamente difícil, não só em termos académicos, mas em todas as áreas pessoais. Eu entrei na TUCA e foi como encontrar o meu cantinho em Lisboa, a minha família. Quando pensar em estudar em Lisboa, eu associo sempre à TUCA. As pessoas que estiveram lá foram as que me acolheram, me ajudaram e me fizeram sentir bem. A palavra mais correcta que consigo associar à Tuca é família.

O que significa a Casa dos Açores em Lisboa para a TUCA?
A Casa dos Açores em Lisboa é a sede da TUCA. Quando penso na Casa, eu penso logo na TUCA. Além disso, pensar na Casa deixa-nos mais felizes. A Casa e a TUCA vão estar sempre lá para nós. Posso dizer que a Casa é linda, tem óptimas condições e contém quadros e bandeiras relacionado com os Açores. Dá para matar as saudades dos Açores e de casa. Pensar na Casa é pensar em jantares depois dos convívios.

Qual é a dinâmica da tuna actualmente? Têm ensaios semanais?
Nós ensaiámos sempre aos Sábados, às 15h, na Casa dos Açores em Lisboa. Como nós somos estudantes de várias universidades, é complicado conjugar horários, então, Sábados costumam ser sempre certos. Se, eventualmente, for necessário fazer ensaios semanais, combinámos. Por norma, os ensaios são aos Sábados. Nós temos uma direcção da TUCA, uma direcção musical. Costumámos ficar lá depois dos ensaios, mas depende das épocas – há alunos que costumam ter exames mais cedo ou mais tarde. Normalmente, Sábado é dia de TUCA. Nós, neste momento, não somos muitos. A pandemia da Covid-19 foi muito prejudicial para todas as tunas académicas. Pós-pandemia foi extremamente, visto que durante a pandemia não entraram muitas pessoas. Quando acabou a pandemia, as pessoas estavam a acabar os cursos e a sair das tunas. Normalmente, as tunas têm uma rede de apoio – as universidades e as faculdades – e estão associadas a algo. Quando um caloiro entra na universidade, sabe que a sua universidade tem uma tuna. O nosso caso é diferente, visto que somos estudantes de todo o lado e não temos um vínculo propriamente dito – só estamos associados à Região Autónoma dos Açores. Nós estamos a combater isso com um maior investimento nas redes sociais, temos ido mais vezes a festivais de tunas académicas – para dar a conhecer o nosso nome – e temos ido a várias faculdades, associações e núcleos.

A TUCA é uma escola para os alunos açorianos com muito pouca experiência musical? Qualquer açoriano pode entrar?
Sim, todos. Nós costumamos dizer que queremos pessoas para pertencer à TUCA para tocar e actuar à frente. Eu sou um exemplo disso. Quando era mais nova tive aulas de vilão, guitarra. Depois entrei na TUCA, numa altura em que já não tocava num instrumento há seis ou sete anos. Comecei a aprender as letras, as vozes. Entretanto, uma pessoa que estava no bandolim teve de sair e eu disse que tinha alguns conhecimentos de cordas, mas que não sabia nada de músicas e não era uma especialista. No entanto, se meterem os números à frente, eu sabia tocar. Comecei com o bandolim e as pessoas que tinha mais conhecimentos de cordas e instrumentos ajudaram-me. Agora, estou a tocar bandolim! Portanto, nós queremos pessoas. Nem todos precisamos de tocar, também precisamos de ter vozes.
Qualquer açoriano pode entrar. Aliás, também temos pessoas que são descendentes de açorianos e já tivemos continentais que gostaram muito do nosso grupo. O caso mais recente de uma pessoa natural de Portugal continental sem raízes açorianas foi há algum tempo. Lembro-me que um membro açoriano da TUCA, que agora não participa activamente, era de um curso de música e sabia que nós precisávamos de alguém para percussão. Então, falou com alguém conhecido da faculdade que tinha tido conservatório e que não tinha raízes açorianas, convidou-o e ele gostou muito do nosso grupo. É um caso muito específico. Não acontece no dia-a-dia. Não é o objectivo da TUCA, mas, obviamente, que recebemos de braços abertos. As pessoas que estão em outras tunas universitárias também podem pertencer à TUCA, desde que apareçam nos ensaios.

As outras tunas universitárias têm o apoio das suas universidades, enquanto a TUCA não representa nenhuma faculdade específica. A TUCA tem algum apoio do Governo ou de alguma entidade?
Sobre o apoio governamental, que eu tenha conhecimento, nós não temos. Apenas temos o apoio da Casa dos Açores em Lisboa, que nos dá a sede e as suas instalações para podermos ensaiar e conviver.

Como vão comemorar o 30.º aniversário da TUCA?
Normalmente, nós comemoramos o aniversário da TUCA com praxe e um jantar de aniversário. E é o que vai acontecer este ano. Nós temos o aniversário no dia 21 de Março, mas, infelizmente, no fim-de-semana seguinte começa as férias da Páscoa, por isso vamos comemorar antecipadamente, no fim-de-semana anterior, ou seja, neste Sábado. A TUCA só tem um dia de praxe por ano, somos bastante calmos em relação à praxe. Vamos fazer a subida dos nossos ‘paraquedistas’. A TUCA tem uma hierarquia diferente em relação às outras tunas universitárias. Nós funcionámos com os ‘paraquedistas’, que são as pessoas que entram na TUCA – caem de paraquedas – e fazem a praxe para subir para caloiro. De seguida, na hierarquia, temos os ‘tucantes’ e os veteranos. Depois da praxe, vamos fazer um jantar para comemorar, na qual vamos ter a presença de antigos membros. Esse é programa de aniversário.

Quais são os planos da TUCA para os próximo tempos?
Por enquanto, sem ser os ensaios na Casa dos Açores em Lisboa, não temos nada combinado. Nós temos um festival, “Matiné de Tunas”, que é um festival que não realizamos desde 2022. Por agora, infelizmente, não está no nosso planeamento deste ano.

Os apoios que os estudantes açorianos recebem são suficientes?
Esta é uma questão complicada de responder. O Governo tem um programa que ajuda a pagar as propinas aos estudantes do ensino superior. Isto é um programa que eu noto que poucos estudantes conhecem, por exemplo, eu só conheci este programa só depois de fecharem as candidaturas. A questão do reembolso até um certo valor das passagens aéreas é importante, visto que, possivelmente, há 10 anos esta ajuda não existia e os estudantes açorianos iam a casa menos vezes por ano. No entanto, não pode ser somente o Governo dos Açores a tentar contrariar esta questão. Neste momento, está muito complicado estar a estudar em Lisboa, diria que está completamente caótico. O principal problema é o custo das rendas. Nós, membros da TUCA, de vez em quando, recebemos mensagens de amigos e tentamos ajudar a malta que vem estudar para Lisboa. Já se sabe que é muito complicado. É muito frequente, infelizmente, as pessoas ter problemas com as casas. Além de pagar muito dinheiro pela renda da casa, muitos estudantes nem sempre estão em casa com condições boas.

Tem algo mais a acrescentar que considere relevante no âmbito desta entrevista?
Queremos que mais pessoas apareçam, não precisam de ter muitos conhecimentos musicais. Qualquer coisa, a TUCA está cá para ajudar. Há muitas pessoas que tem dificuldades em chegar à Casa dos Açores em Lisboa por ficar na Estrela, mas nós estamos a uma mensagem de ajudar.

Filipe Torres 
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