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Greve dos jornalistas paralisou vários órgãos de comunicação social na Região

Passados 40 anos sem uma greve geral, os jornalistas saíram ontem à rua em concentrações por todo o país, para se manifestarem contra os baixos salários, a insegurança laboral e a deterioração das condições de trabalho. Em Ponta Delgada, a concentração teve lugar no Jardim Antero de Quental e reuniu cerca de 70 participantes, entre jornalistas e personalidades que se juntaram à causa. A estimativa de adesão à greve na Região é de 40%.

Após 40 anos sem se manifestarem, os jornalistas saíram ontem à rua numa greve que abrangeu todo o país. As concentrações ocorreram em cinco cidades, designadamente Ponta Delgada, no Jardim Antero de Quental; em Lisboa, no Largo de Camões; no Porto, na Praça General Humberto Delgado; em Coimbra, na Praça 8 de Maio; e em Faro, na Doca de Faro.
Com o aproximar do cinquentenário do 25 de Abril, símbolo da liberdade e da democracia portuguesa, os jornalistas reivindicam melhores condições de trabalho e salários dignos. Actualmente, em Portugal, o jornalismo enfrenta uma crise marcada por condições de trabalho precárias e falta de sustentabilidade nas empresas de comunicação social. Os profissionais têm sido confrontados com baixos salários, contratos precários e uma carga laboral excessiva, que compromete não só o seu bem-estar profissional, mas também a sua qualidade de vida pessoal e familiar.
“Um jornalismo livre e de qualidade interessa a todos nós, cidadãos. Por isso está consagrado nos países mais avançados do mundo. Em Portugal, o direito a informar e ser informado está inscrito na Constituição de 1976, herdeira do 25 de Abril. Dizer que o jornalismo é um pilar da democracia não é verbo de encher. Não há democracia sem escrutínio dos poderes económicos, políticos e sociais. Sem informação verificada, rigorosa e diversificada que reforce o debate democrático. Por isso os jornalistas estão entre as primeiras vítimas das ditaduras e regimes autoritários”, pode ler-se no prospecto elaborado a propósito da greve geral dos jornalistas”.
E prossegue o prospecto, salientando que “há outras pressões que enfraquecem o jornalismo: o sufoco económico e a incerteza em que muitos jornalistas vivem, órgãos de comunicação a fechar, falta de diversidade informativa. É isso que se passa em muitas redacções do país. As redacções ‘estão no osso’. Trabalham com cada vez menos jornalistas, para cobrir realidades cada vez mais complexas. A pressão para o imediatismo é contínua. Nas redacções, a precariedade salarial é a regra, com salários estagnados há anos ou décadas. A precariedade contratual é dramaticamente elevada. Sofremos com a falta de tempo para investigar, pensar e escrever.”
Já na carta aberta ‘Jornalistas sem papel’, com o título “Precariedade não é futuro nem presente. Chegou o momento de os jornalistas fazerem greve” e logo no primeiro parágrafo, os jornalistas afirmam estar “no limite” e não aguentar “os baixos salários, a precariedade, as longas horas de trabalho, a pressão para o imediatismo, os constantes burnouts. O jornalismo em Portugal tem-se baseado numa política laboral indigna para manter o fluxo de notícias. Não temos perspectivas pessoais e profissionais. Ficámos calados durante demasiado tempo, mas chegou o momento de rompermos o silêncio.”
“A grande maioria de nós ganha miseravelmente. Cerca de um terço recebe entre 701 e 1.000 euros líquidos, segundo o Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Jornalistas em Portugal, de 2023. A progressão salarial é uma miragem. Mas há mais: 15% diz ser alvo de assédio moral; quase metade tem níveis elevados de esgotamento, com 38% a declarar ter problemas mentais decorrentes da profissão e 48% sente-se inseguros com a sua situação laboral. A precariedade é uma violência social e limita a nossa liberdade pessoal e profissional”, salienta-se.
De acordo com o mesmo documento, “uma redacção precária perde a capacidade de definir o seu critério editorial. Sem contratar mais profissionais, sai-se cada vez menos em reportagem, aprofunda-se e investiga-se pouco.”
O mesmo documento dá nota de que “as novas gerações de jornalistas são obrigadas a sujeitar-se à precariedade e aos baixos salários para acederem à profissão e à carteira profissional.”
“(…) Quem tem a sorte de ficar começa a receber bem menos do que 1.000 euros brutos em muitas redacções. E assim continua por muitos anos – basta olhar para o lado para ver jornalistas com 10, 15, 20 anos de carreira que pouco mais ganham e que há anos não recebem aumentos dignos. Há poucas perspectivas de progredir na carreira (…)”, refere-se.
“Confrontados com a escolha entre viver com dignidade ou sobreviver para trabalhar, muitos de nós acabam por desistir logo nos primeiros anos de profissão”, lê-se ainda na carta aberta.
Entre 2017 e 2023, a profissão perdeu 600 profissionais jovens e veteranos. “Os baixos salários, a degradação da profissão, a precariedade contratual e o stress foram as principais razões apontadas. Há jornalistas com 20 ou 30 anos de experiência a receber entre 1.200 a 1.500 euros de salário líquido”, é, ainda, apontado.

C.P.

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