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A Pontilha celebra 40 anos com exposição e vários espectáculos na Ribeira Grande

Depois de algumas paragens, por motivos de força maior, a Pontilha, associação de teatro da Ribeira Grande, celebra no próximo mês 40 anos de existência. O Correio dos Açores esteve à conversa com a Presidente de A Pontilha, Filomena Gonçalves, que nos contou o que a associação tem reservado para este ano e quais são as maiores dificuldades que um grupo de teatro enfrenta. “Quero apenas pedir para as pessoas virem ao teatro. Que as pessoas venham apoiar a cultura da Ribeira Grande e dos Açores e que venham celebrar connosco os nossos 40 anos. Somos uma associação que já conta com muita história,” salienta Filomena Gonçalves.

Correio dos Açores – Como é que tem sido o seu percurso no grupo de teatro A Pontilha?
Filomena Gonçalves – Entrei para A Pontilha quando tinha quatro anos. Vim para a escola de teatro infantil. Fui sempre ficando até haver uma interrupção no grupo. Em 2010, retomamos com o André Melo como responsável pelo grupo de teatro. Estivemos activos durante oito anos, até 2018. Nesta altura voltamos a parar e o grupo ficou parado até 2022, ou seja, ficou parado durante cerca de quatro anos. Em 2022 o grupo retomou a sua actividade e eu assumi a Direcção desde então.

A que se devem as paragens que aconteceram no grupo?
Devem-se essencialmente por falta de pessoas para assumir os cargos de direcção. No caso do grupo de teatro em concreto, paramos em 2018 porque na altura éramos todos muito jovens e muitos foram estudar para a Universidade ou foram trabalhar para fora. O próprio André Melo assumiu outros projectos e não conseguiu dar continuidade. Desta forma, e não havendo recursos humanos, tivemos que parar.

É difícil arranjar pessoas que queiram fazer teatro?
É muito difícil, mesmo muito difícil. Tem sido muito difícil conseguir agarrar as pessoas e arranjar pessoas que estejam disponíveis e que gostam. Depois, há pessoas que só aceitam fazer parte do projecto se houver algum tipo de pagamento, senão houver fica muito difícil de se conseguir cativar as pessoas hoje em dia, o que é muito triste.

A Pontilha costuma fazer este tipo de pagamentos ou fica com as pessoas que estão por gosto?
O grupo de teatro trabalha todo por gosto. A própria Direcção está neste projecto voluntariamente. Agora existem serviços que, obrigatoriamente, têm que ser pagos e isto nem é discutível. Tudo o que se refere a serviços de imagem e vídeos, onde nós investimos bastante, são tudo serviços que têm que ser pagos. Nós temos o fantástico apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande que nos cede o Teatro Ribeiragrandense e os seus técnicos quando realizamos os nossos eventos. Temos ainda apoio da Direcção Regional da Juventude, o que sempre é um suporte para nós e estamos a aguardar um apoio da DRAC.

A escolinha de teatro está aberta neste momento?
Neste momento temos o grupo de teatro amador; a oficina de teatro infantil, que é uma actividade que foi retomada no final do ano passado e onde temos 12 crianças inscritas. Isto dá-nos uma grande alegria porque significa que estamos a trazer as crianças de novo ao teatro. Esperemos que se possa criar uma nova geração que daqui a uns anos possa estar encarregue do grupo, um pouco como aconteceu comigo e com outros membros do grupo de teatro. No grupo de teatro amador, actualmente, temos activos cerca de 10 elementos. Pontualmente temos a presença de membros que já fizeram parte do grupo e que, quando estão cá na ilha, gostam de contribuir de alguma maneira. Posso lhe falar de um caso concreto, da Isabel Melo que é um membro da Direcção e que está em Lisboa, mas que a qualquer momento vai ajudando com o que consegue mesmo à distância. Continuamos com esta união.

O grupo de teatro tem membros entre que idades?
O membro mais novo do nosso grupo tem 14 anos e o mais velho tem 35.

Diria então que é um grupo jovem…
Sim, podemos afirmar que somos um grupo relativamente jovem.

Podemos afirmar então que a probabilidade de voltarem a parar é reduzida?
Sinceramente espero que sim. Desde que haja alguém que possa assumir a responsabilidade no futuro, porque eu não posso ficar cá para sempre. Acho que isto tem pernas para andar, como se costuma dizer.

40 anos é um numero redondo. Tem sido difícil à A Pontilha se ir adaptando aos tempos?
Na minha opinião não. O que notamos o ano passado, quando voltamos aos palcos, foi que as pessoas ficaram muito contentes com o nosso regresso, tanto que esgotamos o Teatro Ribeiragrandese muito facilmente para a 8ª edição da Noite do Sketch. Também conseguimos esgotar o Espectáculo de Natal em 10 dias. As pessoas até queriam mais sessões, infelizmente não tivemos condições para fazer mais. A adaptação não tem sido difícil, o que tem sido difícil é conseguir pessoas que se mantenham e se dediquem.

Tem algum projecto planeado para além da Noite do Sketch e do Espectáculo de Natal?
A noite do Sketch vai acontecer a 12 e 13 de Abril. Depois vamos inaugurar a exposição de comemoração dos 40 anos a 20 de Abril, exposição que vai ser através de fotos onde vão estar documentados os nossos 40 anos. Vamos também apresentar um documentário onde vão estar presentes várias gerações da Pontilha e vaias pessoas que de alguma forma foram contribuindo para o grupo. Vamos ter uma apresentação do grupo de teatro amador e da oficina de teatro infantil. Estamos a ver se há a possibilidade da quadrilha da Pontilha actuar. Este é um dos grupos mais recentes da Pontilha, é um grupo musical que começou por ser composto por quatro elementos, dai o nome, mas agora já é composto por seis elementos.
Posso divulgar também que já temos datas para o nosso Espectáculo de Natal, que será no Teatro Ribeiragrandense. Vamos repetir o espectáculo do ano passado, com alguns ajustes. Estamos também a ver a possibilidade de ir a outras ilhas.

Costumam colaborar com vários grupos de teatro. É fácil esta interacção entre os vários grupos de teatro que existem na ilha?
Nós costumamos colaborar com outros grupos de teatro sempre que é possível. Especificamente na Noite do Sketch, um dos objectivos é sempre promover essa partilha de conhecimentos entre vários grupos. Este ano temos a Ajur, que é outro grupo aqui da Ribeira Grande e temos também o grupo Alpendre, que vem propositadamente da ilha Terceira. Costumamos estar em contacto também com a 9 Circos e já tivemos a participação dos Cavaleiros da Távola de Queijos.

Quer acrescentar algo sobre a Noite do Sketch?
Posso adiantar que vamos ter a participação de uma artista, a Isabel Medeiros, que começou a fazer teatro com a Pontilha. Depois foi estudar artes para Lisboa e agora tem estado envolvida neste mundo das artes e vem fazer uma performance nesta noite. Também iremos ter a participação do artista Gonçalo Sitima, que é um actor do teatro do improviso, que vai fazer o seu sketch. No dia 13 de Abril, este artista fará um workshop de teatro do improviso no Teatro Ribeiragrandense. Fica aqui o convite para quem tiver interesse em participar. Tem o custo de 25 euros.

Como surgiu a Noite do Sketch?
Surgiu por iniciativa do André Melo como forma de fazer a união entre vários grupos de teatro e de unir o teatro à dança e à música. Há medida que foram feitas mais edições, focamo-nos mais no teatro, na dança e na performance. A música aparece só mais pontualmente.

Têm o objectivo de continuar com a Noite do Sketch?
O nosso objectivo é este. Esperamos continuar a fazer a Noite do Sketch, uma vez por ano.

Como tem sido a adesão das pessoas aos vossos espectáculos?
Temos experiência a fazer os espectáculos mais no Teatro Ribeiragrandense. Como disse anteriormente, tem sido fácil esgotar. Como há um pouco de falta de teatro da Região, as pessoas estão sedentas deste tipo de espectáculos. A Pontilha já é um grupo com algum nome, então quando as pessoas sabem que vai haver um espectáculo, geralmente vêm ver. Espero que isto continue agora para os espectáculos que temos agendados para este ano.

Espera então uma grande adesão quer para a Noite do Sketch, quer para o espectáculo dos 40 anos…
Espero que sim. A exposição dos 40 anos vai estar patente, no Museu Municipal da Ribeira Grande, de 20 de Abril a 7 Junho. Assim as pessoas podem ir visitando, em horário útil.

Têm o objectivo de chegar ao Teatro Micaelense?
Já tivemos espectáculos no Teatro Micaelense e esgotamos sempre os espectáculos. Temos a ambição de lá voltar, quando surgir esta oportunidade. O Teatro Ribeiragrandense é o nosso teatro mãe, é a nossa casa. É um local que nos deixa bastante confortáveis e apesar de ser mais pequeno, oferece excelentes condições para quem faz teatro.

Os vossos artistas possuem formação nas várias áreas. É fácil conciliar as diferentes formações de cada um?
Não diria que seja difícil conjugar as diferentes áreas, difícil é conjugar os diferentes horários. Recentemente gravamos o vídeo promocional da Noite do Sketch e tivemos que avançar apenas com os que estavam disponíveis. Se fossemos esperar para que todos pudessem, se calhar ainda não tínhamos gravado o vídeo. Normalmente marcamos um dia e os que puderem avançam.

Como consegue conjugar o teatro, com o seu trabalho e ainda a sua vida pessoal?
Não vou dizer que é fácil, porque não é. Ninguém tem noção do tempo que isto consome. Especialmente para quem tem gosto por isto. Á parte do meu trabalho, todos os dias surgem coisas para fazer relacionadas com A Pontilha. É difícil manter as pessoas activas precisamente por isso.

Quantos membros naturais da Ribeira Grande é que fazem parte de A Pontilha?
Actualmente temos 11 membros activos que são naturais da Ribeira Grande. Podemos dizer que a Pontilha é composta, na sua maioria, por membros naturais desteo concelho.

Espera que A Pontilha ainda esteja activa daqui a 40 anos?
Espero que sim. Ficaria muito feliz.

E era capaz de continuar a fazer parte?
Daqui a 40 anos já vou estar na casa dos 60. Se estiver viva e com forças, claro que farei parte com todo o gosto.

Tem algo que queira acrescentar a esta entrevista?
Quero apenas pedir para as pessoas virem ao teatro. Que as pessoas venham apoiar a cultura da Ribeira Grande e dos Açores e que venham celebrar connosco os nossos 40 anos. Somos uma associação que já conta com muita história.

Frederico Figueiredo

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