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Crónica da MadeiraQuando os partidos estão para além das regiões

Vivi em alguns países com Regiões Autónomas, onde a democracia não é uma palavra vã; onde existe entre os partidos uma salutar comunicação e interligação sempre que estão em jogo questões primordiais dos ditos países e Regiões. Em Portugal, isso não se verifica porquanto haja uma espécie de desafio entre os diferentes partidos que têm subjacentes o espírito do bota-abaixo. Durante os governos do Dr. Alberto João Jardim, a oposição nunca votou a favor de uma só obra, portanto tudo o que foi feito, para progresso da Madeira e dos madeirenses, jamais mereceu a concordância dos partidos da oposição. Talvez por isso, durante quatro décadas, os madeirenses deram ao governo do PSD uma maioria absoluta e só assim foi possível a Madeira atingir o grau de progresso realizado: na educação, na saúde, nos transportes, no turismo, na cultura, na emigração, nas estradas, na agricultura, na economia, enfim, em tudo o que hoje desfrutam os madeirenses.
A Madeira, de uma região subdesenvolvida, passou a uma região europeia desenvolvida. Muitas vezes estava sentado no hemiciclo da Assembleia, para a discussão dos orçamentos, e pensava, de mim para mim: como é possível que não haja um só deputado da oposição que vote a favor destas obras, tão fundamentais para o bem-estar de uma população tão carenciada; de uma população à qual, os sucessivos governos de Lisboa, negou o direito de ser ela própria a concretizar os seus sonhos? Não sou a favor de maiorias absolutas, mas perante este espírito que eu constatava, sempre que ia à Assembleia, concluí que sem ela não teriam, nem a Madeira nem os madeirenses, atingido os propósitos de uma Autonomia conquistada e tão incompreendida, ainda hoje, por muitos políticos mergulhados numa ignorância crassa, a este respeito.
As autonomias dos Açores e da Madeira têm dois rostos, quer queiram ou não concordar, de dois políticos: o de Mota Amaral e o de Alberto João Jardim. Eles lutaram, argumentaram, discutiram, expuseram as razões das vantagens de os dois Arquipélagos passarem de ilhas adjacentes a Regiões Autónomas para que se registasse o desenvolvimento negado, durante séculos. Por fim ganharam tão incessante batalha. A inteligência e o amor profundo às suas ilhas foram as “armas” usadas.
Naturalmente que os partidos e os seus militantes sabem que sem estabilidade não se progride nem socialmente, nem economicamente. Sem aquela, a população não será nunca beneficiada. Isto acontece só porque os políticos põem os partidos para além das suas Regiões, com seus caprichos, teimosias e visões deturpadas, isto é: primeiro eles, com as suas vaidades, orgulhos mal colocados, e só depois as terras que os elegeram. Eu penso que os eleitores, por exemplo, dos Açores e da Madeira, ao votarem, cumprem o seu dever cívico, fazem-no, no direito da liberdade que lhes assiste, para que haja mais bem-estar e progresso, para as referidas Regiões; para que se viva em harmonia, respeitando a escolha de cada qual. Em vez disso, infelizmente, assiste-se a um desacordo permanente, a uma arrogância em vez de humildade que devem ter os líderes, os que governam e presidem aos partidos. A grande tragédia é que os líderes dos partidos fazem destes como se fossem os seus próprios Clubes de Futebol… Imbuídos deste espírito, certamente não se chega a parte alguma.
Em democracia, deve governar quem, com maioria absoluta ou maioria relativa, ganha. Se assim não acontecer, haverá sempre uma instabilidade altamente prejudicial, cujos custos recaem sempre sobre as populações. Não há tragédia maior do que os líderes dos partidos e deputados se submeterem às instruções de Lisboa, onde o ambiente político é o que se conhece: agridem-se uns aos outros, vomitam ódios e raivas, dividem as pessoas, em nome da democracia.
A verdadeira democracia não é isto. Ela pede respeito, exige coerência e colaboração. Um olhar sempre atento sobre os problemas que afligem as populações. Para mim, os que se submetem aos líderes de Lisboa e cumprem as suas ordens não amam nem a Madeira nem os Açores. A Autonomia dá-nos a liberdade de pensar, de sermos nós próprios. Os governos dos Açores e da Madeira, por razões diferentes, caíram e talvez não tenham sido contabilizados ainda, em termos materiais, os custos. Se os nossos objetivos são servir as populações que exprimem a sua vontade, afinal o que ganharam os açorianos com o derrubo do governo? Nada! Novas eleições! O povo soberano votou na Aliança Democrática, dando-lhe a maioria relativa, designada para governar. Espero que chegue a bom porto, pois têm um excelente timoneiro, que é o Dr. José Manuel Bolieiro. Os Açores e a Madeira só se desenvolverão se todos nós, independentemente dos partidos a que pertencemos, com as discordâncias naturais, num gesto de amor pelas nossas regiões, dermos as mãos. Estou certo de que juntos vamos olhar ao futuro, onde se situam os nossos filhos e netos, e construiremos um Mundo Melhor para eles.
Assustei-me quando ouvi que as eleições nacionais custaram mais de vinte milhões de euros! Pensei nos inúmeros pobres que batem à porta da minha Associação sem dinheiro para adquirirem os seus medicamentos e alimentos.

João Carlos Abreu

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