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O fosso entre os resultados eleitorais e a vida das pessoas

Os resultados eleitorais de 10 de março não representam os bons indicadores económicos e financeiros que foram notícias nas últimas semanas, nem o progresso do salário mínimo nacional desde 2015.
A avaliar pelo desempenho da economia e financeiro o PS teria o suporte para ter vencido esta eleição. A análise dos resultados eleitorais conduz-nos a uma perceção diferente por parte das pessoas sobre a economia, melhor dizendo, sobre se o seu vencimento chega ao fim do mês ou não.
Admito que exista o conhecimento do tanto que foi feito pelos diferentes partidos, mas rapidamente o passado se dilui face às emergências presentes.
O resultado das eleições de 10 de março são o fracasso do sonho do 25 de abril de 1974.
Liberdade, é ter, no mínimo, acesso à educação, saúde, habitação e justiça, e a possibilidade de concretizar sonhos com as suas capacidades, cumprindo os seus deveres na sociedade. A educação pode e deve estar em contínua inovação, o que não podemos é ter falta de meios para responder a essa inovação.
A saúde pode e deve estar em contínua reestruturação, o que não pode acontecer é a recorrente falta de meios para responder à saúde dos Portugueses – seja com acordos no privado ou através do serviço público de saúde.
A justiça pode e deve estar em contínua melhoria, não pode é ser limitado o acesso a portugueses pobres e um meio de adiamento da aplicação da justiça para os portugueses ricos. Em ambos os casos a justiça não pode ser morosa. Curiosamente, ou não, a cultura foi tema ausente nos debates eleitorais. É certo que para os portugueses preocupados com o seu quotidiano, trazer este tema nas circunstâncias políticas e sociais apavorantes que hoje vivemos, era(é?) pouco emergente. Mas esta ausência demonstra algo muito perigoso, ou seja, o fato de Portugal estar a esquecer o passado e a coartar o futuro, vivendo apenas na tática para o presente – e assim, também, crescem os fenómenos como o Chega.
Os movimentos de extrema direita são uma realidade internacional e começaram com a mesma metodologia que o Chega e nos dias de hoje integram governos. Os partidos democráticos não souberam se unir contra este fenómeno e, por unir, refiro-me a criarem soluções para responder ao povo, deixando este partido de extrema direita no vazio do discurso fácil e sem propostas reais.
Em Portugal tudo se encaminha para o mesmo destino. PS e PSD não conseguem entender-se, a não ser, pela divisão de lugares nas Assembleias Legislativas Regionais e na Assembleia da República.
Mais do que noutros tempos, nos Açores e Continente, exigia-se um compromisso entre o PS e PSD. Um compromisso com áreas de entendimento bem definidas e constantemente a ser monitorizado. A recuperação da confiança dos portugueses não é recuperável com um movimento de esquerda como o Bloco parece querer propor. A realidade é outra. Os portugueses que votam hoje têm um diferente perfil sociológico do século passado – os resultados eleitorais do Bloco, PCP e Livre são bem prova dessa realidade.
PS e PSD deveriam ignorar o Chega – mas não os mais de 1 milhão de votantes – e responder às insatisfações do povo português e abandonarem a tática política para trás.
Neste momento para um Portugal diferente, a escolha é entre a tática política do PS e PSD e a tática de governar a favor de Portugal inteiro.

Sónia Nicolau

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