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A Economia azul e os Açores

A economia azul é um conceito que traduz a abordagem holística e integrada das áreas de atuação necessárias para, em simultâneo, fomentar o crescimento económico e garantir o futuro sustentável dos oceanos, ameaçado pelos impactos da sobrepesca, da poluição e das mudanças climáticas, nos ecossistemas marinhos e nas comunidades deles dependentes.
Neste artigo caraterizam os as principais áreas de atuação da economia azul, bem como os desafios e as oportunidades à sua implantação à escala global. De seguida, apresentamos alguns exemplos de como os Açores estão a pôr em prática a economia azul e a obter benefícios económicos e ambientais.
As principais áreas de atuação da economia azul são:
a) A conservação da biodiversidade marinha, essencial para manter a qualidade dos ecossistemas oceânicos e garantir a continuidade das cadeias alimentares.
b) A gestão responsável da pesca, fundamental para evitar a sobrepesca e promover práticas que permitem a renovação das populações de peixes.
c) A aquacultura sustentável, importante para oferecer uma alternativa à pesca tradicional e reduzir a pressão sobre as espécies selvagens.
d) A energia renovável, crucial para, com recurso às ondas, às correntes marítimas e à biomassa marinha, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e mitigar as emissões de carbono.
e) O turismo sustentável, costeiro e marinho, determinante para impulsionar as economias locais e fomentar a conservação dos ecossistemas marinhos e a educação ambiental.
f) A investigação, a inovação, a formação, o treino e a sensibilização, basilares para alavancar o desenvolvimento de tecnologias e incentivar práticas mais sustentáveis de exploração dos recursos marinhos.
g) A governança eficaz dos oceanos, indispensável para assegurar que todas as anteriores ações sejam executadas de forma coordenada, bem como para nelas agregar governos, organizações internacionais, o setor privado e as comunidades locais.
Os desafios à implantação da economia azul à escala global estão associados à sobrepesca, que ameaça a sustentabilidade das populações de peixes e o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Também consideram a poluição oceânica provocada por plásticos, produtos químicos e resíduos industriais, que constituem uma ameaça direta à vida marinha e à qualidade dos ecossistemas costeiros. Além disso, englobam as mudanças climáticas que, ao contribuírem para a acidificação dos oceanos, o aumento das temperaturas e a fusão das calotas polares, podem ter impactos devastadores nos ecossistemas marinhos e nas comunidades costeiras.
Embora condicionada por estes desafios, a economia azul integra uma série de oportunidades relevantes para a sua implantação à escala global. Com efeito, a conservação da biodiversidade marinha fomenta o turismo sustentável e favorece a pesquisa científica e a educação. A gestão responsável da pesca contribui para a recuperação dos stocks pesqueiros e a agregação de valor do pescado. A aquacultura sustentável fornece proteínas alimentares e estimula o desenvolvimento da economia costeira. A energia renovável reduz as emissões de carbono, cria emprego e promove o investimento. O turismo sustentável, costeiro e marinho, impulsiona as economias locais, a conservação dos ecossistemas marinhos e a educação ambiental. A investigação, a inovação, a formação, o treino e a sensibilização desenvolvem soluções tecnológicas e incentivam práticas mais sustentáveis para a exploração dos recursos marinhos. A governança eficaz dos oceanos promove, dinamiza e coordena as acções no mar, agregando as partes envolvidas.
Nos Açores, existem diversas entidades e projectos alinhados com a economia azul, que são bons exemplos da forma como, à escala regional, se pode contribuir para a actuação holística e integrada nos oceanos.
As áreas marinhas protegidas das várias reservas naturais e das áreas protegidas de gestão de recursos da Região, visam preservar a biodiversidade marinha e promover o uso sustentável dos recursos oceânicos.
No campo da gestão responsável da pesca, são relevantes as posturas industriais e comerciais, por exemplo, da Associação de Armadores de Pesca Artesanal dos Açores, da Conserane da Federação de Pescas dos Açores.
Os consideráveis investimentos da Aquazor na piscicultura e da seaExpert na comercialização de algas marinhas dos Açores, para as indústrias da biotecnologia e cosmética, são alguns testemunhos de projetos de aquacultura sustentável.
No turismo sustentável, costeiro e marinho, empresas como a Terra Azul, a Picos de Aventura e a Futurismo, entre outras, promovem a observação de baleias e golfinhos, o mergulho, os passeios de caiaque e as caminhadas em trilhas, com foco na conservação dos ecossistemas marinhos.
A Universidade dos Açores realiza investigação e inovação vocacionada para as soluções tecnológicas em áreas relacionadas com a ecologia marinha, as mudanças climáticas e a sustentabilidade dos recursos pesqueiros, enquanto a Escola do Mar dos Açores, através de ações deformação, treino e sensibilização, incentiva práticas mais sustentáveis para a exploração de recursos marinhos.
A governança eficaz dos oceanos na Região é uma consequência do desenvolvimento de políticas marítimas integradas, da criação de reservas marinhas protegidas, da realização de iniciativas de conservação marinha e costeira, do investimento em tecnologias sustentáveis de pesca, da gestão dos recursos piscícolas e da participação das populações locais.
A economia azul, embora tenha um futuro muito promissor nos Açores, também está sujeita aos impactos da sobrepesca, da poluição oceânica e das mudanças climáticas que afetam, à escala global, os ecossistemas marinhos e as comunidades deles dependentes.
No entanto, a Região contribui ativamente para suplantar estes desafios, em resultado da implementação da abordagem holística e integral atuação nas áreas da biodiversidade marinha, da pesca, da aquacultura, do turismo costeiro e marinho, da investigação, inovação, formação, treino e sensibilização, e da governança dos oceanos. A estas importa, agora, acrescentar a energia renovável, que tem um enorme potencial, suscetível de ser aproveitado pelo estabelecimento de parcerias entre empresas do setor e instituições nacionais e internacionais de investigação.
Nestas circunstâncias, podemos afirmar que os Açores integraram a economia azul nas políticas públicas regionais, para fomentarem o crescimento económico e, ao mesmo tempo, garantirem o futuro sustentável dos oceanos.

Almirante António Silva Ribeiro

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