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Número de estrangeiros que procura São Miguel para tratamento de reabilitação oral está a aumentar

De acordo com Samuel Silva, dentista e director clínico da Clínica Dentária Luso-Brasileira Dentbom, “a falta de higiene bucal tem relação directa com males de saúde em geral, como desconfortos físicos e emocionais, e doenças sistémicas, cuja primeira manifestação se dá na boca. Uma delas é a endocardite bacteriana, um grave problema no coração, que pode ser causado por bactérias provenientes dos dentes.” Afirma, ainda, que o número de cidadãos estrangeiros que procura os Açores para os seus tratamentos de reabilitação oral tem vindo a aumentar, “ainda que de forma discreta” e diz “que a clínica está preparada para esse nicho de negócio.”

Correio dos Açores – Que relevância atribui ao Dia Mundial da Saúde Oral?
Samuel Silva (Médico dentista e Director Clínico) – Lá se vai o tempo que o paciente dizia que o “Dr. é que sabe”. Desde 20 de Março de 2007, com o propósito de dar relevância aos cuidados da saúde oral, cada vez mais os nossos pacientes têm conhecimentos da sua condição dentária porque falamos mais, explicamos mais, mostramos com os nossos espelhos e, para eles, cada consulta é uma aprendizagem, e isso vai-se espalhando nas suas conversas em família.

Que percentagem de açorianos ainda não vai ao dentista nos dias que correm? Que razões levam muitos açorianos a só irem ao dentista quando tem grandes problemas de saúde oral?
É difícil falarmos em percentagens, mas efectivamente temos visto cada vez mais pessoas que nos procuram para evitar tais situações. Evidentemente, que situações inesperadas e tidas como surpresas acontecem e nada de tirar dentes. O nosso maior foco é salvá-los, dando saúde, estética e beleza. Os nossos pacientes já sabem disso quando dizem que “antigamente quando um dente doía, era só tirar” e cada um com as suas vivências desagradáveis. Hoje já não é assim e percebem a importância de mantê-los na boca de forma funcional.

Deveria haver uma maior preocupação com as cáries dentárias nos Açores? E porque não há?
Trata-se de saúde pública e, portanto, com necessidades de políticas públicas. Considerada pela Organização Mundial de Saúde como um grave problema de saúde pública que afecta quase 90% da população de todas as idades, a cárie provoca desconforto, dificulta a mastigação, altera a estética e a auto-estima do indivíduo. Portanto, políticas públicas com intuito de combater ou controlar as cáries da nossa população melhoram a qualidade de vida e o relacionamento entre as pessoas no grupo familiar, no trabalho e na escola.

Quais são as principais preocupações relacionadas com a saúde oral da população açoriana que frequenta mais as clínicas dentárias?
Atendemos pessoas de várias idades, sexos, condições sociais e financeiras e, portanto, encontramos um variado leque de situações a que damos respostas sempre para a melhoria da sua condição oral. Contudo, um número crescente de pessoas procura-nos com intuito de fazer reabilitações, através de implantes, coroas e facetas e endodontias (desvitalizações) e tratamentos periodontais (gengivas).

Quais são os sinais de alerta que os pacientes devem estar atentos e que indicam a necessidade de uma consulta odontológica?
O paciente não deve esperar por nenhum “sinal de alerta”. Costumo dizer que quando houver um sinal de alerta é porque já passou da hora. Fazemos consultas de avaliação e rastreios gratuitos, desde sempre e sem custos. Portanto, estão sempre informados sobre as suas condições bucais, além de que os informamos pormenorizadamente com diagnósticos claros e objectivos. Aquilo que os planos de saúde dentária “oferecem”, já o fazemos desde sempre.

Há muitos utentes que procuram os dentistas através dos seus seguros?
Há muito que se diga relativamente a esse tipo de seguro dentário. É um assunto debatido pela Ordem dos Médicos Dentistas há muito tempo e não gostaria de levantar polémicas a respeito desse tema neste momento.

Há muitos açorianos a procurarem implantes dentários? Porquê?
Cada vez mais, atendemos pacientes à procura de reabilitações dentárias, recorrendo a implantes. Muitos, durante anos, sofreram com próteses removíveis com “céu da boca em acrílico” soltas, e quando encontram alguém, algum vizinho ou familiar que optou por próteses fixas, o interesse aumenta. Dessa forma, podemos explicar ao paciente como funciona, podemos mostrar a quantidade de osso que dispõem e descobrimos, à frente do ecrã do computador, que o paciente poderá ter uma prótese fixa, sem “céu da boca” (palato), podendo voltar a mastigar bem e a sentir os sabores dos alimentos, além de voltar a ter um sorriso incrível sem colas e totalmente confiantes. As reabilitações com dentes unitários ou parciais são também muito procuradas para substituir uma prótese parcial velha acrílica de um dente à frente ou outro dente posterior que sempre fez falta para a sua estética ou na sua mastigação. A satisfação é sempre surpreendente e, em algumas situações raras, o medo ou receio é substituído pelo bem maior, que é voltar a ter os dentes fixos e altamente estéticos. Muitos dizem que “achavam que seria pior”. Cirurgias sempre calmas, tranquilas e surpreendentes.

Quais são os desafios que os profissionais de odontologia enfrentam nos Açores?
Penso que estão ultrapassadas quaisquer dificuldades que podia haver nos anos anteriores por sermos região ultraperiférica. Actualmente, e falando sobre medicina dentária, não consigo imaginar quaisquer dificuldades. Portanto, a população açoriana tem a melhor tecnologia, a melhor formação e preparação dos seus profissionais e está, garantidamente, em boas mãos. Nas nossas clínicas, encontram os melhores profissionais com formações fartas e actualizadas, sempre.

A Clínica Dentbom incentiva os pacientes a manterem uma rotina regular de check-ups odontológicos?
Tratamos os pacientes como uma grande família toda conectada pelos meios de comunicações habituais. Através dessa comunicação directa, o nosso paciente recebe informações e, com um atendimento personalizado, damos conhecimento de algum tratamento promocional ou formas facilitadas de pagamentos. Disponibilizamos também agendamento online, ou seja, à distância de um clique.

Ainda se encontram pessoas com falta de hábito de lavar os dentes nos Açores? Estamos a falar de que percentagem?
Cada vez menos pessoas persistem nesse “hábito”. O importante é que uma vez que o paciente experimenta a profilaxia oral e as instruções de higiene que damos, o brilho do seu sorriso aparece e a partir daquele momento conseguimos romper aquele ciclo. Evidentemente, esse paciente fará parte daquele grupo de pessoas que serão lembradas por nós, daí a algum tempo, para regressar para outra limpeza, merecendo como recompensa um desconto promocional pela assiduidade.

Há ainda muitos açorianos que não estão sensibilizados para lavar os dentes após as refeições, duas vezes ao dia ou uma vez por dia?
Se conseguirmos incutir-lhes essa importância, teremos um avanço. Muitos chegam à clínica a pedir desculpas por não o ter feito antes da consulta e isso, para mim, é consciencialização.

O número de cidadãos estrangeiros que procura os Açores para os seus tratamentos de reabilitação oral tem vindo a aumentar?
Sim, ainda que de forma discreta, temos percebido o interesse e estamos preparados para esse nicho de negócio. A ilha de São Miguel é fantástica e é reconhecida a nível mundial pelas suas belezas naturais e por estar no centro das maiores rotas aéreas e, portanto, muito atractiva para o turismo. É nesse contexto que temos todas as condições para promover, além do turismo convencional, o turismo odontológico mostrando que temos todas as condições em equipamentos, experiência e conhecimentos dos mais avançados praticados nos melhores centros e das grandes cidades.

Qual o impacto directo da saúde oral na saúde geral dos pacientes?
Muitas vezes, a falta de higiene bucal tem relação directa com males de saúde em geral, como desconfortos físicos e emocionais, e doenças sistémicas, cuja primeira manifestação se dá na boca. Uma delas é a endocardite bacteriana, um grave problema no coração, que pode ser causado por bactérias provenientes dos dentes, além da diabetes que tem controlo mais dificultado.
Os problemas de saúde afectam o trabalho, a escola, na medida em que acabam por reduzir a produtividade, afectando desde a concentração ao absenteísmo.

“Fomos pioneiros em abrir clínicas em algumas ilhas”

A Dentbom é uma clínica luso-brasileira que se expandiu nos Açores…
Cleusa Santos – Escolhemos os Açores pela natureza e pelo seu clima ameno que se assemelhava ao local de onde viemos. Depois, ficámos cativados pela boa disposição e generosidade dos açorianos e inclusive pela intensa e boa emotividade com que se dedicam a tudo o que fazem, em contrapartida com a sua serena simplicidade.
No início, estive a morar nove meses em Vila Franca do Campo. Mesmo com pouco convívio, ao despedir-me dos meus vizinhos, quando anunciei a nossa mudança de ilha, além de um abraço, expressaram-se com lágrimas. Neste dia, renasci açoriana. Cheguei há 23 anos, em 2000. Fomos pioneiros em abrir clínicas privadas em algumas ilhas do arquipélago. Vimos que havia falta de profissionais nesta área. Montámos a primeira clínica na ilha de Santa Maria em 2001 e, na sequência, nas Flores, em São Miguel, na Graciosa e, por último, no Corvo, em 2007, no lar de idosos. A seguir, veio a crise que assolou a todos, inclusive os Açores entre 2007 e 2008. De cinco consultórios, restou um em São Miguel, na Vila das Capelas. Encerramos os nossos atendimentos nas ilhas vizinhas e, no ciclo da Fénix, a nossa expansão manteve-se apenas em São Miguel, onde temos actualmente seis clínicas, situadas em Vila Franca do Campo, na Ribeira Grande, nos Arrifes, nas Capelas, no centro na Avenida, ao pé da Lagarta, e, por último, em São Gonçalo ao pé da rotunda onde situa a nossa actual sede.

A clínica vai continuar a expandir-se?
A expansão e evolução é sempre uma meta, pois se queremos manter um serviço de excelência aos nossos pacientes, temos de acompanhar a evolução do sector. No início, a nossa equipa contava apenas com Onive dos Santos Júnior como médico generalista e Márcio Neto como ortodontista. Hoje, somos uma equipa de cinco médicos, designadamente Giulia Ailen dos Santos – filha de Onive Santos e Cleusa Santos –, à frente da Direcção Administrativa, juntamente com os médicos Dr. Samuel Vieira da Silva – médico generalista e implantologista, que actua na equipa há 18 anos e é hoje o nosso director clínico principal –; o Dr. Clavius Siqueira, médico generalista e implantologista, com uma carreira de mais de 10 anos; e Patrícia Azambuja ortodontista com mais de 10 anos, juntamente com Greike David, médico generalista e ortodontia com o mesmo tempo de carreira. Giulia Ailen está à frente da direcção e actua como médica generalista, ortodontia e, actualmente, em Harmonia facial (medicina estética). Além da equipa médica, temos a restante equipa que todos os dias trabalha nos bastidores, composta por Helena Arruda, assistente administrativa desde 2006; Mónica Carvalho, recepção geral desde 2009; Denise Moniz; Joana Medeiros; Selésia Furtado; Teresa Amaral; Raquel Cunha; Ana Medeiros; Mariana Moniz e todos os que colaboram connosco.
Tal como a nossa equipa cresceu, o leque de tratamentos oferecidos dentro da área da medicina dentária também acompanhou o mesmo ritmo. A nossa meta de crescimento inclui expandir o espaço actual e continuar a investir e crescer juntos com esta equipa multidisciplinar de excelência, alienando todos os nossos recursos que nos trouxeram até aqui, fornecendo um serviço de alta qualidade a todos os pacientes e apostando fortemente na tecnologia. Contamos hoje com Raio-X panorâmico 3D e RVGs, leitores de RX, scanner digital, equipamentos de endodontia mecanizada e óculos binoculares de alta amplitude.

Carlota Pimentel

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