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“É importante pensar em estratégias para fixara população mais nova, porque muitos jovens estão a sair da freguesia”, afirma Cidália Pavão

Cidália Pavão, Presidente da Junta de Freguesia das Sete Cidades, aponta como principais dificuldades a carência de habitações, principalmente para casais jovens, a falta de postos de trabalho, de parques de estacionamento, de um salão para festividades, impérios e festas da freguesia, e de espaços específicos para merendários. Considera, também, a falta de manutenção dos caminhos rurais e urbanos e de limpeza de espaços envolventes às margens das lagoas como um problema, justificado com a escassez de mão-de-obra. Defende, ainda, que é necessária uma maior manutenção das ribeiras e bacias de retenção, tendo em conta que os deslizamentos de terras têm sido cada vez maiores.

Correio dos Açores – Que retrato faz hoje da freguesia das Sete Cidades?
Cidália Pavão (Presidente da Junta de Freguesia das Sete Cidades) – Actualmente, a freguesia das Sete Cidades é cada vez mais procurada por visitantes e turistas. Nos últimos anos, tem-se notado que a freguesia recebe visitantes ao longo de todo o ano, comparativamente há alguns anos, onde a afluência era mais notória apenas a época de Verão. A meu ver, o contacto com a natureza é um dos grandes atractivos da freguesia. O crescimento do turismo requer que sejam dadas condições que, infelizmente, a freguesia ainda não tem desenvolvido a 100%. Para os nossos habitantes, é importante pensar em estratégias para fixar a população mais nova, porque muitos jovens estão a sair da freguesia.

Quais são as principais dificuldades que a freguesia enfrenta?
As principais dificuldades são carência de habitações, principalmente para casais jovens, falta de postos de trabalho, de parques de estacionamento, de um salão para festividades, impérios e festas da freguesia, e de espaços específicos para merendários.
Além disso, a falta de manutenção dos caminhos rurais e urbanos, bem como de limpeza de espaços envolventes às margens das lagoas é um problema, porque existe muita falta de mão-de-obra. As entidades competentes, como o Governo Regional, a Câmara Municipal e até mesmo a Junta de Freguesia, têm falta de mão-de-obra e de verbas para realizar limpezas e manutenções que requerem custos mais elevados.
As alterações climáticas também se têm vindo a fazer notar, principalmente nos meses de Inverno, com as grandes chuvas. Ultimamente, a freguesia tem registado algumas ocorrências de inundações em habitações. É, também, necessária uma maior manutenção das ribeiras e bacias de retenção, pois os deslizamentos de terras têm sido cada vez maiores.

Em sua opinião, o que se poderia fazer para solucionar estes problemas?
Em primeiro lugar, é necessário, sem dúvida, criar condições de contratação de mais mão-de-obra. É preciso também que haja um maior controlo na limpeza de caminhos, grotas, bacias. Estes locais devem estar sempre limpos, para que os escoamentos sejam mais fáceis. Há que ter, também, sempre uma verba disponível para alguma emergência.

Qual é a dimensão da carência de habitações na freguesia? De que forma se pode resolver este problema?
Existe muita falta de habitações na freguesia, principalmente para casais jovens. As casas existentes, que estão a venda, requerem obras. Comprar uma casa, acrescentado o valor para as obras não é fácil nos dias que correm, com a agravante de que é sempre necessário comprar os terrenos das casas que também não estão a preços acessíveis. Relativamente à construção, é necessário criar condições de apoio para o efeito.

O tráfico de substâncias ilícitas e o número de toxicodependentes tem vindo a aumentar na freguesia?
Curiosamente, já tivemos uma altura em que o tráfico e o número de toxicodependentes era notório na freguesia mas, ultimamente, este número tem vindo a diminuir e não tem sido tão evidente na sociedade local.

Qual a dimensão da pobreza na freguesia? O que tem feito a Junta de Freguesia a este nível?
De facto, existem casos de pobreza na freguesia e em algumas situações não é evidente. No entanto, a Junta de Freguesia tem conhecimento e tem tentado ajudar, reencaminhando os casos para o Instituto da Segurança Social dos Açores, de forma a que as famílias sejam acompanhadas. A Junta de Freguesia também ajuda a nível de bens alimentares, dentro das possibilidades, principalmente nas alturas festivas.
Temos também na freguesia algumas famílias carenciadas e beneficiários de RSI que já recebem apoio por parte do Governo Regional e da Câmara Municipal. No entanto, julgo que deveria existir um maior controlo e uma tentativa de inserir estes beneficiários no mercado de trabalho. Estas pessoas podem fazer trabalhos na freguesia, de forma a justificar o apoio que recebem e não se acanharem com os subsídios que lhes são concedidos.

Qual é a abordagem da Junta de Freguesia das Sete Cidades ao desenvolvimento do turismo? Qual o seu impacto na freguesia em termos socio-económicos e ambientais?
O turismo é um ponto crescente nas Sete Cidades. Existe um crescimento socioeconómico, principalmente a nível de restauração, mas julgo que poderia existir alguns pontos para venda de artesanato, favorecendo assim a freguesia e criando postos de trabalho.
A nível de actividades para o turismo, a freguesia está bem desenvolvida, pois tem várias actividades náuticas, como canoagem, gaivotas. Tem, também, passeios bicicleta, o que promove a freguesia.
A nível de impactes ambientais, nota-se que as pessoas estão cada vez mais conscientes e são mais civilizadas. Porém, seria necessário mais pontos de lixo e uma maior fiscalização, especialmente aos fins-de-semana e feriados, pois é necessário haver controlo, no que diz respeito ao estacionamento de carros nas margens das lagoas.

Não há forma de pressionar, em termos governamentais e autárquicos, para que se avance com o projecto do Monte Palace?
Infelizmente, e desde há três anos, não temos qualquer informação do que vai acontecer ao Monte Palace. Um dos representantes reuniu-se connosco e mostrou ter muitas ideias e muita vontade de transformar o edifício, mas ate ao momento nada feito.

A conclusão do parque de campismo das Sete Cidades tem vindo a ser adiada. Que diligências tem feito para a sua conclusão?
Segundo reunião com o Sr. Secretario Regional do Ambiente e Acção Climática, Alonso Miguel, o projecto do parque de campismo está em fase de conclusão. Estamos ansiosos que termine o mais rápido possível.

Sete Cidades é também uma freguesia rural. A economia agrícola tem-se ressentido da baixa do preço do leite e a subida dos custos de produção?
Claramente, o número de produtores que teve que vender e terminar a sua actividade agrícola é cada vez maior, não tanto pela baixa do preço do leite e subida dos custos mas porque o Eng. Caetano de Andrade terminou os contratos dos terrenos com os produtores, pois o valor de renda pedido não é suportável. Ficando sem terrenos, os produtores tiveram que terminar a sua actividade, ficando muitos sem outra fonte de rendimento. Agora, com 40 e 50 anos, vêem-se obrigados a encontrar outra profissão.

A freguesia tem potencial para se desenvolver mais?
Há sempre potencial a desenvolver. Devemos apostar a nível turístico. Como o contacto com a natureza tem agora uma grande procura, creio que devemos criar espaços específicos e favoráveis a este usufruto.

Quais são as principais prioridades de desenvolvimento nos próximos anos?
Como prioridade para os próximos anos, aponto a recuperação da zona central da freguesia, a construção de um salão para festividades, a criação de zonas especificas de lazer e merendários, bem como de parques de estacionamento.

Carlota Pimentel

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