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D. Armando Esteves Domingues convida sacerdotes a renovar as promessas, tendo como exemplo os “olhares que Jesus dirige aos seus”

Mais de três dezenas de sacerdotes das ilhas de São Miguel e de Santa Maria renovaram as suas promessas sacerdotais, na Segunda-feira de manhã, na Igreja Matriz de São Sebastião, em Ponta Delgada, ao lado do bispo de Angra que lhes pediu para, com ele, renovarem “esta grande história de amor” que começou no dia da ordenação e que hoje, revelando-se porventura “mais exigente”, possa ser “o alicerce de uma Igreja de serviço”, sobretudo aos mais frágeis.
“Que a renovação das promessas seja a renovação deste amor fiel; podemos abraçar-nos, olharmo-nos olhos nos olhos e renovar esta grande história de amor. Formemos um só corpo que se quer bem, porque hoje é mais difícil, corpo fraterno e amigo, generoso, disponível e com capacidade de se renovar todos os dias para gerar vida nova”, afirmou D. Armando Esteves Domingues logo no início da homilia, altura em que se dirigindo à vasta assembleia de fiéis presentes, pediu desculpa por falar sobretudo para os padres, porque hoje “caríssimos, é o nosso dia”.
A partir de três olhares de Jesus, tema que irá nortear todas as reflexões desta Semana Santa na diocese de Angra, o bispo de Angra, com palavras de grande proximidade- chegou a tratar os sacerdotes por filhos, mais do que uma vez-, começou por pedir que “amem o seu sacerdócio ministerial”, lembrando-lhes que mesmo diante das “infidelidades” nunca “estão sozinhos”.
“É um tempo difícil para nós” salientou; “somos poucos” e temos “os olhares virados para nós e não só na pregação, mas também no nosso estilo de vida”, afirmou o prelado, lembrando o exemplo de Jesus e convidou-os a nunca desistirem do seu ministério.
“Que o desânimo nunca se apodere de nós. Uma crise não é pecado, mas uma nova oportunidade; uma dificuldade que às vezes nos impede de avançar, e que possamos sentir, deve ser vista como um ponto de arranque para novas etapas”, disse ainda pedindo, por outro lado, “correcção fraterna e amor” uns para com os outros, mas sobretudo com as comunidades.
“Sabemos todos que não é só na homilia que os olhos estão postos em nós. Muitos olhos se fixam na nossa forma de vida. A nossa missão é sujeita a interpretações várias” disse.
“O que é que Jesus disse e fez na última ceia?” interpelou, lembrando o gesto do lava-pés, que se repetirá na Quinta-feira Santa e as palavras que dirigiu aos discípulos sobre a partilha, ou as traições que sofreu.
“Jesus começou e acabou a falar da vida… Também assim deveriam ser as nossas homilias e o nosso testemunho: amar sem esperar recompensa”, mesmo quando as dificuldades vêm do “olhar sufocante de colegas” .
“É difícil ter o olhar de Jesus nestas circunstâncias, mas não há outro” exclamou D. Armando Esteves Domingues, que desafiou ainda os sacerdotes a “rezarem a palavra que vão dizer e nunca repetir homilias”; “ler e meditar em conjunto”, fazer “lectio divina em grupos de padres ou padres com leigos”, entre outras iniciativas que possam contribuir para “uma Igreja de serviço”.
“Oxalá sejamos e nos sintamos os alicerces desta Igreja de serviço, desperta para o outro. Nós não temos a salvação da humanidade a não ser com Cristo. Aprofundemos isto e convidemos o povo de Deus a aproveitar ao máximo a complementaridade”, afirmou ao enfatizar que “quando amamos e nos sentimos amados tornamo-nos mais credíveis”.
“Não estamos sozinho e caminhamos sempre com Ele”, concluiu salientando que “Sem Cristo e sem o Seu perfume a Igreja corre o risco de ir para a frente sem Deus e sem esperança” e hoje “o mundo precisa desta esperança”.
Nesta celebração participaram dois dos sete sacerdotes que completam os seus jubileus este ano: os padres Francisco Zanom, brasileiro, mas que serve na diocese há já vários anos e que foi ordenado há 25 anos e o padre António Rego, sacerdote diocesano, ordenado há 60 anos e que serviu sobretudo a Igreja na área da comunicação.
“É um dia bonito para todos nós, mas é particularmente bonito para o Padre António Rego que foi ordenado nesta Matriz há 60 anos. Fica aqui a expressão da nossa diocese, mas também da Igreja portuguesa a quem deu tanto através da comunicação social, contribuindo para a abertura da Igreja ao mundo, uma Igreja aberta e atenta ao mundo”.
Ontem, o Bispo de Angra celebrou na sua catedral a Missa Crismal, na qual participaram mais de 40 sacerdotes de todas as ilhas, às 11h00. A Missa Crismal, que habitualmente se celebra na manhã de Quinta-feira Santa foi antecipada de forma a que os sacerdotes pudessem estar presentes e regressar às suas ilhas para o início do tríduo pascal.
Na Missa, o bispo, rodeado pelo seu presbitério e pelo povo de Deus, consagrou o santo crisma e benzeu os outros óleos, que, depois, serão usados, por toda a diocese, na administração dos vários sacramentos. Na celebração da Missa Crismal, pôs-se também em relevo a unidade eclesial à volta do bispo e a origem pascal de todos os sacramentos.

I.A. 
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