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Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considera Inverno Iata 2023/24 sem a Ryanair “um retrocesso no modelo de acessibilidade à Região”

A Direcção e a Comissão Especializada do Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada – Associação Empresarial das Ilhas de São Miguel e Santa Maria manifestaram ontem preocupação com o “retrocesso que o turismo está a terno Inverno IATA 2023/24.” Segundo afirmam, “a situação mostra alguns sinais de preocupação na medida em que o impacto de recuperação da pandemia já não se faz sentir nos negócios.”
“Na saída da pandemia, os Açores conseguiram-se posicionar no mercado e constituíram-se como um destino diferenciado, com características que agora, são replicadas por diversos outros destinos concorrentes. Estamos perante um novo paradigma que se caracteriza por uma concorrência mais feroz de outros destinos que já se adaptaram às alterações do mercado assumindo-se como destinos sustentáveis”, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado à redacção do Correio dos Açores.
Na reunião de ontem, cujo objectivo foi “analisar e discutir a situação actual do sector do turismo”, foi constatado que tem havido mais investimento no sector do turismo que permite “a disponibilização de mais oferta turística no mercado”, enquanto que os lugares disponibilizados nas ligações aéreas, neste Inverno que está a terminar, “não só não acompanharam esse crescimento como regrediram.” Nas ligações para Portugal continental, houve, “neste Inverno, um decréscimo de cerca de 11% de lugares o que corresponde a cerca de 50.000 lugares que podiam potenciar 150.000 dormidas.”
No encontro, foi realçada a importância das acessibilidades aéreas num destino arquipelágico como os Açores, “não só pela capacidade aérea que é necessária, mas também pela sua diferenciação em termos da capacidade de captação de diversos segmentos nos mercados dos diversos operadores aéreos. O fraco desempenho do sector do turismo neste inverno IATA 2023/24 é corolário dessa importância”, assevera a associação empresarial.
E prossegue: “Por um lado, a hotelaria tradicional sofreu menor impacto com a redução dos voos da Ryanair com alguma compensação feita pela SATA mas, por outro lado, o alojamento local, a restauração, as rent-a-car, a animação turística e outras actividades turísticas sofreram decréscimos que em alguns casos ultrapassaram os 40%.”
O mesmo documento dá nota que o actual contexto apresenta “muitos desafios, alguns de carácter exógeno, como são designadamente os casos das taxas de juro elevadas, a evolução da economia global e a situação dos mercados emissores.” São apontados, também, outros desafios “de carácter interno, nomeadamente ao nível da manutenção da rede de acessibilidades aéreas, com especial enfoque nos invernos, aliás alinhados com a pretensão política de combate à sazonalidade.”
Para a Direcção e a Comissão Especializada do Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o sector do turismo tem “uma relevância acrescida na economia regional, quer em termos de emprego – representando cerca de 25 mil postos de trabalho directos e indirectos –, quer para o PIB regional (cerca de 12%) e contribuiu para fixação de população nas ilhas. Não fora o crescimento do turismo na última década a evolução demográfica dos Açores teria sido muito mais negativa do que já foi, pelo que não é aceitável que o sector tenha um retrocesso real”, assegura.
Na sequência da reunião, o organismo identificou um conjunto de áreas que constituem “motivos de preocupação e que carecem de necessária intervenção/decisão”, nomeadamente “o agravamento da sazonalidade” em resultado da “redução da procura pelo destino, pois a taxa de ocupação nos Açores decresceu 6,7% em Janeiro de 2024 e o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) também decresceu 6,3% (quebra mais elevada do país), estando os Açores no 3º lugar das regiões com pior RevPAR de Portugal.”

Escassez da capacidade
aérea na Região
A Câmara do Comércio salienta a “escassez da capacidade aérea” face à “redução drástica das ligações operadas pela Ryanair no Inverno IATA” com “impacto efectivo na procura pelo destino e, ao contrário do que se exigia, os voos não estão a acompanhar a disponibilidade que existe ao nível da oferta turística. A escassez de voos está a bloquear o sector do turismo. Sem voos não há turismo,” realça.
Constata a “concorrência agressiva de outros destinos (…) mais competitivos, em termos de qualidade de produtos e serviços turísticos, bem como dos preços do transporte aéreo, pondo em causa o trabalho de posicionamento do destino Açores”.
Cita o Serviço Regional de Estatística dos Açores de que os custos do sector turístico “cresceram muito mais do que os proveitos, diminuindo a margem libertada que é imprescindível para a sustentabilidade do sector, nomeadamente para amortização dos investimentos e combate ao impacto negativo da sazonalidade cada vez mais acentuada.”

(In)Segurança dos trilhos
e na cidade de Ponta Delgada
Manifesta preocupação quanto à segurança dos trilhos, dando ênfase à “notícia de que há mais de 30 dias que um cidadão belga está desaparecido na Lagoa do Fogo, o que é no mínimo incompreensível”. Considera relevante “haver um procedimento de segurança associado à actividade dos trilhos pedestres, como por exemplo a utilização de um equipamento com mecanismo de localização, que garanta a necessária segurança dos turistas.”
Sublinha a falta de “uma infra-estrutura de acolhimento aos turistas na Lagoa de Fogo, necessária à qualificação e segurança da experiência turística” e “ainda sobre questões de segurança, foi manifestada muita preocupação com o sentimento crescente de insegurança na cidade de Ponta Delgada, sobre o qual é urgente uma intervenção integrada das várias entidades com responsabilidade na matéria.”
Constata, ainda, a “degradação na gestão dos trilhos pedestres”, o que impacta “negativamente na experiência e imagem do destino Açores, sendo necessária uma articulação mais efectiva entre os municípios e as direcções regionais que gerem este activo turístico, como por exemplo na implementação de uma sinalética adequada.”
No que diz respeito à promoção turística, é considerada “débil e sem um plano efectivo e adequado aos desafios do sector que já gera cerca de 600 milhões de euros de PIB nos Açores, recebendo menos do que 1% de reinvestimento do governo em promoção.”
De acordo com a associação empresarial, a bandeira do combate à sazonalidade expressa no PEMTA “não se traduz em campanhas de marketing agressivas e alinhadas com o desenvolvimento das acessibilidades aéreas”, havendo um “sério risco que esta falta de promoção não induzirá a necessária procura que pode levar a que mais companhias relevantes abandonem o destino Açores.”

Necessidade de modernização
do Subsídio Social de Mobilidade
Já sobre o modelo de Subsídio Social de Mobilidade, manifesta preocupação com a necessidade de moralização e modernização deste subsídio.
Por sua vez, como aspectos positivos, a Comissão identificou as “boas perspectivas de ligações externas para o Verão 2024, manifestando “satisfação com o aumento da capacidade aérea no Verão de 2024 nas rotas do mercado internacionais de cerca de 18% face ao período homólogo.” Por outro lado, deu ênfase às “ténues perspectivas de ligações internas para o Verão 2024.” A comissão registou o crescimento de “apenas 4% da oferta no mercado nacional, o que evidencia uma perspectiva pouco animadora tendo em conta o peso e o potencial do mesmo.”
Em termos de acção para o futuro, tendo em conta o diagnóstico realizado à evolução do inverto IATA 23/24 que configura uma “regressão de muitos anos no combate à sazonalidade do turismo dos Açores, com seis meses previstos de resultados negativos”; compromete o desígnio do próprio governo em “reduzir a sazonalidade”; introduz um “elevado grau” de incerteza no sector; compromete a rentabilização de “investimentos elevados realizados nos últimos anos em todas as actividades do turismo, desde a restauração ao alojamento local”; evidencia a redução da concorrência, “por ausência de operadores privados, nas principais rotas de serviço aéreo dos Açores”, a Comissão considerou que é “urgente a implementação imediata”, de um Plano de Acção para o próximo INVERNO IATA 24/25, que configure “uma redução clara da sazonalidade”.
A Comissão considerou também importante “actuar sobre a segurança”, nas actividades “desenvolvidas pelos turistas, mormente nos trilhos” e “na segurança nas cidades.”

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