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Hélvio Faria é o guardião da história do Club Sport Marítimo

Hélvio Faria foi o convidado da tertúlia do Programa Desporto Açores, difundido às
Segundas-feiras, entre as 20h00 e as 22h00, sempre com convidados diferentes.

O Programa Desporto Açores é da autoria de Pedro Drumond Sousa e transmitido através das plataformas digitais para diversas rádios da Região, para o território nacional e para a diáspora, nomeadamente Estados Unidos da América e Canadá.
Considerado o guardião da memória do Club Sport Marítimo, Élvio Faria é o Director do Museu do emblema insular da Madeira, sendo que ainda é colaborador no Marítimo TV, autor e apresentador do programa “Marítimo na TSF”.

Com 17 anos já fazia rádio

O nosso interlocutor confessou, que “aos 9/10 anos de idade não gostava de duas coisas: futebol e rádio. Rapidamente passei a gostar de futebol e apaixonei-me pelo meu Marítimo, e depois apaixonei-me pela rádio e com 17 anos já fazia rádio e relatos de futebol. Passei a gostar do Marítimo numa altura complicada na vida do clube, nos anos 80, onde o clube para se manter na I Divisão Nacional não tinha vida fácil, numa altura em que a vitória só dava 2 pontos, empatávamos muitas vezes em casa e íamos perder fora, as equipas eram fracas do ponto de vista das qualidades em que os plantéis eram construídos, porque não havia dinheiro e como não havia dinheiro, o Marítimo contentava-se com pouco. Todos os anos ia buscar jogadores que estavam em final de carreira, nos anos 80, e depois quando eles chegavam à Madeira não tinham rendimento, que agente esperava e todos os anos era uma luta para não descer de divisão, mas lá íamos conseguindo aguentar o clube na I Divisão, até que o ano passado caiu-nos a fava e acabamos por descer de divisão. Apaixonei-me pelo Marítimo, mas sobretudo pela sua história e fui ouvindo dos mais velhos, esta coisa de ser o guardião da história. Já mais pensava, na minha idade de adolescente, que um dia pudesse vir a ser o guardião da história do Marítimo. É uma enorme responsabilidade e é uma coisa extraordinária e fantástica zelar pela história do Marítimo, cuidar da sua história, fazer os registos biográficos, quer dos troféus, quer dos jogadores do futsal, das jogadoras do futebol feminino ou do futebol masculino, desde os benjamins até à equipa principal, passando pela equipa B e escalões etários, é para mim uma grande responsabilidade”.

Mais de 30 anos de dedicação ao Marítimo

Com mais de 30 anos de dedicação ao Clube Sport Marítimo, Élvio Faria releva ainda, que os anos foram-lhe empurrando para a função que desempenha, onde cada taça, que chega àquele clube “tem de catalogá-la, tirar uma fotografia, depois fazer uma ficha biográfica e contando assim histórias”.
Disse ainda, que um dia foi empurrado, pela sua família, “para ver o Marítimo jogar nos Barreiros”, mas acabou por sentir pena dos adeptos, porque eles queriam que o Marítimo marcasse e não marcava, e então eu ficava ali triste, porque o Marítimo não marcava e comecei a gostar do Marítimo ao ver o sofrimento daquela gente, e apaixonei-me terrivelmente pelo clube e é um amor que não passa”.
A experiência na rádio deu-lhe a oportunidade de ser correspondente da “Rádio Comercial, com passagens pela Rádio Girão”, estação com sede no Funchal, mas também na “Rádio da Madeira, entre outras produções” que foi fazendo, onde até foi “ganhando uns trocos a fazer relatos de futebol”.

Convencido por Carlos Pereira

Confessando que “não tinha jeito para jogar à bola” foi ocupando outros cargos no Marítimo, como “monitor, treinador, colaborando nas equipas técnicas, onde até certa altura era o coordenador das escolinhas, passando mais tarde, no ano de 96, a ser funcionário do departamento do futebol, mais na área do futebol jovem. Só que no ano de 97 precisavam de alguém para o economato, porque o funcionário, o senhor Azevedo, ia para o departamento de história, então fui para o economato, onde fico até 2012. Nesse ano, o senhor Azevedo reforma-se e o Carlos Pereira encontrou-me no parque de estacionamento e disse, que eu era a pessoa indicada para cuidar dos troféus, da história e fazer os registos”.
Carlos Pereira arranjou outra pessoa para o economato e Hélvio Faria passou a ser o guardião da história do Club Sport Marítimo.
Inclusivamente, foi Hélvio Faria que levou a exposição Marítimo Centenário a toda a Região e às escolas do 2.º e 3.º ciclo, às escolas secundárias e às várias escolas, onde o Marítimo levou o principal espólio e área documental, os principais troféus, as fotografias dos momentos mais emblemáticos da história do clube. “Foi um trabalho que cansou, mas o que é por gosto não cansa e nós levamos até ao Porto Santo, a nossa história e houve um grande feedback de todos, que passaram a conhecer uma história, que foi sempre muito difícil”.
Recorde-se, que Carlos Pereira foi o Presidente do Marítimo durante 24 anos, tendo sido derrotado nas eleições de 2021 pelo candidato Rui Fontes, que havia também sido Presidente entre 1988 e 1997.
Foi o então Presidente Carlos Pereira que colocou Élvio Faria como Director do Museu do Club Sport Marítimo, mas no entretanto, o emblema insular já mudou mais duas vezes de Presidente, e o actual Presidente é Carlos André Gomes, eleito em Novembro de 2023.
Élvio Faria continua a merecer a confiança do clube “para continuar nesta missão de ser o guardião da história do Club Sport Marítimo”.

Espólio de mais de cinco mil troféus

Com um espólio de cerca de cinco mil e trezentos troféus, trezentas pratas, algumas das quais emblemáticas, como o troféu referente à conquista do Campeonato de Portugal, ganho na temporada de 1925/1926, o Marítimo continua a ganhar troféus todos os anos.
“Anteriormente, os troféus estavam na zona velha da cidade do Funchal e com o mau tempo de 20 de Fevereiro de 2010, houve a necessidade de se tirar o espólio dali. Perdeu-se muito pouco do espólio, mas a sua totalidade foi colocada muito perto do estádio, numa zona visitável. Perdemos essa loja e tivemos de colocar no estádio, onde está na bancada norte do estádio do Marítimo. Já tive a confirmação do Presidente do Marítimo, que a direcção prepara-se para dar uma coisa boa à nossa massa associativa sobre a sala de troféus. A direcção do Marítimo é sensível a, estas coisas, inclusivamente o pai do Presidente Carlos André Gomes chegou a ser director do Museu do Marítimo, e sei que o Presidente quer subir de divisão e está preocupado com a equipa profissional de futebol, mas traz consigo a essência do pai, gosta muito da nossa história e tudo fará para que Marítimo muito em breve tenha uma sala de troféus digna de ser visitável no nosso estádio”.

“Ficar no clube até me reformar”

O trabalho é muito, e como tudo na vida, um dia Élvio Faria vai reformar-se. A esta realidade, responde da seguinte forma. “Profissionalmente costumo dizer, que gostava de experimentar outro trabalho na vida, gostava. Mas também sei, que tenho o dever e a responsabilidade de passar a história do Club Sport Marítimo a outra pessoa ou a outras pessoas. Eu não seria um defensor da causa, como sou reconhecido publicamente, da causa maritimista senão tivesse esta responsabilidade, o direito e o dever de passar a outros, para que haja este trabalho de continuidade e quiçá, agora com um papel muito mais tecnológico, do que até agora foi, mas sinto, que tenho esta responsabilidade. Ficar no clube até me reformar, e se calhar e se não morrer e não ficar doente ir ao clube todos os dias, dar o melhor de mim em prol do Marítimo, é coisa que faz parte dos meus planos e enquanto eu tiver força vou ao Marítimo dizer como é que se faz”.

Marco Sousa

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