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António Dutra critica encerramento da zona d eacesso ao trilho do Pico da Vara há mais de dois anos

António Dutra, Presidente da Junta de Freguesia da Algarvia há seis anos, uma localidade com 240 habitantes, afirma que a falta de habitação e de emprego continuam a ser a “maior preocupação.” Defende que é necessário apostar na habitação permanente, por ser “muito importante para o desenvolvimento da freguesia, sobretudo para fixar as pessoas na localidade.” Na última década, a Algarvia perdeu “muita população”, o que prejudicou o desenvolvimento da economia local que viu passar de três comércios para um. Salienta, ainda, que o encerramento da zona de acesso ao Pico da Vara está a levar a uma “grande quebra de afluência de turistas” à freguesia. Segundo António Dutra, este trilho é “dos mais procurados da ilha de São Miguel, por ser o melhor, o mais curto e o mais seguro, no acesso ao Pico da Vara.” Segundo apurou o Correio dos Açores, os trabalhos de extracção de madeira estão a decorrer há mais de dois anos, tendo o Governo Regional interditado o acesso ao local por motivos de segurança.

Correio dos Açores – Que retrato faz da freguesia da Algarvia?
António Dutra (Presidente da Junta de Freguesia da Algarvia) – É a freguesia mais linda do concelho do Nordeste. A Algarvia possui uma localização privilegiada, com bons acessos rodoviários, e está rodeada por lindos miradouros com vistas deslumbrantes para a costa norte da ilha de São Miguel, assim como para as freguesias vizinhas. A sul da freguesia, temos o majestoso Pico da Vara, cujo acesso infelizmente está agora temporariamente encerrado devido ao corte de árvores. A população da nossa terra é trabalhadora, honesta e sabe receber quem nos visita, proporcionando, assim, segurança e uma boa qualidade de vida a quem nos visita ou habita na freguesia. A nível cultural, temos a sorte e o privilégio de ter a nossa Filarmónica Estrela do Oriente, que conta já com 146 anos de existência.

Quais são as principais dificuldades que a freguesia enfrenta actualmente?
A falta de habitação e de emprego continuam a ser a nossa maior preocupação.

Na sua opinião, o que se poderia fazer para solucionar estes problemas?
A solução passa pela habitação social e apesar da recente conjuntura, estamos juntamente com a Câmara Municipal de Nordeste a trabalhar no sentido de tentar adquirir algumas habitações, ao abrigo do acordo de cooperação com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), de forma a tentar resolver algumas situações de carência habitacional.
Ao nível do emprego, como a freguesia de Algarvia está inserida no concelho do Nordeste – que é um concelho periférico, afastado dos grandes centros urbanos, com especificidades muito próprias a nível de emprego, pois o tecido empresarial e as instituições do Nordeste não conseguem absorver toda a mão de obra existente –, os programas ocupacionais são muito importantes para a sobrevivência de muitas famílias. A falta de emprego, sobretudo para o sector feminino, e o corte dos referidos programas ocupacionais e as novas medidas agora introduzidas (com limites de idade), vieram agravar ainda mais esta situação, no que diz respeito, por exemplo, à aquisição de mão-de-obra para o bom funcionamento de uma Junta de Freguesia.
Temos alertado a Câmara Municipal de Nordeste e o Governo Regional para esta situação.

Qual a dimensão da carência de habitações na freguesia?
Infelizmente, é muito grande. Por exemplo, muitas pessoas da freguesia, e de fora da freguesia, perguntam-me se tenho conhecimento de alguma moradia na Algarvia para arrendamento, mas infelizmente não existe para esse fim. As poucas que existiam foram transformadas em Alojamento Local e outras são de emigrantes que não as querem alugar. Com a recente especulação imobiliária, ainda se tornou mais difícil adquirir uma habitação ou até alugar, porque uma moradia vale agora o dobro do que valia há quatro anos. As casas estão a ser vendidas a um preço que não está ao alcance da maioria das pessoas, sobretudo dos jovens.

A criminalidade tem aumentado na freguesia como consequência da toxicodependência?
Felizmente, nesse aspecto, a nossa freguesia ainda é uma terra calma e segura, pois o número de toxicodependentes não aumentou e os poucos casos existentes na freguesia estão bem integrados na sociedade e são acompanhados a nível de tratamento e reabilitação de dependências pela ARRISCA.

Qual a dimensão da pobreza na freguesia?
Felizmente, não existe muita pobreza na freguesia, mas com o aumento dos preços devido à inflação, falta de habitação e aumento das rendas, existem mais dificuldades por parte da população para sobreviver e viver de forma mais digna.
Sempre que seja necessário intervir nalgum caso, procurámos resolver a situação, junto das entidades competentes.

Qual é a abordagem da Junta de Freguesia ao desenvolvimento do turismo? Procuramos manter os nossos jardins, miradouros, ruas e caminhos agrícolas sempre limpos e cuidados, para que quem nos visita fique com boa impressão da nossa terra, pois esta freguesia tem muito a oferecer na vertente paisagística e é das mais visitadas do concelho do Nordeste, devido aos seus lindos miradouros, jardins e acesso ao Pico da Vara. Também temos um bom acesso à SCUT e, em termos turísticos, a freguesia está servida de alojamentos turísticos de grande qualidade, que absorvem alguma mão-de-obra e ajudam na economia local, principalmente nos meses de Verão, o que é bom para a freguesia. Também destaco a criação das deliciosas “Queijadas da Algarvia” por parte de uma empresária ligada ao sector do turismo na nossa freguesia.
Por outro lado, o acesso ao Pico da Vara está temporariamente encerrado e nota-se uma grande quebra de afluência de turistas a esta zona, pois este trilho é dos mais procurados da ilha de São Miguel, por ser o melhor, o mais curto e o mais seguro, no acesso ao Pico da Vara. Oxalá que esta situação fique resolvida em breve. Temos diligenciado esforços, junto do Governo Regional, para a rápida resolução desta situação, para que se reponha o trilho como estava anteriormente.

Qual a sua opinião sobre o facto de a via rápida para Nordeste ficar na Lomba da Fazenda e não chegar à vila? Está em causa um problema de segurança?
Na minha opinião, foi uma falha grave do Governo de então, pois inicialmente estava previsto a construção de uma grande ponte que faria a ligação entre a freguesia da Lomba da Fazenda e a vila do Nordeste. Depois, mudaram de ideias e retiraram essa mesma ponte, fazendo uma mais pequena na envolvente da antiga ponte de pedra, mantendo o restante trajecto existente entre a Lomba da Fazenda e a vila do Nordeste. Assim, não se resolveu um problema grave de segurança que já existia na altura, porque quem conhece esta zona sabe que os taludes são muito instáveis durante as intempéries e não só. Aliás, eu já apanhei alguns sustos a caminho do trabalho.

Na sua opinião, o projecto de beneficiação e remodelação da zona balnear da Foz da Ribeira já deveria ter avançado?
Esta obra já devia de ter sido concluída há anos, pois foi prometida aos nordestenses no ano de 2000 pelo então Governo de Carlos César. Passados todos estes anos, nada foi feito. Com este novo Governo, oxalá que haja um maior empenho na resolução desta obra porque nós, nordestenses, merecemos ter uma boa zona balnear, à semelhança do que existe nos outros concelhos vizinhos.

De que forma a freguesia está a preservar o seu património cultural e a promover actividades culturais locais?
Estamos envolvidos nos diversos eventos culturais e religiosos da freguesia, tais como festas do Divino Espírito Santo, festas de Nossa Senhora do Amparo e concertos de Ano Novo com a colaboração da nossa Filarmónica Estrela do Oriente. A Câmara Municipal de Nordeste realiza todos os anos o Arraial Popular do Nordeste no Miradouro da Vigia das Baleias, na primeira semana de Setembro, e conta sempre com o nosso apoio e colaboração neste evento. Temos também apoiado a nossa Filarmónica Estrela do Oriente, uma banda com 146 anos de existência que está a fazer um trabalho formidável em todos os aspectos, incluindo a formação de jovens músicos de várias freguesias do concelho do Nordeste. Este ano, a banda vai actuar nos Estados Unidos, nas grandes festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra, em Fall River.

A freguesia tem potencial para se desenvolver mais?
A Algarvia tem muito potencial para se desenvolver em várias áreas, como o turismo, a agro-pecuária, visto que temos excelentes e férteis pastagens, assim como o comércio, com a abertura de pelo menos mais um espaço comercial na freguesia. A nível de indústria, temos uma fábrica de blocos da empresa Albano Vieira, S.A, que também absorve alguma mão-de-obra e, de certa forma, dinamiza a nossa freguesia.
Contudo, a aposta na habitação permanente é muito importante para o desenvolvimento da freguesia, sobretudo para fixarmos as pessoas nesta localidade, pois actualmente a população é de apenas 240 pessoas. Na última década, temos perdido muita população, o que não é bom para o desenvolvimento da economia local, porque antes tínhamos três comércios a funcionar na freguesia e agora temos somente um.
Quais são as prioridades de desenvolvimento nos próximos anos?
Em termos de obras, estamos a diligenciar, junto da Câmara Municipal de Nordeste, a reparação da antiga Escola Primária de Algarvia, que foi infelizmente desactivada, para adaptá-la a edifício polivalente. Nesta fase, está a ser elaborado o projecto de arquitectura e das especialidades.
Além disso, as prioridades passam por colocar novos pavimentos em algumas ruas e passeios da freguesia, continuar a pavimentar alguns caminhos agrícolas (as inclinações), reforçar a electrificação do miradouro da vigia das baleias, fazer manutenção e melhoramento dos edifícios públicos existentes, assim como realizar um futuro loteamento.

Carlota Pimentel

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