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Crónica da Madeira: Viva à Juventude

Eu sempre acreditei na Juventude, nas suas imensas capacidades, na sua forma de amar, no seu espírito de solidariedade, na sua verdade de ser como é, autentica e frontal.
Em várias ocasiões tenho defendido este meu ponto de vista, por convicção e não para ser agradável com quem quer que seja. Uma das opiniões que me fere é quando, os mais velhos e os pais, entram em comparações ridículas: “no meu tempo tudo era diferente”.
Mal seria que passados tantos anos a situação fosse igual! Nada é estático e sobretudo quando se trata de seres humanos, cuja inteligência está permanentemente em evolução, felizmente.
Há anos fui chamado, a um colégio particular, para dar aulas de Relações Públicas/Relações Humanas. Disciplina que eu já lecionava, há alguns anos, na Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira.
Quando entrei na sala para dar a primeira aula verifiquei que muitos dos alunos, tinham quinze e dezasseis anos de idade. Aí apercebi-me que o tempo tinha corrido tão vertiginosamente e eu não dera por isso!
O mais curioso é que alguns dos rapazes eram filhos de antigos colegas meus, dos quais lembrei-me perfeitamente, eram retrógrados, fechados e preconceituosos. Os comportamentos dos alunos eram adequados às suas idades e nada tinham a ver com irreverências, ou malcriações. Era sim a alegria salutar e natural de quem aos 16 anos sonha e integra-se no espírito do tempo que vive. Alguns dos alunos, desfrutando da liberdade e da confiança que lhes concedia, exclamavam: “não sabemos por que eles não são como o professor?!” Eles pais diziam sempre que no tempo deles, quando tinham 18 anos, tudo era diferente: “não havia estas atitudes incorretas… Esta indiferença total pelas coisas!”
Eu respondia-lhes: digam aos vossos pais que nada disso corresponde à verdade e que o tempo deles é justamente este que vivem agora, caso contrário serão marginalizados.
Portanto têm que se adequar às realidades que os rodeiam, se assim não acontecer estarão fora do tempo que lhes pertence.
Mais: se eles voltarem a cinco anos atrás não entenderão o mundo de então, tal é a diferença abismal que se verifica. Os alunos chegavam a casa com a minha mensagem.
O resultado adivinhava-se já antecipadamente, dado aos seus preconceitos.
Respondiam-lhes: “esse teu professor é um “louco”. Justamente era louco porque acreditava no desejo de mudança dos alunos, nas suas capacidades e sobretudo no forte espírito solidário que os unia.
Tudo isto, relativamente à juventude, vem no meu acreditar nela: construtora de futuros melhores, porque mais bem preparada e livre, desenhará os caminhos da vida com filosofias positivas e criará iniciativa, que humanizarão as populações. Com estas caraterísticas encontrei um grupo de jovens, da Escola secundária de Jaime Moniz do Funchal (17 raparigas e rapazes) que são voluntários de um programa da Associação que tem o meu nome (JCA + Sol da Vida). Um programa para adotar um avô ou uma avó, pessoas que não têm família e vivem nos lares.
Qualquer coisa de apaixonante humanamente, por quanto sendo um verdadeiro gesto de amor é, ao mesmo tempo, o retrato da alma de jovens cujo espírito de solidariedade comove todos aqueles empenhados, em contribuírem para o bem dos outros.
O programa é da autoria da Engª Matilde Monteiro que junta a uma vasta experiência na área da educação e do ensino e ainda na criação de programas especiais. Uma alma onde o amor floresce todos os dias. É voluntária da Associação e diretora pedagógica.
Com este programa existem mais dois que sendo de ocupação é, simultaneamente, para a descoberta de talentos: a pintura e o teatro. Também estes dedicados aos mais velhos, utentes dos lares.
Não podemos só pelo fato de terem 70, 80 ou mais anos, cruzarmos os braços. Nada fazermos. Cada uma destas pessoas têm uma história e talentos que nos responsabilizam a incentivá-las e estimulá-las. Não podemos deixá-las sentadas, mergulhadas num vazio “enlouquecedor”.
Até ao fim da vida há sempre um renovar de sonhos: aqui entram os afetos. Aqui entra a missão de apostolado da juventude, numa verdadeira relação com os mais velhos.
Estes darão, com as suas experiências, sabedoria aos jovens enquanto os jovens levam-lhes a alegria e o amor que tanto necessitam para alimentar-lhes os sonhos e prolongar-lhes a vida.
É verdadeiramente espetacular o encontro entre estas duas gerações.
Mas a juventude não é só a esperança de um Mundo Melhor. Ela é um facho que ilumina muitas das áreas que integram a sociedade onde vivemos: na ciência, nas artes, na política, na tecnologia, nas letras. É um manancial de Jovens, formados, que hoje percorrem o mundo na busca de novos conhecimentos, dando de si o que de melhor sabem.
É a força de uma juventude que ama e acredita que tudo pode ser muito melhor, se quisermos.
Conheço jovens cientistas que passam horas a fio nos laboratórios; conheço alguns que são brilhantes na política: autênticos, frontais, corajosos, humildes, com verdadeiro sentido democrático. Jovens que não alinham nos jogos da conspiração.
Não pensemos que esta minha afirmação se refere só a jovens estrangeiros ou continentais. Nas nossas regiões temos jovens que são testemunhos das inúmerasqualidades intelectuais, artísticas e de todos os outros sectores, prestigiando assim os Açores e a Madeira.
Recentemente num debate televisivo na Madeira assisti a uma intervenção brilhante de um jovem politico madeirense, cuja linha de raciocínio é admirável, a coragem e a convicção de um discurso muito bem arquitetado e um responder imediato, frontal, sem receios às perguntas do jornalista.
Tomei conhecimento mais tarde, que se tratava do vice-presidente da JSD, Diniz Ramos. Confesso que me surpreendeu e encheu-me de orgulho, como madeirense, sobretudo por tendo assistido ao percurso de tantos jovens que viveram espartilhados em medos, aos quais, tantas vezes foi-lhes retirada a palavra, roubando-lhes os sonhos e a liberdade.
Como este jovem encontrei outros que dão voz ás infrações dos mais velhos e que se empenham na defesa dos seres humanos, do ambiente, dos patrimónios artísticos, e outros. Fazem-no com sabedoria e um pensamento renovado.
Esta é a juventude, na qual eu deposito todas as minhas esperanças para um futuro mais justo, humano, socialmente e economicamente.
Viva à juventude.

João Carlos Abreu

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