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“O objectivo do meu livro é mostrar às novas gerações que é muito bom contactar outras culturas”, afirma Marcelino Kongo, autor de ‘Os Camelos dos Estábulos Unidos’

No dia em que se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil, o investigador e docente Marcelino Kongo, de 60 anos, explica-nos como ganhou o gosto pela literatura, os objectivos que tem com o seu novo livro e qual é o significado deste dia para si.

Correio dos Açores – A Literatura é…
Marcelino Kongo (Investigador e Docente) – uma forma de viajarmos no tempo.

Como surgiu o seu gosto pela literatura?
O meu pai era um leitor assíduo, lia muito. Sempre tive como exemplo vê-lo a tirar um livro para ler. Essa vontade e curiosidade de saber o que está escrito nos livros. Depois, o meu gosto pela literatura infantil surgiu quando apareceu a colecção “Anita” (Desde 2015 que a colecção é denominada de “Martine”). Desde essa altura que fiquei muito apaixonado pelos livros infantis.

Qual é a importância do Dia Internacional do Livro Infantil?
O dia é visto para celebrar o livro infantil das crianças. E o livro é uma das melhores formas que as crianças têm para organizar ideias. Isto, porque um livro faz-nos viajar, fugir do momento e enriquece-nos de tal maneira que temos um maior conhecimento do que existe no mundo. Celebrar este dia é importante, porque mos lembramos dos autores e dos consumidores do livro infantil e que continuámos a ter bons livros. Concordo com este dia.
Nós temos a frase “o melhor do mundo são as crianças.” Por isso, se são o melhor do mundo temos de lhes dar o melhor do mundo para serem úteis para a humanidade. Por isso, precisam de ser alimentadas com coisas boas, e espera-se que os livros infantis tragam coisas boas…

Como surgiu a ideia de escrever um livro infantil?
Sempre tive muito gosto de escrever. Profissionalmente, estou em ciências e escrevia alguns livros científicos, nomeadamente um sobre o Queijo dos Açores. Mais recentemente, fui avô, lia algumas histórias e achei que deveria escrever-lhe uma história. E este livro é um pouco dedicado a ele. E eu entendi que poderia ser dedicado a todas as crianças.

Como surgiu o nome do livro ‘Os Camelos dos Estábulos Unidos?
A história é sobre camelos e, portanto, a narrativa é sobre camelos que chegam a uma terra desconhecida para todos eles e que, digamos, durante muito tempo, todos viveram fechados nos seus estábulos e não conheciam os outros. E, na primeira vez que entram em contacto com os outros camelos, verificam que são de cores diferentes. Realmente, há uma reacção de medo uns com os outros, e com o tempo vão convivendo com a Rainha do Reinado da Alvelândia, que ensina-os que, apesar das diferenças, são como flores de um jardim. E mais tarde, passam a conviver como se estivessem num estábulo, mas estão todos unidos.

Quanto tempo demorou o processo – desde a ideia inicial da história até à conclusão do livro?
A conclusão do livro se for até ao fim da escrita, levou entre seis e nove meses. Depois, há todo o processo de chegar uma editora que aceita a edição do livro e todo o processo gráfico. No total, levou, aproximadamente, entre dois e dois anos e meio.

Apesar de não ter estudado na área da Literatura, sentiu algumas dificuldades na escrita deste livro?
Durante a vida profissional, não eram livros, mas eu escrevia artigos. Em termos de prática escrita e de organização de ideias, eu fiz isso durante 30 anos, por isso tinha uma fluidez de raciocínio e organização de ideias. Eu frequentei alguns workshops sobre escrita criativa, depois não é a primeira vez que escrevo um livro criativo. É o quarto livro. Fiz um livro de poesia e outros de contos. Tenho a prática de escrita assinada, tal como em termos de organização de ideias, devido à minha actividade profissional.
Tenho, neste momento, três livros que estão em processo. Um que está finalizado, portanto pronto para contactar uma editora. Outro que está a meio caminho. E o terceiro que está à espera, digamos, de um subsídio, para ver se é publicado, ou não. Tenho uma actividade intensa de escrita.

Para este livro, conta com o apoio de alguma entidade?
Foi tudo da minha responsabilidade e dos contactos com a editora “cordel d’prata”. Por isso, não contei com nenhum apoio de entidades.

O que significa este livro para si?
O autor Martin Page escreveu o livro “A Primeira Aldeia Global”, que fala sobre como Portugal mudou o mundo, por ter sido um forte centro onde se reuniram várias culturas de diversos países. E como sabe, neste momento, há algumas ideias na sociedade portuguesa de fechar-se em si mesma, não querendo que outros emigrantes entrem no país. Considero isto uma retrocesso para Portugal. O objectivo do livro é mostrar às gerações mais novas que contactar com as outras culturas, as diferenças e o desconhecido é muito bom, visto que retira o medo e aproveitámos o melhor de cada cultura. O mundo está cada vez mais globalizado. Voltar atrás não é possível. É preciso celebrar as diferenças. As empresas que abraçam a diferença e que procuram mais diversidade de culturas são mais produtivas e avançam mais depressa. É importante que as novas gerações se habituem a aprender com as diferenças e as ideias das pessoas. Filipe Torres

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