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Nicadelas

Sou do tempo de quando havia a necessidade de operar algumas melhorias em casa, a malta por norma recorria aos préstimos do Dr. Furtado Lima – que o Criador o tenha num bom lugarzinho – e metia-se baixa por uma semana. Logo a seguir, o indígena dava corda nos sapatos e tentava a contra-relógio acabar nesse espaço temporal com as obras ou se, porventura, acontecia a vinda de uns “camones” das terras do Tio Sam, abalava-se com os visitantes para longe do rebuliço da cidade, não fosse o Diabo tece-las.
Porém, mudam-se os tempos e os costumes. Hoje em dia quando o pessoal está algo enfastiado, tal dia vem atuar o conjunto de fora ou o tempo está de feição para a praia, mete-se baixa por um mês e já agora também no seguinte. Depois, aguarda-se que a caixa nos contate para uma junta médica, mas nesse entretanto há que aproveitar porque reza o ditado: A vida é curta e o dinheiro é pouco.
O mais curioso é que hoje em dia a vergonha e o decoro são palavras vãs. A semana passada vi um colega no quadradinho da televisão, durante o programa do Sr. Travassos, na feira de Santana, em que o suposto “doentinho”, muito bem-criado e folgazão, apareceu no quadradinho por seis vezes (tive o cuidado de contar). Quem sabe se a razão para estas férias remuneradas foi por este ano não ter sido agraciado, tal como o ano passado, com nota máxima na classificação anual e, cumulativamente, com mais seis dias de férias, além do estipulado por lei.
No mês de dezembro havia seis funcionários de baixa do “sevice”, mas o mais curioso foi todos eles terem marcado presença nos comes e bebes na festa de Natal, sendo na altura efusivamente cumprimentados pelo Diretor e colegas… tais eram as saudades.
Mas, afinal de contas, onde param os agentes da respetiva entidade a quem compete fiscalizar estas baixas fraudulentas e, em seguida, proceder em conformidade? São situações que verdadeiramente descredibilizam e desmotivam quem trabalha de verdade com dedicação à causa pública. A única explicação que encontro é que possivelmente estes fiscais também… meteram baixa.

Jaime Neves

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