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Convergência da Criatividade Humana e da Tecnologia: O Futuro do Desenho de Interfaces

A interface é muitas vezes a primeira impressão que os utilizadores têm de um produto ou serviço: um desenho consistente e atraente pode reforçar a identidade visual da marca e transmitir profissionalismo e confiabilidade. Empresas que investem em desenhos de interfaces inovadores podem ganhar uma vantagem competitiva significativa, diferenciando-se da concorrência e conquistando a fidelidade dos clientes.
O desenho de interfaces desempenha um papel fundamental em praticamente todos os aspetos da interação humana com a tecnologia e uma interface difícil de usar pode levar os utilizadores a desistir do produto antes mesmo de explorar as suas funcionalidades.
Neste contexto, os designers de interfaces desempenham um papel essencial na criação de produtos digitais bem-sucedidos, garantindo um desenho centrado no utilizador, acessível, atraente e eficaz. Além disso, a inovação e novas ideias e tendências de design são fundamentais para o sucesso na criação de produtos ou serviços digitais distintos e inovadores no mercado atual.
Nos últimos anos, a comunidade de design começou a discutir qual o impacto da inteligência artificial (IA) nas interfaces de utilizador (UI– UserInterface) e, consequentemente, no seu desenho.
Atualmente, as interfaces devem ser projetadas para satisfazer o maior número de pessoas possível, embora este processo tenha desvantagens, pois cada indivíduo tem os seus gostos e expectativas e, neste sentido, a experiência do utilizador (UX – UserEXperience) pode não ser agradável para todos. A personalização pode ajudar, mas não resolve todos os problemas. A IA promete ultrapassar alguns destes constrangimentos.
As ferramentas de desenho assistido por IA crescem em popularidade, porque aceleram o processo de design e prototipagem.Este método de design combina as competências criativas dos designers humanos com o poder computacional da IA, para criar interfaces de utilizador eficazes e inovadoras: envolve o uso de algoritmos de IA como ferramentas para auxiliar no processo criativo, não apenas na automatização de tarefas repetitivas, mas também na inspiração para novas abordagens criativas.
A colaboração entre diferentes equipas de design, prazos rígidos e expectativas dos utilizadores, em constante mudança, são alguns dos desafios significativos enfrentados pelos designers de UI hoje. As ferramentas e plataformas de design assistidas por IA ajudam a colmatar alguns destes problemas.
Começando pela fase de análise e definição de requisitos, estas ferramentas tornam-se um auxiliar importante, já que permitem criar especificações e exigências de design abrangentes e precisas, a partir das informações, objetivos e preferências fornecidas pelos clientes. Também podem ajudar na fase de brainstorming fornecendo sugestões e ideias criativas que podem facilitar o desenvolvimento de desenhos de UI exclusivos e atraentes. Já na fase de prototipagem, são importantes para ajudar na criação de elementos de UI como botões, rótulos, mensagens de erro, dicas de ferramentas e diretrizes, garantindo clareza e consistência na linguagem de desenho. Mais ainda, podem ajudar os designers de UI a pesquisar recursos relevantes, como paletas de cores, tipografia e ícones, garantindo que os elementos escolhidos estão alinhados com o tema de design desejado e as preferências do utilizador.
Por outro lado, será mais fácil aplicar e garantir as diretrizes de acessibilidade e as melhores práticas de usabilidade para criar desenhos de UI inclusivos e acessíveis a todos os utilizadores, incluindo aqueles com deficiências ou limitações.
Na fase de testes, para assegurar que o UI cumpre os requisitos e objetivos definidos inicialmente e, de igual modo, para facilitar a manutenção de interfaces consistentes, intuitivas e fáceis em função da evolução dos utilizadores e das suas exigências, as ferramentas de design assistido por IA revelam-se muito úteis: ferramentas analíticas baseadas em IA podem detetar padrões no comportamento do utilizador e sinalizar automaticamente áreas problemáticas no desenho, como tempos de navegação elevados, dificuldade em usar botões específicos, ou mensagens de erro frequentes. Estas informações permitem que os designers identifiquem as inconsistências e as corrijam imediatamente, garantindo uma melhor experiência do utilizador.
Algumas ferramentas permitem gerar código para componentes de UI com base nas especificações do desenho, acelerando a fase de implementação e, consequentemente,a conclusão do projeto.
Finalmente, podem ajudar na criação de documentação de desenho clara e concisa, manuais do utilizador e tutoriais para apoiar a colaboração da equipa e garantir uma implementação tranquila do desenho.
Já se começam a dar os primeiros passos e no futuro, que se prevê não seja muito distante, a IA generativa permitirá criar dinamicamente interfaces de utilizador personalizadas, em tempo real – UI generativa.
Uma UI generativa (genUI) é uma interface de utilizador gerada dinamicamente, em tempo real, pela IA generativa, para fornecer uma experiência personalizada de acordo com as necessidades e o contexto de utilização. Embora o cronograma para esta mudança ainda não esteja claro, é previsível que agenUI permita interfaces altamente personalizadas e sob medida que atendem às necessidades de cada indivíduo.Esta mudança forçará uma abordagem de desenho orientada para resultados, onde os designers dão prioridade aos objetivos do utilizador e definem restrições (para a IA operar), em vez de projetar elementos de interface discretos. O design orientado a resultados envolve orquestrar o desenho da UX com um foco maior nos objetivos do utilizador e nos resultados, enquanto automatiza estrategicamente aspetos de interação e desenho de interface.
Os sistemas generativos de IA estabeleceram um novo paradigma de interação, especificação de resultados baseada em intenções, fator que já está a mudar a forma como pensamos sobre o design digital.
Neste contexto, os designers terão de fornecer orientação e restrições para asgenUIs, mesmo sem tomar decisões minuciosas sobre componentes individuais, tornando o trabalho mais complexo e menos tangível. Haverá mais variáveis e resultados potenciais para analisar, o que, em última análise, tornará os designers em projetistas de parâmetros e restrições: talvez não seja necessário especificar detalhes individuais de desenho, mas será necessário ajudar um sistema genUI a entender os utilizadores e os objetivos de negócio.
É previsível que, a longo prazo, a genUI tenha um impacto positivo nas experiências digitais: a perspetiva de UIs adaptadas ao indivíduo tem um imenso potencial para melhorar a acessibilidade e a inclusão.
No entanto, a curto prazo, são previsíveis alguns problemas e desafios. As atuais limitações de software e hardware irão desacelerar a genUI. Por exemplo, será necessário um imenso poder de processamento para gerar cada interface única, ao vivo, para milhões de utilizadores a qualquer momento. Por outro lado, serão necessárias informações contextuais e de intenção significativas para personalizar as experiências. A IA pode ajudar a analisar, complementar e utilizar melhor os dados do utilizador, mas, no entanto, poderá envolver riscos substanciais para a privacidade e segurança individuais.A mudança constante de UIs poderá causar problemas de usabilidade: a eficiência, por exemplo, de utilização de um sítio Web aumenta com a frequência de acesso e consequente familiaridade. Como agenUI altera a interface com base nas necessidades atuais do utilizador, este poderá ver uma UI diferente sempre que usar o mesmo sítio Web. Esta reaprendizagem constante da interface pode causar frustração, especialmente no início, à medida que os utilizadores fazem a transição dos métodos antigos.
Os designers terão de descobrir como equilibrar os ganhos de uma experiência totalmente personalizada com as perdas devidas à falta de consistência e previsibilidade da UI.
Eventualmente, os designers terão de mudar a forma como trabalham: passar do design de interfaces para o design de resultados. Especialmente para os que trabalham na área há anos, esta será uma mudança desafiadora. Embora estas alterações sejam significativas, muitas das suas competências fundamentais serão mais importantes do que nunca: resolução de problemas centrada no utilizador, pensamento crítico, curiosidade e um ponto de vista holístico.

Isaura Ribeiro

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