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Casal de emigrantes esteve 23 anos nos EUA e regressou à Ribeira Grande para criara fábrica de Cerveja Artesanal ‘Vulcana’

Samuel e Sara Cabral são os donos da Fábrica de Cerveja Artesanal ‘Vulcana’, o primeiro espaço de cerveja artesanal em São Miguel. Com localização no Parque Industrial da Ribeira Grande, abriu ao público no passado dia 8 de Março e está aberto de Quinta-feira a Sábado. Em entrevista ao ‘Correio dos Açores’, Samuel e Sara Cabral explicam como surgiu a ideia de abrir o lugar na Ribeira Grande, o que diferencia a cerveja ‘Vulcana’ e como tem sido a afluência nos primeiros dias do novo espaço.

Correio dos Açores – Como surgiu a ideia de abrir este espaço na Ilha de São Miguel?
Samuel e Sara Cabral (Proprietários da ‘Vulcana’) – Depois de 23 anos a residir nos Estados Unidos, decidimos voltar a São Miguel com a intenção de abrirmos a ‘Vulcana’ – uma fábrica de Cerveja Artesanal, com ambiente acolhedor e parecido às várias cervejeiras que conhecíamos la. Este é um espaço onde as pessoas podem estar á vontade e conviver uns com os outros, fazendo a degustação das nossas cervejas e de alguns outros produtos regionais. Um espaço que, num futuro em breve, também servirá Hub Cultural, expondo assim os vários artistas e artesãos ao mundo que nos visita de outros países.

Quanto tempo demorou o processo até à abertura da ‘Vulcana’?
O projecto ao todo levou cerca de quatro anos, desde o conceito até abrirmos as portas ao público. Percebemos que existem processos que levam tempo a resolver, especialmente com um conceito relativamente novo como o nosso, que mistura o sector industrial com a restauração, mas foi um processo que achamos difícil e doloroso. Esperemos que a nossa caminhada sirva para desbastar algum terreno e facilitar o processo para os novos empresários que vêm depois.

Qual é o motivo que leva a abrir o espaço no Parque Industrial da Ribeira Grande?
O Parque Industrial da Ribeira Grande apresentou-se com todas as características que nós estávamos à procura. Um sítio central na ilha, de fácil acesso, numa zona que não incomoda residentes, localizado junto a outros pontos de interesse e numa cidade que está a desenvolver-se rapidamente e que já é reconhecida como a Capital de Surf.

O que diferencia a cerveja artesanal ‘Vulcana’ das restantes cervejas?
A cerveja ‘Vulcana’ é proveniente dum movimento artesanal, feita por açorianos que têm como intenção identificar a cultura dos Açores utilizando cada vez mais ingredientes regionais e dar ênfase a temas, contos e lendas antigas já esquecidas e, por sua vez, dar voz ao nosso povo. Ao mesmo tempo queremos com a nossa cerveja trazer para cá receitas e sabores doutras partes do mundo. Utilizamos ingredientes de alta qualidade e um processo de fabrico rigoroso. Tudo em nome de elevar mais uma linha de produtos dos Açores que temos orgulho em os ter lado a lado aos vários já existentes no mercado. Desenvolvemos as nossas receitas como quem faz uma obra artística. Trabalhamos com ingredientes que se complementam. Com cada cerveja criámos o seu perfil, acompanhamos o seu amadurecimento e só depois atribuímos o nome merecido que reflecte a história que queremos contar.

Como tem sido a afluência das pessoas nos primeiros dias?
Temos tido uma recepção excelente de todas as pessoas, tanto as conhecidas como as desconhecidas. A palavra do dia é “orgulho’. Não é necessariamente por nós, mas sim por um sentido de pertença e de realização. Tínhamos a esperança que iríamos ser bem recebidos, mas não contávamos com a rapidez que isto iria acontecer. Temos tido pessoas que nos agradecem por termos criado um espaço como este cá na ilha. Entram com curiosidade e sem receio de experimentar cervejas novas. Temos assistido a amigos desencontrados de anos sem fim a beber um copo juntos e a relembrar outros tempos. Um espaço onde observámos artistas, atletas, construtores, arquitectos, médicos, turistas, nómadas digitais, ex-emigrantes e membros de outras cervejeiras do mundo a partilharem as ideias. Todos com um sentimento comum de camaradagem. Por detrás disso tudo, nós temos a sorte de ter uma equipa excelente que nos ajuda imenso.

Além da cerveja, o que mais o público poderá encontrar no vosso espaço?
De momento, estamos apenas focados no que é prioritário para a ‘Vulcana’ e a quem nos visite: a qualidade das nossas cervejas e o ambiente agradável. Iremos evoluir e crescer organicamente com a ajuda de todos mas não iremos apressar o processo natural. Temos vários petiscos em pacote da Pérola da Ilha e comida dos nossos colegas Food & Friends Food Truck. Num futuro em breve queremos oferecer visitas guiadas onde explicamos mais em detalhe o nosso processo de fabrico. Pretendemos também oferecer vários tipos de entretenimento como música ao vivo, yoga, artes circenses, dança, jogos variados e dias temáticos para ambos os mais novos como para os mais velhos. Cerveja é sinônimo de comunidade. Queremos ser fiéis a este ideal. Com isto queremos também prestar homenagem aos que vieram antes de nós. Daí vem a nossa decisão de escrever “Açoreana” no nosso logo com um “e” e não um “i”. É um acenar aos nossos antepassados.

Qual é o motivo de o espaço ficar apenas aberto durante três dias ao público?
Estamos a ter o cuidado em perceber a quantidade de vezes que temos que produzir para poder acompanhar o consumo. Em breve, e conforme formos crescendo, pretendemos adicionar mais dias e horas para podermos acomodar todos que nos visitem. Somos uma fábrica de tamanho pequeno com grandes etapas.

Contam com alguma parceria ou apoio?
Tivemos o apoio do Açores 2020, a visão e crença da Crédito Agrícola e ajudas ao longo do caminho dos nossos amigos na DAARK, FIT, Módulo, ITOC e claro, das nossas famílias. Estamos actualmente a ver várias outras opções que alinham com os nossos ideais e projecções.

Admitem a possibilidade de comerci-alizar a cerveja através de outros estabelecimentos comerciais?
Sim, mas neste momento, queremos estudar o mercado primeiro e ter as opiniões dos nossos consumidores em mente. Só desta forma é que podemos ganhar mais o apoio e orgulho do povo e da autenticidade dos Açores. Na nossa decisão de não avançar para a exportação da cerveja, tornamos o nosso produto exclusivo à região dando assim movimento à economia local.

Planeiam abrir mais algum espaço no futuro?
De momento não temos planos para isso.

 Filipe Torres
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