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Procissão dos Enfermos realizou-se no Domingo nas Furnas mas com menos participantes

No passado Domingo, dia da Divina Misericórdia, a freguesia das Furnas foi palco da procissão dos Enfermos, uma das mais antigas e afamadas manifestações religiosas da ilha de São Miguel devido, sobretudo, aos tapetes de flores artisticamente decorados como expressão de fé.
Este ano, cerca de 150 elementos integraram a procissão e percorreram as ruas da freguesia, e foram 11 os doentes que receberam a bênção do Santíssimo Sacramento nas suas casas.
O objectivo desta manifestação de fé secular é, segundo o padre Francisco Zanon, pároco das Furnas, “levar Jesus Sacramentado aos enfermos que fisicamente estão impossibilitados de sair da sua casa.”
A acompanhar a visita solene do Senhor Ressuscitado aos enfermos da comunidade esteve a filarmónica local, o coro paroquial e os impérios do Divino Espírito Santo que coroaram neste dia na Eucaristia, celebrada antes da procissão.
De acordo com o sacerdote, “há toda uma tradição que deve ser preservada e continuada, que remonta à passagem de Jesus ressuscitado pelas ruas da freguesia, que são artisticamente adornadas com flores, abençoando não só os enfermos, mas toda a comunidade.” Nesta procissão, explicou, “não levamos imagem, mas sim o próprio Jesus eucarístico”.
Contudo, o cortejo deste ano foi marcado por uma presença mais tímida em comparação com anos anteriores. O padre Francisco Zanon atribui parte desta diminuição ao estado do tempo, que se mostrou instável ao longo do dia. “Estava previsto chuva de manhã e até fez um tempo razoável. Depois, à tarde, o tempo mudou e julgo que muita gente não saiu de casa. Não sei se isso também foi a causa”, comentou.
No entanto, além das questões meteorológicas, o declínio da participação na procissão levanta outras questões mais profundas: “O número de pessoas na procissão o ano passado foi melhor do que este ano. Mas vem diminuindo em tudo, não apenas nas procissões. Vemo-lo notavelmente nas nossas celebrações. Já há paróquias que quase fecharam em alguns locais no continente. Nos Açores, ainda não se verifica isso, mas há uma participação bastante pequena”, afirmou o pároco.
E prosseguiu: “Para mim, é fruto da modernidade, meio que sem Deus, da correria das pessoas, da preocupação maior com as coisas materiais do que as espirituais, da pouca fé… Pode haver também algum desinteresse ou desânimo por parte de algum de nós que está à frente. Acho que uma coisa pode ajudar à outra.”
Sobre o impacto emocional e espiritual desta manifestação de fé para os enfermos e para as suas famílias, o sacerdote explicou que é particularmente tocante testemunhar a reacção dos doentes diante desse encontro solene.
“O impacto nos enfermos é sempre muito emocionante. (…) É interessante porque é o mesmo Santíssimo com que faço a visita de rotina, mas, neste dia, com tantas pessoas envolvidas, e sendo uma tradição muito antiga, acaba por despertar neles um sentimento de emoção, uma comoção. Eles sentem a presença mais forte de Jesus Eucarístico. Todos ficam emocionados e alguns até com lágrimas”, concluiu o padre.

Carlota Pimentel

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