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“A época em que criei os meus filhos foi uma época pobre, mas feliz e boa”, afirma Lídia Pereira

Mãe de quatro filhos, Lídia Pereira trabalhou para dar o máximo que conseguiu a eles. Quando o seu filho mais novo tinha pouco mais de dois anos, divorciou-se e ficou encarregue da educação dos seus quatro filhos. No Dia da Mãe, conta a sua história ao Correio dos Açores e afirma: “a vida vale a pena com filhos”

Correio dos Açores – Como tem sido a sua vida até ao dia de hoje?
Lídia Pereira – A minha vida tem sido uma vida feliz. Não é das piores. Sou feliz com o pouco que tenho, que para mim é muito. Há quem não tenha nada, felizmente tenho um pouco de tudo. Tenho uma boa família e um bom marido. Tenho estabilidade na minha vida. Tenho o que preciso. Tenho muito amor, que é o que preciso.

É mãe de quatro filhos…
Sim, sou mãe de três rapazes e uma menina. O Paulo Alexandre, a Cláudia Micaela, o Fábio Rui e o Hélio Filipe.

Como foi criar quatro filhos há bastante tempo atrás?
Já foi há praticamente 45 anos, que é a idade do meu filho mais velho, o Paulo Alexandre. Não foi fácil, foi um pouco complicado. Na altura, felizmente, pude contar com a ajuda da minha mãe, que já faleceu. Sem ela, provavelmente, muita coisa ano teria corrido muito bem. Sempre lutei bastante. Sempre fui uma mãe muito carinhosa com os meus filhos, nunca fui uma mãe ausente.
Trabalhei muito para eles lhes dar o que têm. Claro que isso só até certa altura da vida deles, porque depois eles seguem a sua vida, como é normal.
Mas foi uma vida dura. Separei-me muito nova e fiquei com os quatro filhos.

Separou-se com que idade?
Separei-me há cerca de 37 anos. O meu filho mais novo tinha, na altura, dois anos e meio e agora tem 39.
Não foi fácil, mas ficou uma amizade entre nós. Foi um divórcio amigável. Os meus filhos nunca tiveram nada a dizer do seu pai, nem da nossa relação. Mesmo em altura de aniversários ou festas, sempre fiz questão de que o pai deles estivesse presente.
Não me considero, nem nunca me considerei uma má mãe. Sempre consegui compreender os meus filhos, mesmo até ao dia de hoje. Há sempre alguma coisa que as mães não querem entender, claro, mas acho que é normal.

Já tem netos? T
Tenho seis netos e dois bisnetos.

Acompanhou o crescimento deles?
Acompanhei deles todos. Inclusive tenho um neto que hoje vive comigo.

Que principais diferenças encontra entre criar filhos hoje e quando criou os seus?
Hoje em dia não tem nada a ver com o que era quando eu criei os meus. Quando mandava-os para a escola, eles iam. Nunca me exigiram nada que não lhes pudesse dar e, também, nunca me bateram à porta a fazer queixa dos meus filhos, nem tiveram problemas com os seus amigos. Eles comiam o que eu lhes metia na mesa. Não havia o que há hoje, noto muitas diferenças.
Hoje em dia, as crianças escolhem o que querem. Querem tudo de marca. É outra época. Na época em que criei os meus filhos foi uma época pobre, mas feliz e boa.

Em sua opinião as pessoas eram mais felizes quando tinham menos?
Comparando com a época em que vivemos, onde temos mais coisas, éramos muito mais felizes antigamente. Criei os meus filhos com brinquedos que hoje em dia teriam pouco valor, mas não faltou felicidade. Por exemplo, eles esperavam o Pai Natal chegar. Fui muito feliz na criação dos meus filhos. Claro que há sempre aqueles percalços pelo caminho, mas eles tiveram uma infância feliz.

Consegue definir “amor de mãe”?
Antes de definir, convém referir que eu sempre quis ser mãe, se calhar não de tantos. Nenhum foi planeado mas foram todos recebidos com muito amor.
O amor de mãe está ligado ao ser mãe. E ser mãe é amar, cuidar, ensinar a ter respeito para que possam ser respeitados também, fazer algumas vontades mas nem todas. Conseguirmos ensinar o melhor caminho, até que eles consigam caminhar sozinhos. Temos de deixá-los voar, embora custe muito. Custa sempre a uma mãe ver um filho sair, mas temos de entender.

É verdade que as mães têm um filho preferido?
Na minha opinião é verdade. No meu caso, sempre tive um dos meus filhos mais ligado a mim. Os outros sempre foram mais dispersos. Não é que sinta mais amor, porque o amor pelos meus quatro filhos é igual. Mas talvez a ligação que sinta com este filho seja maior. Temos uma maior cumplicidade. Desabafamos muito um com o outro, se eu tiver um problema é com ele que tento resolver as coisas. Os outros, como seguiram a sua vida naturalmente, a ligação não é tão forte. É normal que a ligação que sinta com o filho que ainda não saiu de casa seja diferente.
Então não se trata de amor diferente, mas sim de ligação diferente entre a mãe e os diferentes filhos…
É isso mesmo. O amor que sinto por todos é igual. A ligação é que é diferente. E explica-se porque os meus outros filhos foram seguindo a sua vida. E aquele foi ficando. O que vai ficando é que vai ouvindo os nossos choros, as nossas angústias, as nossas alegrias e as nossas dificuldades. É ele que vai acompanhando todo o processo. A ligação diferente surge, precisamente, do acompanhamento de todo o processo. Como disse, não é mais amor que esse é igual para todos os filhos. É a ligação que é diferente.

Há quem diga que o amor pelos netos supera o amor pelos filhos. Concorda?
A minha opinião é muito diferente. Já ouvi dizer que os netos são a razão de viver e que são mais que os filhos. Eu não concordo.
Quem deve de amar os seus filhos são as mães deles. Amo muito os meus netos, mas amo ainda mais os meus filhos. Eu é que os gerei e criei. Os meus filhos são a minha prioridade.

Que características deve ter, em sua opinião, uma boa mãe?
Acima de tudo deve de ser capaz de dar tudo de si em prol dos seus filhos. Eu dei sempre tudo de mim a eles. Têm de dar muito amor também.
Talvez as mães nem sempre consigam compreender os filhos. Apesar de entender que um filho tem de sair de casa para seguir a sua vida, custa sempre muito.

Em sua opinião, a ligação que existe entre mãe e filho está a perder-se devido ao uso das tecnologias?
Noto isso especialmente nos meu netos. Quando converso com os meus filhos eles sabem que não devem de mexer em tecnologias. Se a conversa não agradar, noto que podem tentar mexer no telemóvel e isso, mas é diferente. É mais vincado nas gerações mais novas.

Tem alguma mensagem que deseja deixar no dia da mãe?
Gostava que todos os filhos estivessem presentes com as suas mães neste dia. É muito importante. As mães precisam dos filhos todos os dias, mas este dia é especial. É o dia em que elas desejam mais um carinho, um miminho ou um beijinho. Aos filhos que não estão com as mães ou estão magoados, que tentem resolver as coisas. A vida vale a pena com eles. Mãe vai ser sempre mãe.

Frederico Figueiredo

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