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“É cada vez mais necessário haver quem se preocupe com o bem-estar mental dos colaboradores”, diz a gestora Monika Kaselyte

Monika Kaselyte, 37 anos, é natural da Lituânia e chegou aos Açores em 2009 para fazer o programa de Erasmus em Gestão, a sua área de formação. Depois, surgiu uma oportunidade profissional e, como se apaixonou pelos Açores, acabou por ficar no arquipélago. Hoje, considera-se a “lituana mais açoriana de sempre.” A gestora é a fundadora da Livin’it Azores, uma empresa dedicada a eventos corporativos, Team Building, Workation e Nómadas Digitais. De acordo com a gestora, “temos, hoje, muitos profissionais, de variadas áreas, completamente exaustos, com níveis de desmotivação altíssimos e completamente desalinhados das organizações. Julgo, por isso, que é cada vez mais necessário haver quem se preocupe com o bem-estar mental dos colaboradores e acreditamos que o serviço que prestamos de team building, por exemplo, ajuda a mitigar estas dificuldades”, afirma.

Correio dos Açores – Qual é a visão da Livin’it Azores?
Monika Kaselyte (Gestora e fundadora da Livin’it Azores) – O ponto de partida foi a criação do nosso espaço de coworking, o unOffice, e que nos permitiu identificar e consolidar a ideia de uma empresa dedicada a eventos corporativos, team building e workation. Começamos por organizar o “Nos Açores Try-Out”, um evento que junta durante três dias empresas regionais e nacionais e a partir deste período, 2017, começamos essa nova viagem.
A par disso, a nossa motivação foi, também, ter um projecto que nos permitisse explorar uma vertente diferente do turismo e, por ventura, gerador de um maior valor acrescentado que pudesse funcionar, com particular incidência, na época baixa. Mas também tivemos uma motivação maior: partilhar, por um lado, com os nossos clientes a nossa paixão pelos Açores (eu sou da Lituânia, mas já vivo cá desde 2009) e, por outro, criar um programa que pudesse permitir uma vivência autêntica dos Açores por parte dos nossos clientes, daí o nome Livin’it Azores.
O nosso farol é fazer com que cada experiência nos Açores dos nossos clientes possa traduzir-se num ganho qualitativo para as pessoas e para a organização. Dito de outro modo, pessoas mais felizes tornam as empresas mais produtivas e, no fundo, é isto que estamos a tentar fazer, tendo por base as condições excepcionais dos Açores, tanto a nível de beleza natural, mas, também e, sobretudo da nossa localização estratégica.

Quais foram os desafios no processo de criação da empresa?
Os desafios, creio eu, são inerentes à criação de qualquer empresa: necessidade de capital, o caminho sempre tortuoso quando se está à procura de clientes e, simultaneamente, ter a liquidez para fazer face aos compromissos
Mas, também, a nível de aconselhamento estratégico, que se for algo bem feito, ajuda-nos a andar mais depressa e a corrigir, de forma mais rápida, os erros do percurso e, claro, conseguir ter uma empresa saudável a nível financeiro, de ambiente de trabalho e do valor que podemos acrescentar à empresa.

Quais são os serviços oferecidos pela empresa?
Temos quatro pilares de actuação: Eventos Corporativos, Workation, Team Building e Nómadas Digitais.
Nos eventos corporativos, actuamos numa lógica de “chave na mão”, onde tratamos de tudo, desde viagens até a organização do evento. No workation, onde as empresas aliam a parte de trabalho com lazer, actuamos também no mesmo pressuposto, isto é, “chave na mão”. No team building, temos tido experiências muito interessantes e, nesta área, preparamos uma resposta muito personalizada e geradora de valor acrescentado para empresa, através do reforço de espírito de equipa e comprometimento das pessoas com a organização. No campo de nómadas digitais, basicamente, tratamos do alojamento, do local de trabalho e de actividades mais lúdicas. O nosso percurso, nesta última área, tem sido mais lento do que gostaríamos, fruto de um posicionamento ainda muitíssimo incipiente dos Açores, não obstante o elevado potencial que os Açores têm nessa área

Quem vos procura mais?
As empresas que mais nos procuram são as de base tecnológica e que têm colaboradores dispersos por diferentes países, quase sempre entre os Estados Unidos da América e a Europa. Já tivemos clientes de várias geografias: Nova Zelândia – o cliente mais longínquo que já tivemos –, Polónia, Lítuânia, Estados Unidos, Reino Unido, entre outros. O nosso último cliente foi uma empresa israelita de cibersegurança.

De que forma a presença de um psicólogo na equipa da Livin’it Azores DMC contribui para as actividades e serviços oferecidos pela empresa?
Nós não somos uma empresa de animação de turística e, por isso, faz sentido que a diferença possa ser sentida no produto que oferecemos, mas também no próprio quadro de pessoas que colaboram connosco. Sobretudo, no team building e workation, temos na equipa uma especialista na área de gestão de recursos humanos que tem como missão criar ligações com as experiências vividas nos Açores, com as dinâmicas organizacionais e fazer com que possam interferir positivamente, com a melhoria da produtividade e de uma organização mais saudável, que valorize os seus colaboradores.

Se cuidarmos das pessoas que trabalham connosco, existirá um ganho extraordinário para a organização.
Temos, hoje, muitos profissionais, de variadas áreas, completamente exaustos, com níveis de desmotivação altíssimos e completamente desalinhados das organizações. Julgo, por isso, que é cada vez mais necessário haver quem se preocupe com o bem-estar mental dos colaboradores e acreditamos que o serviço que prestamos de team building, por exemplo, ajuda a mitigar estas dificuldades.

Os testes psicotécnicos, aplicados durante as actividades, ajudam a compreender melhor os membros da equipa e a potenciar o seu desempenho?
Mesmo antes de receber os clientes, aplicamos alguns testes e realizamos uma conversa mais aprofundada com os responsáveis de Recursos Humanos, no sentido de perceber os principais desafios e dificuldades, e montamos todo um programa direccionado para as necessidades de cada cliente. Durante as actividades e mesmo na viagem em grupo, o comportamento de cada membro da equipa é avaliado no sentido de fazermos pequenos ajustes, a nível de integração e compromisso de cada um.

De que forma a Livin’it Azores DMC se diferencia de outras empresas que oferecem serviços semelhantes na Região?
Os nossos concorrentes actuam numa dimensão mais vasta e como estamos a focar exclusivamente nessa dimensão corporativa, acredito que conseguimos entregar ao nosso cliente um produto único e completamente adaptado às suas necessidades. Em alguns destes serviços, fomos os pioneiros e acreditamos que, pelo facto de sermos genuínos e apaixonados, conseguimos ser diferenciadores.

Que feedback têm tido dos clientes sobre os vossos serviços?
Os feedbacks têm sido muito estimulantes e encorajadores. Temos um custo muito elevado no processo de angariação dos nossos clientes e, por isso, estes retornos muito positivos sinalizam que estamos no caminho certo. Os clientes que vêm de fora da Região ficam, igualmente, deslumbrados com os Açores.
A Livin’it Azores DMC preocupa-se com o desenvolvimento sustentável e a preservação do ambiente nos Açores?
Incorporamos, em todos os momentos, a preocupação com a sustentabilidade do nosso projecto. Desde logo, tentamos realizar as nossas actividades nos períodos de menos intensidade de turistas na Região e valorizamos os parceiros regionais.

Quais são os planos da empresa para expandir os seus serviços?
O primeiro objectivo é conseguirmos fortalecer os nossos serviços e ser um líder inquestionável nos Açores na nossa área. Para isso, precisamos, por um lado, de ter condições para prestar o nosso serviço com igual qualidade em todas as ilhas dos Açores e, por outro, apostar com particular incidência no mercado exterior. Conseguindo fazer isso, penso que temos condições de pensar noutros planos mais ambiciosos.

Carlota Pimentel

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