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Com 40 mil livros numa cave da Rua João Moreira, a Reciclomania é o maior e mais completo alfarrabista dos Açores

A Reciclomania é uma loja de produtos em segunda mão, com especial destaque para os discos em vinil, filmes, jogos e livros, que também estão disponíveis para venda online. Nesta entrevista, o proprietário, António Leite, conta como foram expandindo a secção de literatura. Hoje, contam com cerca de 40 mil livros na cave de uma loja que já conta com 15 anos de história.

Correio dos Açores – Como é que surgiu a ideia para se dedicar a este tipo de negócio?
António Leite (proprietário da Reciclomania) – A história da loja começou há cerca de 15 anos. Para mim, este é um mercado de grande interesse pois requer o conhecimento de diversas áreas, desde moedas antigas, selos, livros, jogos, mobília, etc. Para além de que muitas vezes aprecem artigos que nos surpreendem e acabam por se mostrar muito interessantes. Não é um negócio onde cairmos na rotina, ou onde ficamos aborrecidos. Aqui todos os dias são diferentes.
O gosto pelas antiguidades foi uma consequência da crise de 2008. Eu trabalhava numa imobiliária em part-time e uma consequência da crise foi o reavivar e dinamizar dos negócios de venda de artigos em segunda-mão. No estrangeiro já se fazia isso, olha, aí eu tentei, então, esta situação, sim, e desde aí que me mantive assim. Agora, espero pela minha reforma, daqui a dez anos, quatro meses e três dias e duas horas…
O negócio já existe há 15 anos, talvez mais, mas nesta localização estamos há sete. Começamos na Rua Tavares Resendes, que era uma loja mais pequena. Mas, sentimos a necessidade de ter um espaço maior e algumas variáveis fizeram com que nos mudássemos para Rua João Moreira. Actualmente, o espaço continua a ser pequeno e gostávamos de ter um armazém, mas infelizmente não temos liquidez necessária para esta “aventura”.

Quem vos procura e onde encontram as peças?
Atendemos todo o tipo de cliente, desde locais a turistas. As grandes angariações são feitas sobretudo com pessoas que estão a vender as suas casas e precisam de se desfazer do recheio. Quando não são estas pessoas que nos contactam, fazemos nós o contacto através de agentes imobiliários. Também compramos alguns produtos em feiras e temos muitos amigos que nos deixam as suas coisas.

Como é que avaliam as peças que vos vão chegando?
Temos de saber um pouco sobre todas as áreas: os relógios, os selos, as moedas, os jogos, as mobílias e as próprias jóias, o que inclui pratas, etc. Nós contamos com o apoio de vários amigos: os nossos “consultores”. Nos relógios, por exemplo, temos um amigo que é relojoeiro. E, no caso da música, temos dois grandes amigos que são autodidactas. Por exemplo, há vinis que valem 0,50 cêntimos e outros 45 euros. Neste sentido, é bom podermos contar com pessoas que têm mais conhecimentos para nos ajudar a avaliar as peças. Avaliar estas coisas é algo delicado por isso contamos com apoios.

Estamos a falar de um tipo de mercado que é aliado da sustentabilidade. Qual é a importância de desenvolver esse mercado na Região?
É importante haver esta noção de reciclagem, porque cada vez somos mais no nosso planeta, e cada vez há menos reciclagem no sentido de objectos que podem ser reutilizados. Mas, temos de apostar nesta modalidade e dar uma nova vida aos objectos. Na nossa loja contribuímos para a sustentabilidade, pelo menos em microescala.

Há alguma peça ou história que o tenha marcado particularmente?
Temos algumas histórias. Mas lembro-me desta em especial: uma vez uma senhora da Índia entrou na loja com um colar que dizia estar “abençoado”. O colar foi lhe dado por uma senhora de idade da sua aldeia, mas ela tinha de o vender noutra parte do mundo. E ela escolheu os Açores. Então, ela vendeu-nos o colar por um valor não muito alto. Ficamos com a peça “abençoada” durante algum tempo na loja e, entretanto, vendemos. Para além destas histórias mais caricatas, também acontece que muitas vezes vendermos uma coisa a alguém e, anos depois, as pessoas voltam para vender o objecto. Isto acontece principalmente com mobília e assim vamos “reciclando” o uso ao longo dos anos.

E quais são os objectos que são mais vendidos?
Varia muito, mas vendemos muitos livros, jogos de consola da PS3/PS4, e jogos de colecção. Por vezes, também vendemos bijuteria. No caso de ser em segunda-mão, há sempre uma higienização profunda, mas por vezes também adquirimos o stock através de lojas que fecham, ou em leilões. Neste caso, compramos em grandes quantidades pois também é isso que nos permite vender mais barato.
Realmente não consigo precisar o artigo mais vendido. Mas, notamos que cada vez vendemos mais livros e cada vez temos mais clientes que procuram esse tipo de artigo. Porque os livros são mais baratos. Por exemplo, uma pessoa quer comprar um livro novo e o mesmo custa em média 19,90 euros. Na nossa loja, vendemos a oito euros. Para além disso, se a pessoa quiser vender o livro, nós também recompramos. Ou seja, a pessoa paga pouco pelo livro, e depois de o ler, ainda tem a opção de revender na nossa loja. Recentemente criamos um site, www.reciclomania.com, e estamos a vender online. Também vendemos muito para o continente e estamos na plataforma eBay.

Mais de 40 mil livros…
Fomos desenvolvendo o gosto pelos livros ao longo do tempo. O cliente é agradável e o livro não ocupa muito espaço. Assim, fomos adicionando cada vez mais livros e actualmente temos quase 40 mil livros. Mas, como é óbvio, estamos sempre a procurar mais. Neste momento, estamos a reorganizar esta parte porque houve uma expansão e este processo meticuloso pois envolve desde a organização das estantes às fotos de cada livro para colocar no nosso site.
Dividimos os livros por 12 áreas. Desde o esoterismo, história, livros religiosos, livros didácticos, etc. Para além disso, temos uma parte com livros a um euro. Por vezes, também colocamos livros um pouco mais valiosos no meio destes para que o cliente possa encontrar algo de diferente e interessante por um euro.
De resto, nós enviamos os livros por correio. Para todas as ilhas, para o continente e, mesmo que queira comprar em São Miguel, se a pessoa estiver no Nordeste, por exemplo, pode consultar o nosso site e fazer a encomenda e nós enviamos através do correio. Também podem ligar ou mandar mensagem por email.

Tem outros projectos em vista ou expansão de outras áreas?
O nosso objectivo seria o de expandir para Lisboa através de uma pequena loja. Neste momento, temos uma colaboradora em Lisboa, mas não temos um espaço físico condigno. No entanto, estamos a atentos e sempre abertos as sugestões. Por fim, quero dizer que são todos bem-vindos a visitar a loja. Funcionamos das 9h30, às 18h30 durante a semana e das 10h00 às 16h00 aos Sábados.

Daniela Canha

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